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Programa Amazônia em casa, Floresta em pé convida consumidor a conhecer produtos sustentáveis da biodiversidade 

Foto: Nareeta Martin/Unsplash

Em celebração ao dia da Amazônia, 5 de setembro, o Programa Amazônia em Casa, Floresta em Pé promove, como nos últimos dois anos, atividades para divulgar e estimular o consumo de produtos sustentáveis da sociobiodiversidade amazônica. 

Durante todo o mês de setembro, os consumidores poderão conhecer e comprar facilmente produtos que contribuem para manter a floresta em pé e gerar renda e trabalho para os amazônidas. 

O mês de setembro começa com a campanha Biomas a um clique, elaborada pelo Mercado Livre e do qual o programa faz parte. A Amazônia, juntamente com os biomas Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica, integram a campanha, que é composta por 80 marcas e cerca de 900 itens sustentáveis. 

“Ao fortalecer a estratégia comercial e dar visibilidade para esses negócios, contribuímos para a geração de renda e para a conservação da sociobiodiversidade destes biomas”, diz Laura Motta, gerente sênior de Sustentabilidade do Mercado Livre. “Queremos combinar os saberes da floresta, que geram riqueza e proteção ambiental, com o conhecimento do Mercado Livre em comercialização e logística para impulsionar os impactos positivos desses empreendedores muitas vezes desconhecidos por grande parte dos brasileiros.”

Mariano Cenamo, diretor de novos negócios do Idesam e CEO da AMAZ aceleradora de impacto, destaca que “o programa Amazônia em Casa, Floresta em Pé e o Mercado Livre, desde 2020, lideram esforços para a abertura de novos mercados aos negócios da Amazônia, diante de desafios de logística e acesso a mercados peculiares da região. E essa movimentação agora se estende a outros biomas por parte do Mercado Livre.”

Ao todo, 27 marcas do programa participam das atividades em setembro, oferecendo seus produtos a consumidores de todo o Brasil. Além da presença na loja do Mercado Livre, serão ativados influenciadores ao longo do mês para ampliar a divulgação sobre as marcas e seus impactos positivos.

As marcas oferecem geleias, tucupis, chocolates, pimentas, óleos, manteiga, cachaça de jambu, velas, biocosméticos como shampoo, condicionador, sabonete, dentre outros 

Os produtos poderão também ser adquiridos no Instituto Chão, na cidade de São Paulo, onde serão promovidas degustações nos dias 03 e 10 de setembro e oferecidos descontos ao longo do mês.

“No mês da Amazônia unimos todos os esforços, nós como empreendedores, mercado livre e lojistas, para levar o melhor dos biomas e da floresta pé para a casa do consumidor brasileiro. Valorizar a biodiversidade pode ser sobretudo delicioso e inovador a partir dos produtos incríveis que temos hoje”, destaca Paulo Reis, sócio da Manioca.

Sobre o Programa Amazônia em Casa, Floresta em Pé

Criado em 2020, o programa de acesso a mercados Amazônia em Casa Floresta em Pé é coordenado pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), pela AMAZ Aceleradora de Impacto e pela Climate Ventures e tem como propósito  destravar o acesso ao mercado para os produtores da sociobiodiversidade amazônica.

Tem como apoiadores Mercado Livre, a maior plataforma de e-commerce da América Latina, Fundo Vale, GIZ, CLUA, Instituto humanize e Instituto Clima e Sociedade.

A iniciativa busca reunir atores estratégicos e agir de forma colaborativa para superar gargalos e aumentar as vendas e o acesso a mercado destes empreendimentos a formas inovadoras e interessantes de comercialização.

Em maio, foi iniciada uma jornada de capacitação prática do programa com os 34 empreendimentos  selecionados na mais recente edição da chamada de negócios da iniciativa, realizada entre março e abril deste ano. A jornada oferece aulas práticas, mentorias individuais e encontros presenciais, além de ter proporcionado a participação na NaturalTech 2022, maior feira de produtos naturais da América Latina.

Hoje já integram o movimento 34 marcas.

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Negócios amazônicos se destacam na Naturaltech

Foto: Divulgação/Amazônia em casa Floresta em pé

De 8 a 11 de junho, 32 negócios do movimento Amazônia em casa Floresta em pé participaram da Naturaltech, maior feira de produtos naturais da América Latina. Foi a primeira participação do movimento em um evento presencial.

Realizada em São Paulo, a feira é uma oportunidade para a troca de experiências entre produtores, redes varejistas, consumidores finais, trazendo visibilidade e contribuindo para ampliar a presença dos produtos no mercado. Segundo a organização da feira, 35.600 pessoas passaram por lá nos quatro dias de realização.

Reunidas em um estande de quase 100 m², as marcas ofereceram aos visitantes da feira experiências únicas de sabores e culturas da Amazônia. Foram promovidas sessões de degustação, happy hours, lançamentos de produtos e palestras.

Chocolate com cacau nativo, café agroflorestal, castanhas, sucos, guaraná, suplementos alimentares, farofas, tucupis, geleias, pimentas, molhos, óleos, pescados, biocosméticos, artesanato, acessórios, dentre outros produtos naturais, se distribuíram pelo espaço e deram vida ao estande.

Dois produtos foram lançados durante o evento: um chutney de manga com pimenta assisi, criado em parceira pela chef Carla Pernambuco e pela empresa SoulBrasil; e o Nióc, um snack de mandioca, crocante, sem lactose em sabores muito amazônicos – tucupi, pimenta assisi, cipó de alho e jambu -, da marca Manioca.

Três palestras foram promovidas durante a feira: “Amazônia em casa Floresta em pé – o desafio é levar a floresta até você”, com a participação de Ana Brito (Asproc), Paulo Reis (Manioca), Laura Motta (Mercado Livre), Floriana Breyer (movimento Amazônia em casa Flores em pé) e Carla Pernambuco (Chef do Carlota); “Ciência e inovação na cultura alimentar da Vitória-Régia e outros bioativos da Amazônia”, com Dulce Oliveira (Deveras Amazônia); e “O que suas escolhas nutrem? Como elas impulsionam uma Amazônia inovadora, próspera e que traga soluções para um mundo mais sustentável?”, com Artur Coimbra (Na’kau), Sandra Amud (Assoab), Sarah Sampaio (Amazônia Agroflorestal), Ramon Morato (Instituto Piagaçu) e mediação de Louise Lauschner (Idesam e Inatú Amazônia).

Resultados e perspectivas

Foram vendidos 4.627 produtos, perfazendo um total de R$ 137.854,20. Mas os resultados esperados transcendem essas conquistas, já que a Naturaltech é focada também nos varejistas. O movimento já está em conversas com espaços, feiras e mercados que têm interesse em ter um espaço dedicado a marcas amazônicas.

“A participação na Naturaltech foi um momento inédito na jornada do Amazônia em casa Floresta em pé. Pudemos unir nossas estratégias de vendas físicas e vendas online. Foi o primeiro momento que pudemos reunir todo nosso portfólio de marcas amazônicas com seus representantes e produtos, ofertando uma vitrine de inovação e impacto para o mercado. Foi um momento que uniu integração entre os membros, visibilidade para o mercado, ambiente para vendas ao consumidor final e contatos  comerciais de maior escala”, avalia Floriana Breyer, gestora de parcerias do Amazônia em casa Floresta em Pé.

Guilherme Faleiros, coordenador do programa de acesso a mercados pela AMAZ e Idesam, destaca o notório interesse do público em consumir, cada vez mais, produtos com propósito: “Durante a Naturaltech, as marcas do movimento puderam contar suas histórias, ao mesmo tempo em que o público percebeu que a Amazônia tem um potencial de valor maior quando em pé. São esses aliados que buscamos sensibilizar com o movimento Amazônia em casa Floresta em pé.”

 Paulo Reis, um dos organizadores da participação do movimento na NaturalTech e empreendedor da Manioca e da Amazonique, avalia que, pela importância da Naturaltech, abrir espaço para a participação da Amazônia é colocar a região no mapa dos consumidores e varejistas: “A resposta foi imediata: tivemos um retorno maravilhoso dos clientes, que provaram os produtos por curiosidade ou pela causa, e se encantaram com o sabor e a qualidade dos nossos produtos”.

Sobre o movimento

Criado em 2020, o movimento Amazônia em Casa Floresta em Pé é coordenado pelo Idesam (Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia), pela AMAZ Aceleradora de Impacto e pela Climate Ventures, e tem como propósito destravar o acesso ao mercado para os produtores da sociobiodiversidade amazônica.

Tem como apoiadores Mercado Livre, a maior plataforma de e-commerce da América Latina, Fundo Vale, GIZ, CLUA, Instituto humanize e Instituto Clima e Sociedade.

A iniciativa busca reunir atores estratégicos e agir de forma colaborativa para superar gargalos e aumentar as vendas e o acesso a mercado destes empreendimentos a formas inovadoras e interessantes de comercialização.

Nesse vídeo você pode sentir um pouco do clima da participação na Naturaltech:

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Empreendedores do portfólio da AMAZ participam de imersão em Apuí

Foto: Gabriela Souza/AMAZ

Empreendedores acelerados pela AMAZ estiveram em Apuí, no Amazonas, no final de junho, para conhecer o trabalho realizado com agricultores familiares na produção do Café Apuí Agroflorestal.

O objetivo foi promover uma imersão na realidade local, abordando aspectos peculiares da produção agroflorestal, do relacionamento com os agricultores, além de metodologias comprovadas de ATER (Assistência Técnica e Extensão Rural) na Amazônia, logística, escoamento produtivo e mensuração de impactos gerados.

A imersão foi planejada para atender às necessidades de três dos seis negócios acelerados este ano pela AMAZ: INOCAS, Floresta S/A e Mahta. Além dos empreendedores, estiveram presentes integrantes do time da AMAZ e do Idesam, responsáveis pela cadeia de produção do café e pela Amazônia Agroflorestal, empresa criada para facilitar a comercialização de produtos da sociobidiversidade.

“O objetivo dessa atividade era aproximar os negócios que têm relação com produção agroflorestal e contato com pequenos produtores, além de questões contratuais envolvendo esse universo também. O Café Apuí Agroflorestal é um case de sucesso que conseguimos apresentar para eles, in loco, a partir da rede do Idesam. Com certeza essa troca vai render frutos e parcerias interessantes. Não só eles puderam aprender com a experiência do café, mas também compartilharam suas experiências com outras culturas e regiões, em processos diferentes, mas que guardam algumas similaridades,” analisa Gabriela Souza, analista de investimentos da AMAZ.

Jânio Rosa, da INOCAS, avalia que as trocas realizadas durante a imersão foram muito boas: “A gente pôde conhecer o Sistema Agroflorestal que eles têm aqui em Apuí, a questão do consórcio do café com outras culturas. A INOCAS pretende introduzir, junto com a macaúba, outras culturas também. Então essa vivência foi muito importante para nós. Ter o contato com os agricultores, ver como funciona a articulação junto a eles, as estratégias adotadas. Tem também a questão da extração dos óleos desenvolvida aqui, a assistência técnica, enfim, uma troca fantástica, onde pudemos ver bem de perto as especificidades do bioma da Amazônia.”

Edgard Calfat, da Mahta, visitou pela primeira vez um Sistema Agroflorestal, e se disse ansioso por ver como funcionava. “É realmente uma mata bem densa, quase uma imitação da floresta, nada daquele campo limpinho de produção em fileiras. À medida em que eles apresentavam mais detalhes da produção do café, a gente ia traçando o nosso paralelo também de dificuldades, desafios e ideias. Conhecer o processo in loco e estar imerso na realidade do que acontece aqui – aqui Apuí, e também Amazônia – foi bastante intenso. E falar com os produtores, entender como se dá o relacionamento com eles, também é importante para nós. “

Marina Yasbeck, especialista da Iniciativa Estratégica Café Apuí (Idesam), que acompanhou a imersão, destaca a riqueza da troca e o quanto esse contato pode contribuir para o desenvolvimento dos negócios acelerados pela AMAZ: “Estamos um pouco mais avançados na implementação e na aplicação de metodologias, de ATER, incidindo sobre todos os elos da cadeia produtiva. São coisas que esses negócios estão em processo de implementação, por isso faz sentido essa troca, isso vai ser útil para eles. Muito do que fazemos aqui pode ser aplicável às bases deles também.”

NaturalTech

Negócios amazônicos participam da NaturalTech, maior feira de produtos naturais da América Latina

Foto: NaturalTech – divulgação

De 08 a 11 de junho,  32 negócios que valorizam saberes e ingredientes amazônicos em produtos originais, belos e saborosos participam da NaturalTech, em São Paulo. Os negócios integram o movimento Amazônia em Casa Floresta em pé, e oferecem aos visitantes da feira chocolate com cacau nativo, café agroflorestal, castanhas, sucos, guaraná, suplementos alimentares, farofas, tucupis, geleias, pimentas, molhos, óleos, pescados, biocosméticos, artesanato, acessórios, dentre outros produtos naturais.

A feira é uma oportunidade para promover a troca de experiências entre produtores, redes varejistas e consumidores finais, o que trará visibilidade e contribuirá para ampliar a presença desses produtos no mercado. 

“Queremos levar a ideia de que, consumindo produtos da floresta de forma responsável, nós ajudamos a mantê-la de pé. Esses empreendimentos terão oportunidade de mostrar para o Brasil a potência e influência dos saberes e sabores da Amazônia na economia, na cultura e na manutenção da vida na Terra”, diz Guilherme Faleiros, coordenador do programa de acesso a mercados pela AMAZ aceleradora de impacto.

Com quase 100 m², o estande do movimento será o maior dedicado à Amazônia, oferecendo experiências únicas de sabores e culturas da maior floresta tropical do planeta. Serão promovidas sessões de degustação pela manhã e em happy hours no fim da tarde, que incluem bolo de babaçu, conserva de vitória régia, molhos à base de tucupi, carpaccio de pirarucu, cachaça orgânica de jambu, entre outras delícias regionais. 

A ilha central do estande terá petiscos desenvolvidos pela chef Carla Pernambuco, que vai ministrar uma aula show durante a palestra “Amazônia em Casa Floresta em Pé: o desafio é levar a floresta até você!”, que acontecerá dia 10 de junho às 15h na Arena Inspiração, espaço dedicado a conteúdos inspiracionais durante o evento.

“A Naturaltech é a maior feira do nosso setor, para produtos naturais e sustentáveis. Portanto, a nossa expectativa é aproveitá-la como uma grande vitrine para as marcas, para novos produtos da Amazônia e principalmente para que consumidores, distribuidores e parceiros vejam os produtos da floresta como um segmento com muito potencial. Seremos agricultores, indústrias, marcas e parceiros que fazem acontecer toda a cadeia de produtos da Amazônia. E estaremos lá buscando o cliente, que na minha opinião é o elo que completa um ciclo de negócios da floresta em pé, da produção sustentável, ao consumo consciente”, diz Paulo Reis,  um dos organizadores da participação do movimento Amazônia em Casa Floresta em Pé na NaturalTech e empreendedor da Manioca e da Amazonique.

A NaturalTech reúne anualmente o setor de produtos naturais, integrais, fitoterápicos e tratamentos complementares. Segundo a organização do evento, um mercado que cresce cerca de 4,4% ao ano, fazendo o Brasil ocupar o 4º lugar no ranking de faturamento mundial. 

A feira acontece no Pavilhão de Exposições do Anhembi, na Avenida Olavo Fontoura 1.451. A participação é gratuita, mas é preciso se inscrever no site do evento. 

Programa inicia capacitação dos vencedores da Chamada 2022

O programa de acesso a mercados Amazônia em Casa Floresta em Pé iniciou, no mês de maio, a jornada de capacitação prática do programa com os 20 empreendimentos  selecionados na mais recente edição da chamada de negócios da iniciativa, realizada entre março e abril deste ano. Essa fase terá a duração de seis meses e conta com aulas práticas, mentorias individuais e encontros presenciais, além da participação na NaturalTech. 

As aulas estão divididas em quatro módulos de estudo com foco na estruturação das operações comerciais, logísticas, de campanhas de marketing e mensuração de impacto. O objetivo é preparar e fortalecer as estratégias de cada marca na participação das campanhas previstas, nas feiras e eventos, bem como o aprimoramento da inteligência logística e comercial e a promoção do intercâmbio entre distintos empreendedores de impacto da Amazônia. 

Cada módulo conta com uma empresa parceira, que oferece capacitação – e também seus serviços – para os participantes do programa. Com foco em varejo, o módulo B2B tem o apoio da Local.e e visa ampliar a visão de mercado, aperfeiçoar a política comercial e fortalecer o plano e gestão de trade marketing. 

Já o módulo B2C é realizado em parceria com o Programa Empreender com Impacto, do Mercado Livre, e vai ajudar os negócios a criar uma loja virtual e implementar a estratégia de vendas online na plataforma, comunicar-se melhor com o consumidor final, acessar o ecossistema Mercado Livre e participar da gôndola virtual ‘Amazônia em Casa Floresta em Pé’, dentro da plataforma. 

O módulo de Logística conta com o apoio da Soulog Fulfillment, que se propõe a ampliar a visão da cadeia logística do negócio, otimizar rotas logísticas, desenvolver estratégias conjuntas de logística que possibilitem redução de custos, conhecer principais questões tributárias que incidem sobre o trânsito de mercadorias em território nacional e integrar operações comerciais e logísticas.

Uma das mais esperadas fases da jornada será o encontro presencial que acontecerá em São Paulo, após os participantes do programa exporem seus produtos em um estande compartilhado na feira da Naturaltech, nos dias 13 e 14 de junho. 

O foco do evento será em mensuração de impacto, onde serão realizadas oficinas sobre o tema do encontro e comunicação e visitas aos parceiros implementadores do programa (Soulog e Mercado Livre). 

Chamada 2022

Em abril de 2022, o programa abriu uma chamada para empresas ou organizações de base comunitária que atuam com produtos da sociobiodiversidade amazônica. A chamada alcançou 92 inscrições de 13 diferentes estados. Ainda que abaixo do número de inscrições esperado, o resultado foi considerado positivo pelos organizadores, considerando o cenário de pós-pandemia. 

O Pará foi o estado com maior número de iniciativas inscritas, com 45 negócios cadastrados; também tiveram destaque Amazonas e Rondônia, com 17 e 7 inscrições, respectivamente. Considerando as categorias de negócios, as inscrições contemplaram 14 microempreendedores individuais, 46 empresas, 13 associações, 9 cooperativas e 10 empreendimentos que ainda estão em fase de formalização. 

Entre os selecionados, estão oito empreendimentos comunitários e 12 novos negócios, representando seis Estados brasileiros: Amazonas, Pará, Rondônia, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. 

Além dos vencedores da chamada 2022, as ações do programa de capacitação também poderão ser acessadas pelos negócios membros que participaram das edições anteriores, somando mais de 35 iniciativas atendidas pelo programa. 

Conheça os negócios e organizações apoiadas no site oficial do movimento: amazoniaemcasa.org.br

Sobre o programa 

Criado em 2020, o movimento Amazônia em Casa Floresta em Pé é coordenado pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), pela AMAZ Aceleradora de Impacto e pela Climate Ventures e tem como propósito  destravar o acesso ao mercado para os produtores da sociobiodiversidade amazônica.

Tem como apoiadores Mercado Livre, a maior plataforma de e-commerce da América Latina, Fundo Vale, GIZ, CLUA, Instituto humanize e Instituto Clima e Sociedade.

A iniciativa busca reunir atores estratégicos e agir de forma colaborativa para superar gargalos e aumentar as vendas e o acesso a mercado destes empreendimentos a formas inovadoras e interessantes de comercialização.

Amaz Branding Lab - Zoide Creative

AMAZ Branding Lab: comunicação esteve no centro das atenções das startups em maio

Empreendedores, times da AMAZ e da FutureBrand SP – Foto: Zoid Creative

Nos dias 11 e 12 de maio, empreendedores e empreendedoras acelerados pela AMAZ estiveram em São Paulo para participar do AMAZ Branding Lab, promovido em parceria com a FutureBrand SP.

Ao longo de dois dias, foram oferecidos conteúdos, dinâmicas e ferramentas envolvendo posicionamento, storytelling, identidade visual e verbal, cultura e digital. Os empreendedores tiveram também a oportunidade de apresentar seus pitchs para o time da FutureBrand SP, que envolveu cerca de 20 pessoas no processo.

“É muito importante esse tipo de parceria porque trazemos para dentro de casa esses empreendedores que estão fazendo diferença, que são as marcas do futuro. É bacana nos conectar com eles, entender quais são essas iniciativas que estão emergindo no mercado e fazer com que nossos colaboradores possam ter contato com elas”, avalia Isabel Sobral, sócia-diretora da FutureBrand SP.

“É uma capacitação não só para os empreendedores o que acontece aqui, mas também para a gente. Nossos profissionais se preparam muito para esse tipo de oficina, buscam entender que startups são essas, que são futuros unicórnios da Amazônia, e conseguem trazer esse aprendizado para nossos outros clientes. Acreditamos muito nessa troca, entre o pequeno e o grande, que estão se unindo cada vez mais, criando esses laboratórios de inovação aberta. É de um valor imenso”, completa. 

Para Thiago Campos, da Floresta S/A, “a expertise da FutureBrand ajuda a ter clareza do que é preciso ajustar, e a gente espera que daqui venha um desdobramento que consiga realmente efetivar todas essas ferramentas que foram apresentadas em algo concreto para aplicar no nosso dia a dia.” 

“É preciso sempre aprimorar o nosso processo, já que temos um público bastante diverso, que vai desde o produtor que está na ponta da cadeia até o consumidor final, passando por parceiros e investidores. É muito importante termos essas inspirações com esses grandes profissionais”, avalia Jânio Rosa, da Inocas.

Alexsandro Vanin, da BRCarbon, concorda com Jânio e destaca a importância da oficina para exercitar soluções para a dificuldade, muitas vezes, de comunicar, de um jeito envolvente e humano, temas que são complexos e abstratos.

“Agora, com a cabeça em ebulição, temos o desafio de construir um plano de desenvolvimento para as startups, contando com a assessoria da equipe da FutureBrand SP, que é sensacional. Não temos palavras para resumir o quanto eles transferiram de conhecimento e de motivação para o desenvolvimento das nossas startups”, avalia o CEO da AMAZ, Mariano Cenamo.

Confira o clima do Lab:

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Isabel Sobral FutureBrand SP Zoid Creative

Marcas à prova de futuro: entrevista com Isabel Sobral

Isabel Sobral, FutureBrand SP/Zoid Creative

Negócios de impacto precisam comunicar com efetividade os impactos positivos, sociais e/ou ambientais, que fazem parte de seu propósito. O branding, as narrativas, a identidade verbal e visual, o tom de voz, tudo isso conta no contato com as diferentes audiências com as quais esses negócios dialogam.

A FutureBrand SP, especializada em criar marcas à prova de futuro, tem realizado, em especial na última década, parcerias com organizações da sociedade civil e negócios de impacto no sentido de traduzir em comunicação o impacto que essas instituições geram. 

Dentre essas organizações estão a própria AMAZ, o Idesam, a Climate Ventures e alguns negócios amazônicos, como Café Apuí, Seringô, Na’kau e 100% Amazônia. Segundo Isabel Sobral, sócia-diretora da FutureBrand SP, o trabalho com esse tipo de instituição traz conhecimento sobre temas importantes como mudanças climáticas, sistemas agroflorestais, economia regenerativa, mercado de carbono, e também profundidade em diferentes cadeias como a da moda, da pecuária, do óleo de palma e do cacau. 

“Cada projeto vira uma espécie de especialização em um assunto. E como falar de marcas a prova de futuro se não compreendermos esses temas? Nosso propósito é criar marcas que sejam à prova de futuro e, na minha opinião, só existirá um futuro para nós, seres humanos, se as marcas realmente se preocuparem e agirem em relação ao impacto que geram, minimizando os efeitos negativos, ampliando os positivos e estabelecendo modelos regenerativos em seus negócios. É uma mudança grande de paradigma que está em curso, e as novas gerações têm tudo para se conectarem a isso e fazerem a diferença”, diz Isabel.

Em maio, a parceria entre a FutureBrand SP e a AMAZ promoveu o AMAZ Branding Lab, uma oficina sobre comunicação para os negócios em aceleração neste ano de 2022. Na ocasião, Isabel conversou conosco sobre marcas do futuro, negócios de impacto e comunicação, o início do relacionamento com a aceleradora e tendências de consumo.

Como se deu a aproximação da Future Brand, responsável pelo branding de tantas grandes marcas e com presença no mercado, com negócios de impacto e organizações da sociedade civil? O que motiva essa relação?

Isabel Sobral (IS): Num nível pessoal, desde pequena sempre me conectei muito com questões ambientais, acho que essa coisa de sustentabilidade vem de berço, pela forma como nossos pais e avós nos ensinam a respeitar e honrar a natureza e nos dão oportunidades de viver experiências ligadas a isso. E, crescendo e vivendo num país tão desigual como Brasil, fui me conectando também às questões sociais. Em paralelo a isso, vim trabalhar na FutureBrand (FB), uma consultoria que de fato trabalha com grandes empresas, que geram impactos gigantes, tanto positivos quanto negativos.

Eu já estava há uns sete anos aqui na FB quando senti a minha maior inquietação, aquela crise da busca por um propósito maior. Eu pensei em sair, ir trabalhar em um lugar cheio de propósito, uma empresa B ou coisa do tipo. Por outro lado, também enxerguei que em poucos lugares eu teria um acesso tão fácil a altas lideranças das empresas quanto trabalhando aqui. E é justamente essa liderança que nos contrata como uma consultoria para mostrar o melhor caminho e estratégia de suas marcas para o futuro. Pronto! Eu estava com a faca e o queijo na mão.  

Faltava combinar com o resto da empresa e trazer a temática para a mesa. Começar a falar de sustentabilidade e mudanças climáticas aqui não foi algo rapidamente compreendido por todos, simplesmente parecia que esses temas não cabiam dentro do branding, quando na verdade branding está intrinsecamente ligado a reputação, que por sua vez está ligada ao modo como a marca se comporta diante da sociedade, como ela gera valor para seus stakeholders, quais são suas práticas socioambientais e etc. Era preciso trazer o tema, sensibilizar as pessoas, e foi assim que começamos a nos aproximar desse ecossistema de inovação para impacto.

O primeiro grande marco foi a parceria com a Climate Ventures, já no ano da sua fundação. Queríamos muito fazer algo junto e, desse anseio, veio a ideia de fazer um Comunicathon, que acabou virando um evento para mais de 100 pessoas onde unimos talks de representantes da Coca-Cola, Nespresso, Itaú e Social Docs e trouxemos talks internos sobre temas como Economia Circular no Design e Storytelling para a Sustentabilidade. Nos aproximamos do ecossistema, fui convidada para o Lab de inovação em Manaus, quando conheci o Idesam e o Mariano [diretor de novos negócios do Idesam e CEO da AMAZ]. 

Começamos a fazer projetos para diversas marcas, cada um pagava como podia, o importante era nos conectarmos e encontramos formas de ajudar e viabilizar os projetos. Nosso time foi aprendendo sobre o tema e virando especialista. Uma relação de criação de valor onde todo mundo sai ganhando. Depois veio a pandemia e mudamos o evento para o formato de oficina no online, em 2020 fizemos essa parceria com a PPA, via Programa de Aceleração, e com a Climate ventures novamente. E em 2021 nasceu a AMAZ, batizada por nós e que ganhou forma com essa identidade cativante.

Quantos cases desse tipo a FutureBrand SP já tem em seu portfólio?

IS: Temos uma longa história de projetos ligados a institutos, fundações e organizações da sociedade civil, como Instituto Ayrton Senna, Fundação Lehman e AACD por exemplo, mas não tínhamos no portfólio cases de impacto ligados a empresas de pequeno e médio porte como são as startups aceleradas pela AMAZ. Mas desde 2019, a partir do trabalho com a Climate Ventures, já trabalhamos com empresas e organizações como Boomera, Stattus 4, Confluentes, Seringô, Fundo Vale, Na’kau, Positive Ventures, Mombora, Café Apuí, Idesam, 100% Amazônia, Agropalma, etc. E com nossos grandes clientes também, ajudamos a criar plataformas de sustentabilidade como o Re. da Nestlé e o Cria! da Riachuelo, por exemplo. E temos vários outros casos em andamento.

Tem diferença entre criar para uma grande marca, de grande projeção no mercado, e para negócios de impacto e OSCs?

IS: Tem bastante. Os processos são mais ágeis, a governança bem mais simples e sem hierarquias, existe uma abertura enorme para o que a gente tem a propor. É um processo mais colaborativo, até porque escolhemos metodologias que proporcionam maior interação. O cliente grande quer ver a entrega pronta e não tem tempo para ficar se envolvendo tanto no processo. O clima costuma ser bem bacana nesses projetos para negócios de impacto e organizações que atuam nesse ecossistema, os times se sentem muito engajados e motivados. E a liberdade criativa que temos acaba ampliando nossas possibilidades de ganhar prêmios com esses cases, como ganhamos com a própria AMAZ e Mombora, por exemplo.

Para a Future, o que esse tipo de relação agrega como experiência?

IS: Traz conhecimento sobre temas importantíssimos como mudanças climáticas, sistemas agroflorestais, economia regenerativa, ESG, economia circular, mercado de carbono, assim como profundidade em diferentes cadeias de valor como a da moda, da pecuária, do leite, do óleo de palma e do cacau. Cada projeto vira uma espécie de especialização em um assunto. E como falar de marcas a prova de futuro se não compreendermos esses temas?

Como se deu a aproximação com a AMAZ e a criação da ID da aceleradora?

IS: Já havíamos feito projetos para o Idesam, Café Apuí e Fundo Vale. Todos bem-sucedidos. Era natural sermos considerados como uma opção para desenvolver o branding da AMAZ. Foi um projeto delicioso, que fluiu super bem, a meu ver com apostas extremamente acertadas na escolha do nome e da identidade.

A Future é nossa parceira há algum tempo, o que ela tem oferecido aos negócios do portfólio da AMAZ e como avalia essa conexão?

IS: Parece mesmo uma década de parceria, mas são somente três anos. Além das oficinas, temos muitas reuniões, às vezes surge uma nova ideia ou algum novo desafio, e acredito que, nas nossas trocas, conseguimos ajudar seja trazendo insights, seja apresentando parceiros. No ano passado plugamos a AMAZ a um parceiro nosso (a extinta Decode, que agora faz parte do nosso ecossistema FutureBrand) e eles fizeram entregas bem interessantes de social listening e performance no ambiente digital para as startups da AMAZ.

Negócios com propósito, que visam gerar impactos sociais e/ou ambientais, são o futuro das marcas? Como vê o comportamento do consumidor em relação a isso e à onda ESG?

 IS: Nosso propósito é criar marcas que sejam à prova de futuro e, na minha opinião, só existirá um futuro para nós, seres humanos, se as marcas realmente se preocuparem e agirem em relação ao impacto que geram, minimizando os efeitos negativos, ampliando os positivos e estabelecendo modelos regenerativos em seus negócios. É uma mudança grande de paradigma que está em curso, e as novas gerações têm tudo para se conectarem a isso e fazerem a diferença. E espero realmente que consigam.

O consumidor em si nem sabe o que é ESG, muitos ainda engatinham para entender o que é sustentabilidade, mas existe uma nova consciência. Lembro que há uns 10 anos ouvi falar em veganismo, e naquela época uma pessoa vegana era praticamente um ET. Hoje em dia é a coisa mais normal, isso mostra como várias coisas estão mudando no comportamento. 

O consumismo desenfreado também está em cheque. Virou cafona ser superconsumista. O desapego, a roupa de brechó, agora esse tipo de coisa é cool.

São mudanças que estamos vendo de verdade, talvez ainda um pouco nichadas, mas que vão ganhar escala. A quantidade de clientes e prospects que estão surgindo com essa pauta só cresce. Sinal de mudanças boas que vêm por aí.

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É chegada a hora de um novo olhar para os negócios de impacto na Amazônia

Foto: Divulgação SBSA

Entrevista com Aline Gonçalves Videira de Souza, sócia do Escritório SBSA

Organizações e startups de impacto são relativamente novas no país, e seu funcionamento demanda um ambiente jurídico favorável, com regulação e autorregulação em processo permanente de melhorias e adequações.

O crescimento da agenda ESG no Brasil é uma oportunidade para avançar mais rapidamente e buscar maturidade do impacto nos negócios. Essa é a visão de Aline Gonçalves Videira de Souza, sócia do Escritório SBSA (Szazi, Bechara, Storto, Reicher e Figueiredo Lopes Advogados), que assessora a AMAZ desde a sua criação e também os negócios acelerados.

Atuando no mercado jurídico há duas décadas, o SBSA tem seu trabalho focado em organizações da sociedade civil, como institutos, fundações e associações; responsabilidade social corporativa, projetos de investimento social privado, negócios de impacto e ações articuladas entre os setores público e privado. Possui unidades em Curitiba, São Paulo, e uma das sócias lidera projetos direto de Tel Aviv – Israel.

Sócia para Inovação, Negócios de Impacto e ESG no escritório, Aline vê um crescimento na quantidade de negócios e startups com compromisso de gerar impacto positivo: 

“Vejo que há o surgimento de um novo segmento econômico. Nos últimos anos, temos visto a criação de fomentos institucionalizados para esse perfil de negócios, como é o caso da AMAZ – Aceleradora de Negócios de Impacto na Amazônia, os programas do BNDES Garagem para acelerar negócios de impacto e diversas outras ações que vêm sendo geradas em razão da Estratégia Nacional de Investimentos e Negócios de Impacto, bem como de articulações do próprio ecossistema de empreendedorismo social, onde a Aliança pelo Impacto tem um protagonismo importante.”

Especificamente sobre o ecossistema de impacto da Amazônia, Aline aponta como desafios vencer a visão generalizada e simplista que ainda predomina sobre como são os negócios na região. 

“Quando falamos de Amazônia Legal, estamos diante de uma área que concentra mais da metade do território brasileiro, com muitas realidades e necessidades diferentes. Evidenciar que há portes e perfis bastante distintos de negócios na Amazônia é importante. Isso é relevante em razão da importância identitária e cultural, mas há efeitos ainda mais práticos, como é o caso de atração de investimentos e consumidores que sejam mais aderentes com a proposta daquele negócio.”

Confira a entrevista abaixo.

Como o Escritório SBSA tem trabalhado com organizações da sociedade civil e negócios de impacto?

Estamos no mercado jurídico há vinte anos, com atuação especializada em um nicho de atuação que usualmente não é vista em escritórios de advocacia. Assessoramos empresas e organizações da sociedade civil em temas de Responsabilidade Social Corporativa, Meio Ambiente e Direitos Humanos, bases da agenda ESG. Muitos de nossos clientes são fundações, associações e negócios de impacto socioambiental. Também temos uma área forte de direito público e assessoramos órgãos e projetos de interesse público. 

Somos seis sócios (maioria mulheres), com uma equipe de cerca de 30 profissionais que se dedicam a atender clientes tanto nacionais, quanto internacionais. Temos uma característica peculiar que é o nosso envolvimento direto para que o ambiente jurídico seja mais favorável às organizações e às startups de impacto. Por isso, por exemplo, tivemos uma atuação importante na formulação da Lei 9.790/99 (Lei das OSCIPs), na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU em 2006, na Lei 13.019/14 (Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil – MROSC). Mais recentemente, contribuímos na regulamentação da Lei Geral de Proteção de Dados, bem como na Estratégia Nacional de Investimentos e Negócios de Impacto.

Oferecemos uma atuação ampla de assessoria e representação para nossos clientes, com equipe especializada em diversas áreas do direito, incluindo tributário, trabalhista, societário, ambiental, direitos humanos, compliance, direito público, proteção intelectual, contratual, proteção de dados, contencioso, litígio estratégico, entre outras áreas de conhecimento  Apoiamos desde a estruturação inicial (com suporte para a criação de pessoas jurídicas e arranjos contratuais), passando por apoio na gestão e constante aperfeiçoamento dos projetos e iniciativas que nos são apresentados. Acreditamos que a atuação nessa área demanda um olhar especializado na legislação setorial e também a necessidade de contribuir com os debates em torno das tendências de regulação e autorregulação que estão em construção no Brasil e no mundo.

Como avalia o ecossistema de negócios de impacto no Brasil hoje?

Tem acontecido um crescimento na quantidade de negócios e startups que surgem com compromissos de gerar impacto positivo. Vejo que há o surgimento de um novo segmento econômico. Acompanhando esse fenômeno nos últimos anos, temos visto a criação de fomentos institucionalizados para esse perfil de negócios, como é o caso da AMAZe dos programas do BNDES Garagem para acelerar negócios de impacto, além de diversas outras ações que vêm sendo geradas em razão da Estratégia Nacional de Investimentos e Negócios de Impacto (Enimpacto), bem como de articulações do próprio ecossistema de empreendedorismo social. 

Com a pandemia, ficou evidente a importância desses negócios para a solução de problemas complexos em nossa sociedade. Alinho-me com a visão do último mapeamento realizado pela Pipe Social em 2021, de que é chegada a hora de agir mais rápido e buscar mais maturidade para os modelos de negócios. Adiciono a importância do amadurecimento das teses de impacto desses negócios, para que o novo segmento econômico se consolide em bases mais sólidas. Vejo que o  crescimento da visibilidade da agenda ESG é uma oportunidade para que isso aconteça.

Como o escritório vem se especializando nesta área?

A maior escola para a nossa constante especialização é dada pelo trabalho que desenvolvemos para os nossos clientes. Destaco alguns casos públicos onde a nossa atuação foi relevante, como é o caso da Primeira Debênture Social do País, onde assessoramos o Fundo Zona Leste Sustentável na estruturação do capital filantrópico daquela operação. A criação da AMAZ; a viabilização da iniciativa do Café Apuí, dentre tantos outros programas de integridade e diversidade que implementamos junto a nossos clientes.

É também essencial participar em cursos e oportunidades de formação – seja como professores, seja como alunos. Nos últimos anos, tive a oportunidade de ser aluna nos cursos de ESG e Investimentos Responsáveis na Capital Aberto e no IBGC. Neste ano, já tenho contribuído com aulas sobre o tema das Benefit Corporations nas aulas de ESG para Conselheiras ofertado pelo IBGC e sigo contribuindo no Grupo Jurídico do Sistema B, bem como acompanhando de perto publicações e pesquisas nesta área. Minha sócia, Èrika Bechara, é comentarista para questões ambientais na CNN e semanalmente se aprofunda em questões relevantes sobre o setor. 

Destaco também a importância de participarmos de espaços coletivos de diálogo, como é o caso das comissões na OAB, o Grupo Jurídico do Sistema B, entre outros. A nossa sócia Laís Lopes, por exemplo, é presidente da Comissão de Terceiro Setor da OAB/SP.

Tanto os sócios, como parte da equipe, somos profissionais com experiência no campo da sociedade civil organizada e negócios de impacto, sendo professores pós-graduados que ministram cursos relacionados aos temas em que atuam e participam de projetos de pesquisa e de consultoria de renomadas instituições de ensino como PUC/SP, FIA/USP e FGV. 

Estamos sempre envolvidos em estudos e pesquisas nos temas que trabalhamos. Como exemplo, fiquei muito feliz por ter lançado no ano passado, uma publicação sobre a regulação no Brasil das chamadas “empresas de propósito” a pedido do PNUD/SEGIB. Em nosso site, criamos uma aba SBSA+ onde divulgamos os materiais de referência dos temas que nos dedicamos.

Quais os desafios enfrentados pelos negócios de impacto que atuam na Amazônia?

Acredito que o primeiro deles é vencer a visão generalizada e simplista, que ainda predomina, sobre o perfil dos negócios na Amazônia. Me incomoda que, por vezes, não seja reconhecida a potência que as pessoas da região têm, ou uma visão de que, com poucos ajustes, seria possível adaptar modelos de negócios das regiões sul e sudeste do país. Quando falamos de Amazônia Legal, estamos diante de uma área que concentra mais da metade do território brasileiro, com muitas realidades desafiadoras, como queimadas, desmatamento, garimpo ilegal, violação à direitos humanos. Reconhecer a realidade é muito importante para que os negócios na região possam de fato contribuir para a superação de problemas socioambientais. Por isso, acho importante evidenciar que há portes e perfis bastante distintos de negócios na Amazônia. Conheço iniciativas na área de inovação e tecnologia que desenvolvem soluções para problemas sistêmicos de logística na região que outras empresas, e até mesmo o poder público, não chegaram a se dedicar. Isso é relevante pelo valor identitário e cultural desses negócios, mas há efeitos ainda mais práticos do reconhecimento dessas peculiaridades, como é o caso de atração de investimentos e de consumidores que sejam mais aderentes com a proposta daquele negócio.

Outro desafio ainda existente é com relação à celebração de contratos justos. Por vezes, os contratos privados celebrados entre comunidades locais da Amazônia Legal (como extrativistas, quilombolas e indígenas) e empresas ou investidores corporativos são complexos, de difícil compreensão e com regras desproporcionais. 

Há oportunidade de aperfeiçoar isso a partir de metodologias que possam apoiar na celebração de contratos justos entre essas partes, já que há um contexto crescente de interesse em iniciativas ligadas à economia verde e à biodiversidade. Além disso, comunidades têm desenvolvido negócios sustentáveis com potencial de crescimento e, cada vez mais, querem a proteção dos ativos e das pessoas com que trabalham. Estamos justamente desenvolvendo um projeto para apoiar na criação de uma metodologia para a celebração de contratos justos.

Os desafios regulatórios são muitos. É preciso destravar a agenda da bioeconomia, conforme importantes estudos já apontaram, em especial sobre o Sistema Nacional de Acesso ao Patrimônio Genético e ao Conhecimento Tradicional e a repartição de benefícios. Por fim, um desafio que não é exclusivo da Amazônia, tão comum em diversas localidades do nosso país, se deve à precária infraestrutura de acesso físico e virtual que, infelizmente, ainda se apresenta como uma barreira para o desenvolvimento de tantos negócios na região.

Como avalia a parceria com a AMAZ?

É uma grande honra e satisfação ser o escritório de advocacia responsável por assessorar a AMAZ e os negócios acelerados. Trata-se de um processo de mútuo aprendizado. Cada vez mais o escritório tem buscado atuar com linguagem simples e formas não convencionais para fazer com que as questões jurídicas sejam mais acessíveis aos diferentes públicos. Além disso, esse vínculo nos estimula a produzir arranjos jurídicos inovadores, já que estamos diante de iniciativas multissetoriais que estão na vanguarda dos investimentos sustentáveis. Além da AMAZ, o escritório é parceiro institucional do Prêmio Folha Empreendedor Social, realizado pela Folha de São Paulo e a Fundação Schwab, desde 2011. É signatário de diversas causas de interesse público, como o Pacto pela Democracia e a Coalizão pelos Fundos Filantrópicos.

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Amazônia em Casa Floresta em pé abre chamada para negócios da sociobiodiversidade

Criado em junho de 2020, o movimento Amazônia em Casa, Floresta em Pé abre 2022 como uma chamada de negócios direcionada ao apoio de 20 negócios e organizações de base comunitária que atuam com produtos da sociobiodiversidade amazônica. A iniciativa, coordenada pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), pela AMAZ Aceleradora de Impacto e pela Climate Ventures, tem como objetivo otimizar a logística e ampliar a visibilidade de mercado desses empreendimentos. As inscrições vão de 14 de março a 1º de abril, por meio do link amazoniaemcasa.org.br/chamada. 

Serão selecionados negócios de impacto que comercializam produtos amazônicos e tenham compromisso com a manutenção da floresta em pé. O passo seguinte é a participação em um programa de capacitação e impulsionamento com foco em logística e comercialização. 

Para Guilherme Faleiros, analista de seleção e aceleração da AMAZ e Idesam, essa primeira chamada de negócios foi motivada pela necessidade de acesso a mercados apresentada por pequenos empreendimentos que atuam na Amazônia e que enfrentam desafios em comum de comercialização e logística de seus produtos para o principal polo comercial do Brasil, a região Sudeste. 

“Juntos, nós iremos fortalecer nosso coletivo de marcas amazônicas e a nossa comunidade de aprendizagem. Serão trocas que desenvolvem soluções inovadoras e estratégias comerciais para levar os sabores e saberes tradicionais até a casa do consumidor brasileiro, conservando a floresta e gerando renda para populações locais”, exalta Guilherme. 

Podem se inscrever negócios de impacto que já possuem produto testado no mercado e atuação na Amazônia. A projeção é, em dois anos (isto é, dois ciclos de programa), apoiar 50 empreendimentos da sociobiodiversidade amazônica que contribuam para a conservação de 25 mil hectares de floresta e a geração de renda para mais de 1 mil famílias nas regiões de atuação. A expectativa é pela redução em 50% do custo logístico das operações dessas empresas e o aumento em 100% do faturamento das marcas envolvidas. 

Coordenado por Idesam,  AMAZ e Climate Ventures o movimento tem como parceiros estratégicos e financiadores Fundo Vale, GIZ, Mercado Livre e Instituto Humanize, além de contar com uma rede de parceiros formada por CLUA, Conexsus, Origens Brasil (Imaflora), Local.e, Instituto AUÁ e Costa Brasil.

Para mais informações ou esclarecimento de dúvidas, os interessados devem entrar em contato pelo e-mail amazoniaemcasa@prosas.com.br.   

Apoio regional 

Nos últimos dois anos, 15 negócios de impacto do Norte foram apoiados por meio de ações de campanhas de marketing com influenciadores digitais, em parceria com o Mercado Livre. Segundo Guilherme, o retorno foi positivo, com os negócios registrando aumento de vendas durante a ativação destas campanhas e podendo ampliá-las para Estados onde ainda não tinham clientes. 

CEO da Manioca, um dos empreendimentos apoiados pelo AMAZ, a empresária Joanna Martins aponta a aceleradora como essencial para o desenvolvimento da marca. “Foi uma ajuda que tornou nossa gestão mais madura e que ampliou os contatos da nossa rede por todo o Brasil. E isso seja pelo fortalecimento do olhar da bioeconomia na região e negócios de impacto ou pelo acesso a financiamento, crédito e orientação para uso dessas ferramentas. De modo geral, tudo o que a AMAZ nos trouxe foi fundamental para chegarmos ao estágio que estamos, com ótimos resultados e planos de crescimento, tanto de impacto quanto de retorno financeiro”, comenta.

>> Saiba mais sobre o movimento

https://amaz.org.br/2021/09/03/da-amazonia-para-voce-campanha-aproxima-empreendedores-amazonicos-de-consumidores-de-todo-o-brasil/

https://amaz.org.br/2021/04/05/amazonia-em-casa-floresta-em-pe-se-prepara-para-nova-fase/ 

https://amaz.org.br/2021/02/26/campanha-movimentou-vendas-online-para-negocios-amazonicos-no-fim-do-ano-de-2020/

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Entrevista: Denis Minev

Foto: Rodrigo Duarte/AMAZ

Quando o assunto é Amazônia, Denis Minev, CEO da Bemol e um dos investidores e fundadores da AMAZ aceleradora de impacto, é um interlocutor com experiências variadas e que compreende o papel dos diferentes players para impulsionar o ecossistema de impacto na região.

Minev foi Secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico do Estado do Amazonas, ocasião em que ajudou a desenhar instituições como a Fundação Amazonas Sustentável (FAS) – da qual é Conselheiro – e o Museu da Amazônia (Musa). 

É também um investidor anjo que toma riscos ao selecionar parte de seu portfólio de investimento por entender que isso é parte da busca de soluções de impacto positivo para a economia da região. 

Embora reconheça que o ecossistema de impacto é ainda incipiente, Minev vê em iniciativas como a AMAZ um catalisador de negócios que podem impressionar pelo exemplo e pelo impacto positivo gerado e, assim, atrair olhares e investidores que percebam como essa nova economia pode gerar boas oportunidades. 

Nessa entrevista concedida à AMAZ, Minev destaca a importância de aproveitar a onda de atenções voltadas à floresta para alavancar um desenvolvimento mais virtuoso, que olhe para a conservação da Amazônia, mas que também traga prosperidade às suas populações. 

“Tivemos três ondas de atenção à Amazônia. Perdemos as duas primeiras, que envolveram Chico Mendes e Marina Silva. Houve queda de desmatamento, mas não aconteceu uma proporcional melhoria das condições de vida.  Nosso papel é tentar aproveitar essa terceira onda, essa mobilização global que olha para a região com interesse, e tentar traduzir isso para o que seria uma visão de prosperidade na Amazônia.”

Como você avalia o ecossistema de impacto na região amazônica?

Denis Minev (DM) Tenho ainda a sensação de que ele é incipiente, o que me incomoda. E isso não é uma crítica aos empreendedores. Meu sonho é que o próximo Guilherme Leal (Natura) seja amazônico. Não estamos nesse ponto ainda, de ter essa qualificação entre os amazônidas. Então importamos. Uma coisa que eu esperaria dessa nova geração de negócios que estão sendo acelerados pela AMAZ é que plantassem essa semente um pouco mais profunda entre os ribeirinhos, com as comunidades com as quais têm contato, de modo a inspirar esse movimento.

O Idesam e a PPA (Plataforma Parceiros pela Amazônia) têm trabalhado nessa frente, e eu tenho trabalhado com o Idesam há alguns anos. É extraordinário o avanço. Mas é um avanço de uma base pequena, que ainda tem muito espaço para se desenvolver. Nós não temos, por exemplo, o empreendedor ribeirinho. Meu sonho é ter esse empreendedor, que saia lá da comunidade dele e consiga adquirir ao mesmo a educação suficiente e a visão de negócio, talvez influenciado por algumas dessas startups com as quais ele pode vir a ter algum contato.

O que é preciso para esse ecossistema se desenvolver mais rapidamente?

DM Acho que não dá para ser muito rápido, porque precisamos de exemplos. E não existe nada melhor de exemplo do que uma startup que dá certo. Então é preciso esperar elas darem certo para servirem de exemplo, para demonstrarmos que negócios sustentáveis de impacto na Amazônia são um bom negócio. Enquanto a gente não tem esses exemplos numa escala razoável, acho difícil acelerar muito. Tem gente que pensa em investir, mas não investe porque não está vendo a coisa acontecer. Para mim, a AMAZ é a tentativa do exemplo, é a gente apontar e mostrar que isso aqui dá certo.

E podemos fazer um pouco mais. Nas Chamadas de Negócio da AMAZ, vamos estimulando as pessoas a pensarem e a refletirem sobre como empreender. A AMAZ vai ser realmente impactante quando pegar pelo menos duas ou três dessas startups e elas tiverem um volume de sucesso razoável. Aí muda-se o jogo.

A Amazônia hoje está no centro das atenções. Como aproveitar esse momento para potencializar o desenvolvimento de novos negócios que gerem impactos positivos?

DM Hoje todo mundo só fala de Amazônia, é intenso esse movimento. Só que a pressão internacional não é pelo desenvolvimento da Amazônia, mas para proteger a floresta. Temos que buscar formas que estanquem o desmatamento e consigam melhorar a qualidade de vida das pessoas. E estamos aqui na AMAZ para equilibrar isso. Somos pequenos, mas se cada uma dessas empresas se multiplicar por 10, vamos ampliar o impacto. 

Quando eu estava no governo do Amazonas, estava sendo criado o Fundo Amazônia. Minha sugestão para eles era criar um fundo de venture capital, ou que enviassem os melhores profissionais para cá, para desenvolvermos negócios e empreendedores. Mas eles acabaram fazendo um fundo filantrópico para conservar a floresta.

Você pode defender a floresta contra o desmatamento, mas é preciso atacar o desmatamento oferecendo alternativas. Isso é algo geracional, vamos levar pelo menos 20 anos para mudar essa chave. Essa onda de atenções para a Amazônia está ainda no começo, espero que seja longa e duradoura. 

Na Concertação Amazônica, o que a gente quer é propor como podemos rematar a Amazônia nos tornando prósperos. Negócios como Inocas, BRCarbon e Floresta S/A, por exemplo, podem se tornar cases grandes, e se isso funcionar fortalecemos essa onda. 

A AMAZ também serve como uma espécie de carimbo e abre portas para os investidores certos, que têm esses valores.

Você tem dito que estamos na terceira onda de oportunidades para mudarmos a chave de desenvolvimento da Amazônia, e que perdemos as duas primeiras…

DM Já houve ondas de atenção à Amazônia, estamos na terceira delas. A minha visão é que desperdiçamos as duas anteriores, que vieram com Chico Mendes e Marina Silva. Houve queda de desmatamento, mas não aconteceu uma proporcional melhoria das condições de vida, e aí se desperdiçam os ganhos. Acho que nosso papel é tentar aproveitar essa onda, essa mobilização global, que olha para a Amazônia com interesse, mas com um grau também de desconhecimento, e traduzir isso para o que seria uma visão de prosperidade com sustentabilidade na região. 

Isso não pode vir de fora. Alguém de fora não vai conseguir imaginar o que quer dizer prosperidade na Amazônia. Olhar para um ribeirinho que hoje tem baixa educação, baixa expectativa de vida, e pensar nessa equação em como mudar a vida dele para que não precise mais de auxílio e consiga prosperar. Isso tem que vir da gente. E acho que essa construção é o que eu espero dessa onda de atenções internacionais. Que consigamos receber recursos e atenção e traduzir isso em prosperidade. 

Os negócios de impacto são os melhores para aproveitarmos essa terceira onda. São também importantes para transformar a região e inspirar outras iniciativas. 


O que seria a prosperidade amazônica?

DM Temos 25 milhões de pessoas na Amazônia brasileira. Temos ainda as outras Amazônias, vizinhas. Não é possível criar um cercado ao redor da floresta e tentar isolar essas 25 milhões de pessoas. É preciso encontrar uma solução, que vou chamar de prosperidade. Você espera que o seu filho tenha uma vida melhor que a sua e que o seu neto tenha uma melhor do que o seu filho. Não é nenhuma solução específica, mas é um princípio que deve reger também o tema ambiental. 

Meu avô, Samuel Benchimol, que era um estudioso da região e costumava escrever muito sobre o tema, sempre disse que a Amazônia precisa ser tratada em quatro bases – economicamente viável, socialmente justa, politicamente equilibrada e ambientalmente adequada. Qualquer solução para a região teria que passar por essas quatro bases. E ele escreveu isso nos anos 1980, mas continua aplicável em 2020, e infelizmente isso ainda segue ignorado por grande parte das pessoas que interagem com a região. 


>> Leia a entrevista com Antonio Ribeiro (Move Social) e Lucas Harada (Sense-Lab)

AMAZ@3 (1)

Amaz promove primeira oficina presencial com negócios selecionados em 2021

Foto: Rodrigo Duarte/AMAZ

Todos os participantes estavam vacinados e devidamente testados contra a covid-19

Entre os dias 8 e 10 de março, empreendedoras e empreendedores dos seis negócios selecionados pela AMAZ em 2021 – BRCarbon, Floresta S/A, Inocas, Mahta, SoulBrasil Cuisine e Vivalá – participaram da primeira oficina presencial da jornada de aceleração, que aconteceu em Manaus, às margens do Rio Negro.

O encontro, facilitado pelo Sense-Lab, abordou OKRs (objetivos e resultados-chave), gestão de impacto socioambiental e estrutura e governança. 

As conexões marcaram os três dias. Artur Coimbra e Joanna Martins, fundadores de dois negócios do portfólio da AMAZ – Na’kau/Na Floresta e Manioca – relataram experiências, desafios e oportunidades de empreender na Amazônia e participaram de rodas de conversa com o grupo. 

Marcus Biazatti, do Idesam, conversou com os empreendedores e empreendedoras sobre a marca coletiva Inatú, que comercializa óleos essenciais produzidos por comunidades amazônicas e também trabalha com manejo sustentável de madeira. 

Foram apresentados resultados, impacto positivo gerado, metodologias de monitoramento, as nuances do relacionamento com comunidades e cadeias produtivas, empreendedorismo florestal, gestão de negócios e mercados.

Conectar empreendedores e empreendedoras com outros negócios de impacto já em atuação na Amazônia é uma das ofertas da jornada de aceleração, proporcionando trocas que podem encurtar a solução de problemas a partir de experiências similares anteriores. Além disso, as conexões têm potencial para gerar parcerias entre eles, seja no compartilhamento de experiências ou em estratégias de mercado. 

Investidores presentes

Foto: Rodrigo Duarte/AMAZ

Outra conexão proporcionada durante o encontro envolveu alguns investidores da AMAZ com atuação na Amazônia. 

Em uma roda de conversa com os negócios, Denis Minev, Ilana Minev, Marcelo Forma, Mariana Barella e Matheus Faria participaram de um diálogo franco e aberto, abordando temas como atual estágio do ecossistema de negócios de impacto na Amazônia, a importância de oferecer alternativas ao desmatamento que integrem as populações da região, a necessidade de se investir em pesquisa e desenvolvimento para alavancar uma nova economia na região e de envolver a academia.

O grupo destacou ainda a importância de perceber que há diferentes Amazônias, que requerem diferentes soluções, e por isso não há um caminho que vá ser comum a todos. A importância das novas gerações no desenho de uma nova economia amazônica e também de encontrar os investidores ‘certos’ para alavancar os negócios de impacto. 

Outro ponto abordado diz respeito ao perfil dos investidores e o que eles esperam das startups.

Para Daniel Cabrera, da Vivalá, os pontos altos da oficina foram o aprofundamento no alinhamento estratégico e avançar naquilo que foi construído no encontro de pré-aceleração, em novembro de 2021, além da revisão dos indicadores de impacto. Ele destaca também a conexão com investidores e negócios amazônicos: 

“A integração junto com os investidores da AMAZ, que são pessoas, essas que a gente conheceu, majoritariamente do norte, foi muito importante para que a gente se aproxime de atores relevantes da região, pessoas que estão diretamente no setor privado, gerando impacto. Além da integração com todos os outros empreendedores, que mesmo atuando em mercados muito diferentes contribuem de uma maneira muito rica com suas visões, suas experiências, e essa troca é extremamente relevante.”

“O ponto alto é justamente o encontro, o convívio entre esse grupo. E especificamente duas coisas para mim são muito valiosas. Uma foi o encontro com os investidores da região, e a outra coisa é o trabalho com o modelo de impacto, que acho que precisamos ainda aprofundar mais,” avalia Maximiliano Petrucci, da Mahta.

Para Letícia Feddersen, da SoulBrasil Cuisine, as conexões e vivências com os outros participantes da aceleração têm sido ricas e trazido bastante aprendizado, em especial nas questões de gestão e de pensar o impacto que pode ser gerado. Ela destaca também a conexão com outros negócios que atuam na Amazônia e com os investidores:

“Com o encontro com os investidores e outros negócios da região me senti como se estivesse passando por um “MBA” na cultura, na vivência e sobre os negócios da Amazônia. A conexão com outros negócios da região é muito rica, e vai além da aceleração, gerando trocas, sinergias até de possíveis parcerias comerciais”

>> Leia entrevista com Denis Minev

>> Conheça os seis negócios que participam dessa jornada de aceleração