Da Tribu

Manioca, Peabiru e Da Tribu participam do Fórum Mundial de Bioeconomia, e Chocolates De Mendes ganha prêmio de startup do ano

Foto: acervo Da Tribu

Em outubro, a cidade de Belém, capital do Pará, sediou o Fórum Mundial de Bioeconomia, que pela primeira vez foi realizado fora da Europa. 

A agenda do evento foi definida em quatro eixos temáticos: bioeconomia, líderes globais e o mundo financeiro, bioprodutos ao nosso redor e um olhar para o futuro. 

Lideranças, especialistas e executivos de grandes empresas, do Brasil e do exterior, estiveram presentes, envolvidos no debate sobre caminhos para o desenvolvimento da bioeconomia. 

Participaram do evento três negócios já acelerados e integrantes portfólio da AMAZ: Manioca, Peabiru Produtos da Floresta e Da Tribu – que integrou um painel do Fórum de Negócios da Sociobiodiversidade da Amazônia, promovido pelo Ateliê de Negócios Transformadores da Amazônia (ATENTA) com o governo do Pará e apoio do Impacta Mais. 

O evento, que integrou a programação do Fórum Mundial da Biodiversidade, promoveu seis painéis de discussão, contemplando as cadeias do açaí, cacau, oleaginosas, design, artesanato, biocosméticos, fármacos, gastronomia e moda.

“O Fórum tem a importância de nos possibilitar discutir e olhar especificamente para essa bioeconomia que é feita na Amazônia. Que é diferente. Estamos em um país de vários abismos sociais, e a bioeconomia olha para o desenvolvimento socioambiental, não só para o meio ambiente”, avalia Tainah Fagundes, diretora criativa da Da Tribu. 

Durante o Fórum, foi realizada também uma feira reunindo negócios e iniciativas da bioeconomia, na qual a Da Tribu participou com um estande com acessórios de moda e biomateriais. “A feira realizada foi um sucesso, trouxe reconhecimento local, nacional e internacional, boas vendas, admiração à qualidade do nosso produto e do nosso fazer. Tivemos boas vendas no varejo e articulações para venda de biomateriais.”

A diretora criativa da Da Tribu destaca ainda a expectativa de reverberações a partir do Fórum, como o espaço de diálogo com o governo estadual e os contatos realizados durante o evento. 

Foto: acervo Manioca

Conhecendo novos negócios e expectativas de mais investimento

A Manioca participou da feira com estande próprio, apresentando seus produtos da gastronomia amazônica, e destaca a oportunidade de conhecer novos negócios da bioeconomia. 

“Participar da feira foi muito bom porque nos colocou do lado de empreendimentos que ainda não conhecíamos, de outras regiões do Pará ou da Amazônia. Novas organizações e novos produtos que também nos inspiram e que de alguma maneira nos ajudam a fazer o nosso trabalho, porque aumenta o coro, a quantidade de pessoas e empresas que estão falando sobre o mesmo tema e ajudam o consumidor e o público em geral a perceberem a bioeconomia”, avalia Paulo Reis, sócio-diretor da Manioca. 

A participação marcou também o retorno da Manioca às feiras presenciais, praticamente suspensas desde o início da pandemia. 

Outro ponto positivo destacado por Paulo em relação ao Fórum foi o posicionamento de que o estado do Pará está assumindo a bioeconomia como proposta de desenvolvimento da região. 

“Foi muito bom ter recebido o Fórum em nossa cidade. Belém e Manaus são símbolos da bioeconomia, porque são as cidades centrais da Amazônia. Então é muito bom que tenhamos trazido essa discussão para perto da gente. Ficamos com a expectativa de que o tema vai começar a ferver mais, de que o estado vai começar a olhar mais para esse tema, com possibilidade maior de apoios. De repente vamos ter mais feiras, fóruns, discussões, e atraindo mais atenção para isso naturalmente o nosso próprio trabalho vai atrair também mais olhares.”

Foto: Acervo Peabiru Produtos da Floresta

Mariana Faro, coordenadora de comunicação da Peabiru Produtos da Floresta, destaca a participação na feira do Fórum como significativa para a empresa e seu propósito de conectar a produção de povos e comunidades tradicionais da Amazônia com consumidores que buscam apoiar a conservação da floresta e ter em casa produtos de alta qualidade. “Em três dias intensos, encontramos parceiros, fizemos conexões e apresentamos para novos públicos os produtos e processos que tornam possíveis as cadeias de valor baseadas na sociobiodiversidade. A realização do evento em Belém, sendo esta a primeira vez fora da Europa, nos traz a oportunidade de, através dos produtos e suas histórias, dialogar sobre a centralidade da Amazônia e dos modos de saber e fazer das populações locais para o tema da bioeconomia.”

De Mendes é reconhecida como startup do ano pelo Fórum Mundial de Bioeconomia

A empresa Chocolates De Mendes venceu o prêmio “Startup do Ano” no Fórum Mundial de Bioeconomia. O Comitê Consultivo do evento levou em consideração o impacto da companhia para a bioeconomia circular e para as mudanças climáticas.

A Chocolates De Mendes atua com populações tradicionais da Amazônia, em sintonia com seus valores. Elas são parceiras e fornecedoras das amêndoas de cacau e cupuaçu nativos, utilizadas na fabricação de chocolates e cupulates. 

“É essa riqueza de cultura, de conhecimento ancestral e de história que as nossas barras carregam e querem contar. A De Mendes tem um anseio e um sentimento de urgência para contribuir com a qualidade de vida das pessoas, a preservação da cultura e a identidade dos povos que vivem na Amazônia, assim como para manter a floresta em pé, crucial para o equilíbrio climático do nosso planeta”, afirma o chocolatier César De Mendes.

Viavla - Divulgacao

Amaz divulga negócios selecionados para pré-aceleração no mês de novembro

De 8 a 11 de novembro, empreendedores de 12 negócios selecionados pela AMAZ aceleradora de impacto para participarem do processo de pré-aceleração estarão juntos em Presidente Figueiredo, no interior do Amazonas, em uma jornada de imersão para desenvolver seus planos de negócios e tese de impacto socioambiental na Amazônia.  A pré-aceleração prossegue ao longo de todo o mês de novembro, virtualmente, com acesso a assessorias, mentorias e apoio técnico da equipe da AMAZ e do Idesam (Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia).

O desempenho dos negócios nesse período definirá os seis que serão acelerados e receberão investimento de R$ 200 mil em 2022. 

O objetivo é ajudar os empreendedores a compreender e maximizar a capacidade de crescimento dos negócios em termos financeiros, técnicos, operacionais e, especialmente,  de impacto socioambiental positivo.

“A pré-aceleração é a etapa final do processo de seleção. Apenas metade dos negócios receberão investimento e ingressarão no portfólio  da AMAZ em 2021, mas todos os 12 que chegaram até aqui já são vencedores  receberão  nosso apoio durante 1 mês da fase de pré-aceleração, o que os qualifica para buscar novos apoios ou ingressar no portfólio em 2022” define Mariano Cenamo, diretor de novos negócios do Idesam e CEO da AMAZ. 

Os 12 negócios finalistas  atuam com soluções inovadoras para o desenvolvimento de produtos e serviços em cadeias de valor estratégicas para a conservação da Amazônia tais como a restauração e produção florestal, comercialização de produtos da sociobiodiversidade, serviços ambientais e mercado de carbono, alimentação, produtos florestais madeireiros e não madeireiros, sistemas agroflorestais, cosméticos e turismo de base comunitária.

Estão localizados nos estados do Pará, Roraima, Acre, São Paulo e Minas Gerais, com atuação na região norte. A Chamada 2021 possibilitou a inscrição de negócios cuja atuação se dá na Amazônia Legal, mas que poderiam também estar baseados em outras regiões do país.

A seleção da AMAZ teve o olhar focado em negócios em estágio inicial (“early stage”) que tenham já validado seu produto ou serviço no mercado e de preferência já estejam faturando mais de R$ 500 mil por ano.  A maioria dos negócios está em fase de tração, pré-escala e escala. Alguns empreendimentos em estágios anteriores foram selecionados pela apresentação de soluções inovadoras e com potencial de ganhar escala pós-aceleração.

“Ficamos muito impressionados com a qualidade dos negócios e a escala de impacto que podemos alcançar com  eles. Acreditamos fortemente que a construção de uma nova economia depende da atração e  desenvolvimento de bons empreendedores e negócios inovadores na região”, avalia Cenamo.

Os empreendimentos selecionados para aceleração e investimento em 2022 serão anunciados em dezembro.

A AMAZ aceleradora de impacto é coordenada pelo Idesam (Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia), e conta com um fundo de financiamento híbrido (“blended finance”) de R$ 25 milhões para investimento em negócios de impacto nos próximos cinco anos, o primeiro voltado exclusivamente para a região.  

Tem como fundadores Fundo Vale, Instituto humanize, ICS (Instituto Clima e Sociedade), Good Energies Foundation e Fundo JBS pela Amazônia. Tem como parceiros estratégicos a PPA (Plataforma Parceiros pela Amazônia) e a GIZ (Agência Alemã de Cooperação), e conta também com uma ampla rede de parceiros como Move.Social, Sense-Lab, Mercado Livre, ICE, Costa Brasil, Climate Ventures e investidores privados. 

Conheça os negócios que participarão da pré-aceleração:

Amazônia Hub = E-commerce de produtos oriundos da sociobiodiversidade da Amazônia. Nasceu com a proposta de trabalhar com todos os elos da cadeia necessários para as marcas amazônicas conseguirem acessar o mercado consumidor, mas optou por enxugar a estratégia e trabalhar com parceiros especializados em cada área, focando nas vendas do e-commerce, marketing digital e promoção dos produtos. Tem atuação nos estados do AC, AM e PA.

Aromas da Amazônia = Iniciada como projeto da empresa Agrotec Consultoria – que atua há oito anos na região Transamazônica-Xingu nas áreas de Assistência Técnica e Extensão Rural. Tem como principal objetivo atender as demandas e serviços no segmento do agronegócio, com foco nas tecnologias de baixo carbono. Tem atuação no estado do PA. 

BrCarbon = Climate Tech Brasileira criada para fomentar ações de conservação florestal e restauração ecológica. Trabalha com fluxos financeiros oriundos do mercado de carbono para promoção de soluções climáticas naturais. Atua com estratégias inovadoras e através da adoção de tecnologias de ponta para acelerar, multiplicar e consolidar projetos de carbono no Brasil. Tem atuação nos estados de AC, AP, AM, MT, PA, RO, RR, TO e MA.

Bravo Açaí = Marca de alimentos saudáveis e superfoods. Além de sonhar com um mercado com produtos mais saudáveis, busca também mudar seu modelo de negócio: quer impactar comunidades diretamente, deixando de comprar de atravessadores do Marajó, comprando e apoiando o desenvolvimento econômico dos produtores de açaí na região, e investindo em certificação e no aprimoramento dos processos. Atua em parceria com a Bio-Assets (projeto REDD+) na região. Tem atuação nos estados do AP e PA.

Coopercintra = A Cooperativa dos Produtores de Agricultura Familiar e

Economia Solidária de Nova Cintra foi criada com o objetivo de atuar na exploração e comercialização produtos florestais não madeireiros (como muru-muru, por exemplo, que é carro-chefe hoje), já trabalhados pela associação local. Tem atuação no estado do AC.

Floresta S.A. = Modelos regenerativos em escala, com um portfólio de 10 culturas agrícolas e madeireiras. Além de produtos da bioeconomia, traz ao mercado financeiro oportunidade de investimento direto em agrofloresta na Amazônia, com rentabilidade alvo de 17% ao ano. Tem atuação no estado de RR.

Inocas = Tem como objetivo gerar uma alternativa ao óleo de soja e palma, alavancando a cadeia produtiva da macaúba como fonte de óleos vegetais sustentáveis. O piloto da companhia está localizado na região do bioma cerrado no Alto Paranaíba, em MG, e terá implementado, até o final de 2021, o plantio de 2.000 hectares de macaúba em sistema agrossilvipastoril em parceria com agricultores familiares. A empresa já está em fase de pré-operações de sua primeira expansão, localizada na região do Vale do Paraíba, SP, e pretende iniciar também em 2021 a expansão para a Amazônia Legal, com o plantio de 3.000 hectares. 

Kawa = Oferece aos seus clientes uma linha de fitocosméticos naturais restauradores, tanto de quem usa quanto dos ambientes de onde provêm os insumos. Entre seus fornecedores estão os povos Ashaninka e Huni Kuin no Acre e Guarani em São Paulo. Tem atuação no estado do AC.

Mahta = Foodtech que atua na área de suplementos alimentares produzidos com ingredientes predominantemente provenientes de comunidades amazônicas. Objetiva gerar inovação e valor, além de reduzir os impactos ambientais negativos, por meio de cadeias produtivas com a participação de comunidades locais, modelo que pode ser replicado para uma mudança sistêmica na indústria alimentícia. Simultaneamente, entregará valor nutricional diferenciado aos consumidores, impulsionando a conservação e regeneração da Amazônia. Pretende atuar  nos estados de AC, AM, MT, PA, RO e RR.

Pacajá Móveis = Produção de móveis e objetos de decoração a partir de resíduos de manejo florestal. O negócio está vinculado à Fazenda ABC Norte (Fazenda Pacajá) e busca o aproveitamento de resíduos e fomento ao programa de responsabilidade socioambiental da empresa. A principal atividade da fazenda é o manejo florestal sustentável certificado (PEFC/CERFLOR) para produção de madeira. O sonho é expandir o projeto da movelaria para outras comunidades do entorno, agregando-os na produção dos móveis e, assim, garantindo alternativas de renda sustentável para estas famílias. Tem atuação no estado do PA.

Soul Brasil Cuisine = Tem como missão apresentar produtos com ingredientes da biodiversidade brasileira – especialmente a amazônica – sustentáveis, orgânicos, veganos e livres de substâncias artificiais para o Brasil e o mundo. Está no mercado há quase três anos, presente principalmente em empórios e supermercados do eixo Rio e São Paulo, além de exportar para Estados Unidos e Europa. Os produtos têm certificação orgânica. Tem atuação nos estados de AM, PA e AC.

Vivalá = Realiza expedições em Unidades de Conservação brasileiras por meio

do turismo de base comunitária. Busca atuar no desenvolvimento socioambiental do país de modo inovador, unindo em expedições vivências com comunidades, natureza e voluntariado. Tem atuação nos estados de AM, PA, MA e GO.

Foto: acervo Vivalá

WhatsApp Image 2021-09-03 at 08.43.28

Tucum completa oito anos

A Tucum Brasil completou oito anos de atuação em agosto com o propósito de tecer redes fortes e resistentes entre os povos indígenas e a sociedade brasileira.

“São mais 300 povos que re-existem, há 521 anos, com seus saberes e tradições ancestrais cuidando da nossa morada e prestando serviços ambientais imensuráveis. A cada nova encomenda que recebemos, somos invadidos pela força que essas artes carregam. É essa força que nos inspira e motiva a seguir na resistência”, avalia Amanda Santana, sócia e diretora criativa da Tucum.

Membro da Origens Brasil® – rede que atua pela conservação da Amazônia, formada por povos indígenas, populações tradicionais, instituições de apoio e diversas outras empresas engajadas na geração de valor da floresta em pé e para os povos que vivem nela -, a Tucum se destaca pela relação direta, ética e transparente com os povos dos territórios do Rio Negro, Xingu e Solimões.

A empresa informa que contribuiu, em 2020, com a manutenção de 15.245.824 hectares de floresta em pé na Amazônia. E atuou também em sete áreas protegidas, contribuindo com a conservação de 14.077.541 hectares de floresta.

“Agradecemos a cada artista indígena que nos deu a honra de expor suas obras na nossa plataforma marketplace, e a todos que nos fazem companhia na valorização das artes indígenas do Brasil. Mais do que comercializar produtos, queremos conectar as pessoas com a rica diversidade de narrativas, tornando-as também aliadas da luta e re-existência indígena,” diz Amanda.

A Tucum participa também do Trillion Trees: Amazon Bioeconomy Challenge, desafio que busca projetos e soluções inovadoras de bioeconomia que contribuam para a conservação, preservação ou restauração da biodiversidade e das funções do ecossistema da floresta, sejam localmente ancorados e inclusivos e tragam benefícios sociais e econômicos para as comunidades locais.O desafio é promovido pelo Fórum Econômico Mundial buscando acelerar soluções baseadas na natureza em apoio à Década das Nações Unidas para a Restauração de Ecossistemas (2021-2030).

Foto: Lian Gaia veste biojoia do povo Apiaká. (@helenapcooper/divulgação Tucum)

Julia Danesi - Da Amazonia para Você b

Da Amazônia para você: campanha aproxima empreendedores amazônicos de consumidores de todo o Brasil

No mês da Amazônia, o Mercado Livre e o movimento Amazônia em Casa Floresta em Pé (do qual fazem parte a AMAZ e alguns dos negócios do portfólio e/ou já acelerados) lançam a campanha Da Amazônia para você.

O objetivo é aproximar os empreendedores amazônicos dos consumidores de todo Brasil, facilitando a compra online de produtos que contribuem para a geração de renda e para a conservação da biodiversidade brasileira.

Realizada de 03 a 12 de setembro, a iniciativa agrega mais de 30 empreendimentos que, juntos, oferecem mais de 300 produtos de gastronomia, moda e artesanato.

Com o mote ‘Da Amazônia para Você’, a campanha é um convite para os consumidores conhecerem produtos que contribuem para manter a floresta em pé, e conta com o apoio de diversas organizações que atuam com a sociobiodiversidade, como AMAZ, Idesam, Climate Ventures, Plataforma Parceiros pela Amazônia, Conexsus, Instituto Auá, Central do Cerrado e Centro de Empreendedorismo da Amazônia.

 “Com o crescimento do comércio eletrônico, nunca a inclusão digital foi tão necessária e importante para garantir a geração de renda dos empreendedores. A partir do nosso poder de mobilização e conexão entre as pessoas, queremos ampliar ainda mais o acesso aos produtos da sociobiodiversidade brasileira”, destaca Laura Motta, gerente de Sustentabilidade do Mercado Livre.

No primeiro ano da campanha, em 2020, empreendimentos como a Manioca, que comercializa alimentos únicos da região amazônica, viram suas vendas mais do que dobrarem. 

“Se considerarmos que foi um ano de pandemia, é um resultado excelente. A parceria rendeu ótimos resultados para os empreendedores, o que mostra que o comércio eletrônico pode ser uma alternativa real para os desafios de comercialização e logística a partir da Amazônia”, explica Mariano Cenamo, CEO da AMAZ e diretor de Novos Negócios do Idesam.

As marcas participantes da campanha, que oferecem sabores e saberes únicos da maior floresta tropical do planeta, comercializam produtos variados como molho de tucupi, farinha de cará roxo, compota de jambu e de vitória régia, semente de Puxuri, além de artigos de moda sustentável e artesanato indígena.

“Ao incluir cada vez mais empreendimentos na nova economia, ajudamos a gerar renda para que as comunidades consigam sobreviver e se desenvolver a partir de outras atividades que não geram o desmatamento. Ao valorizar o trabalho e as culturas locais, ajudamos a manter a floresta em pé, rompendo um padrão predatório que era impulsionado também pela distância em relação ao consumidor do restante do país”, diz Floriana Breyer, da Climate Ventures, coordenadora do Lab Amazônia, que integra o movimento. “Os consumidores, de qualquer região, ganharam um papel fundamental neste arranjo, pois têm o poder de pautar o mercado, reorientar os caminhos rumo a uma bioeconomia e ajudar a manter a floresta em pé por meio do consumo dos seus produtos.”

Foto: Julia Danesi

Foto: Maringas Maciel/ divulgação Academia Amazônia Ensina

Academia Amazônia Ensina lança o filme O Rio Negro são as pessoas

Em setembro, a Academia Amazônia Ensina dá a largada para a estruturação e implementação do projeto Empreendedorismo Jovem Ribeirinho, voltado à capacitação de jovens empreendedores na região do Rio Negro.

O lançamento do filme O Rio Negro são as pessoas, dirigido por João Tezza Neto e Juliana Barros, é o ponto de partida da ação. E acontecerá no próximo mês, em que se comemora o dia da Amazônia.

Realizado em 2019, o documentário busca desvendar o significado de ser e crescer às margens de um rio com a força do Rio Negro, envolto em densa floresta e cercado por elementos globais da atualidade – a necessidade de partir, o desejo de voltar, a escolha por ficar, a imensidão, o tempo do rio. Histórias locais que possibilitam elementos universais para a reflexão sobre a vida humana.  

A Academia Amazônia Ensina fará o lançamento em seu site, disponibilizando o acesso ao filme por meio do mecanismo ‘pague-o-quanto-acha-justo’.

A renda gerada com a exibição será convertida em ações junto a essas comunidades, buscando auxiliar no desenho e desenvolvimento das atividades comerciais já exercidas de modo mais ou menos informal, em formações voltadas ao empreendedorismo e até no desenvolvimento de novos negócios que possam gerar renda para os ribeirinhos e ribeirinhas.

O filme ficará disponível para acesso por duas semanas, de 19 a 26/09, período em que também serão realizados webinários abordando diversos aspectos da Amazônia (de 20 a 25/09).

“O filme deveria ter sido lançado antes, ou vendido para canais de comunicação, mas a pandemia mudou nossos planos e estamos felizes em poder contribuir de forma direta com as comunidades locais. Com essa iniciativa, vamos conectar pessoas no Brasil e exterior com as pessoas do Rio Negro”, avalia Maria Eugenia Tezza, coordenadora executiva da Academia Amazônia Ensina.

 Expectativa pós-pandemia

A Academia Amazônia Ensina, que trabalha com expedições de imersão à Amazônia para estudantes, empreendedores, investidores e outros públicos usando a ciência e o contato com a cultura e saberes amazônicos para descortinar esse exuberante ecossistema brasileiro, teve suas atividades interrompidas pela pandemia da covid-19.

A retomada das expedições está no radar tão logo as condições sanitárias permitam a viagem e visita às comunidades do Rio Negro com segurança. 

Do mesmo modo, o projeto Empreendedorismo Jovem Ribeirinho, que vai oferecer capacitação e orientação de jovens da região do entorno do Parque Nacional de Anavilhanas, estimular o protagonismo no empreendedorismo inovador sustentável, dar acesso a ferramentas e construção de planos de negócios, promover geração de renda e proporcionar oportunidades de trabalho na região.

 As comunidades ribeirinhas foram também duramente afetadas pela pandemia, e a capacitação proposta pela Academia Amazônia Ensina visa contribuir para melhorar a situação

“Com a pandemia, as condições sociais e econômicas das comunidades ribeirinhas pioraram gravemente. A proposta de gerar recursos para um projeto de desenvolvimento local por meio do filme foi uma ideia que nos deixou muito felizes e motivados. É fundamental o envolvimento de toda a sociedade para vencermos o desafio de conservar a Amazônia,” diz João Tezza, diretor da Academia Amazônia Ensina. 

Foto: Maringas Maciel/ divulgação Academia Amazônia Ensina

Foto Da Tribu 4 - João Urubu

Da Tribu promove capacitações junto à Comunidade de Pedra Branca

Durante o mês de julho, a Da Tribu promoveu o projeto Hevea Brasilienses, a árvore mãe e o protagonismo feminino da Pedra Branca, que promoveu duas formações na comunidade localizada na ilha de Cotijuba, na Amazônia Paraense.

Parceira da empresa no fornecimento de insumos para joias sustentáveis há quatro anos, a comunidade recebeu a capacitação de dez mulheres da ilha, em duas etapas: preservação do conhecimento amazônico vinculado ao fazer artesanal e valorização do protagonismo feminino (ministrada por Corina Magno); e formação política e organizacional do grupo produtivo – localizado em uma APA (Área de Proteção Ambiental) – por meio da abordagem de temas como organização social, articulação, força feminina, autonomia na floresta, educação ambiental e importância da reunião e segurança comunitária no contexto pós-covid 19 (ministrada por Sâmia Batista e Tereza Moreira).

Foram ofertadas aproximadamente 40 horas de formação, numa ciranda de afetos, aprendizado e partilhas viabilizada pela Lei Aldir Blanc de Emergência Cultural do Governo do Estado do Pará.

“A capacitação é parte do nosso compromisso. A cada ciclo de mudança na empresa, de crescimento, as capacitações são recorrentes. Percebemos a importância de trazer cada vez mais informação, envolvimento, mobilização e engajamento da comunidade inteira. E para todos os valores, principalmente na organização do grupo e sobre a importância das visões sociais e sustentáveis para o planeta. É nosso papel quando trabalhamos com desenvolvimento de cadeias sustentáveis produtivas. O edital da Lei Aldir Blanc, que é um fundo emergencial para cadeias produtivas na área da cultura, viabilizou esse investimento”, diz Tainah Fagundes, diretora criativa da Da Tribu.

Expectativas pós-pandemia

Antes da pandemia da covid 19, a comunidade produzia em média 3 mil metros de fios emborrachados por mês para a confecção de biojoias. Com a queda brusca nas vendas, a compra de material da comunidade passou a ser espaçada a cada três meses. 

Com o mercado voltando aos poucos a se aquecer, a Da Tribu direciona suas estratégias para ações B2B, remodelando o negócio com potencial de escala para o mercado de moda sustentável nacional e internacional.

O desenvolvimento do TEA (Tecido Emborrachado da Amazônia), novo insumo criado em outubro de 2020, viabilizado por edital de apoio a negócios acelerados pelo Programa de Aceleração da PPA e produzido a partir de maquinário próprio, possibilitou a mudança nas estratégias do negócio.

Além disso, a Da Tribu está montando um segundo maquinário, desta vez voltado para a produção do fio emborrachado, por meio de um financiamento com o Banco Pérola. A intenção é promover agilidade e mais qualidade ao trabalho, e ao mesmo tempo conseguir um preço mais competitivo para os produtos no mercado. Em breve, nova capacitação será oferecida à comunidade para o manuseio dessa máquina. 

Toda a confecção artesanal dos insumos é feita por mulheres da Comunidade de Pedra Branca, sob a liderança de Corina Magno, terceira geração da família seringueira desse território. O grupo participou de capacitação específica para a produção do TEA também em 2020.

“Nossa expectativa de direcionamento  para o B2B é grande. Estamos em negociação com várias marcas, prototipando coleções, testando material. O TEA, os fios, os biomateriais como um todo, são uma novidade, porque hoje a Da Tribu tem um biomaterial genuinamente brasileiro, com a força e o conhecimento amazônicos. Estamos olhando principalmente para o mercado europeu, que tem solicitado mostruários com frequência. Temos participado de feiras internacionais para prospecção de novos negócios. Apesar dos desafios do mercado, que está desaquecido, fechado, temos inovação. É o tempo de inovar, de reorganizar o negócio”, diz Tainah

O futuro é coletivo

O seringal da ilha de Cotijuba esteve inativo durante muito tempo, e a parceria com a Da Tribu trouxe um novo ciclo da borracha, agora envolvendo também as mulheres no processo de produção para a moda sustentável.

Durante os meses de junho e julho, a Da Tribu promoveu a exposição O Futuro é coletivo, projeto audiovisual que tece toda a história da comunidade Pedra Branca até o encontro da empresa com as famílias ribeirinhas. A jornada é contata por meio de fotografias, vídeos e textos, em ambiente 3D.Para quem não conseguiu conferir a exposição, a Mostra Sesc Lei Aldir Blanc Pará registrou uma visita guiada, que pode ser acessada aqui.

Fotos: João Urubu/divulgação Da Tribu

Foto: divulgação Manioca

Manioca participa da Sirha, grande feira francesa voltada ao segmento da gastronomia

Em setembro, o tucupi produzido pela Manioca será uma das grandes estrelas da Sirha 2021, tradicional feira francesa voltada aos negócios gastronômicos. Essa é a aposta da empresa para chegar ao mercado francês e posteriormente ao europeu.

A intenção é repetir a estratégia exitosa no Brasil, de trabalhar inicialmente com chefs, cozinheiros e restaurantes para introduzir produtos e sabores amazônicos aos paladares.

A Sirha acontece de 23 a 27 de setembro na cidade de Lyon, e a Manioca será representada pela Du Brésil Au Monde, empresa fundada por dois brasileiros na França, que trabalha com outros produtos como o açaí no mercado europeu.

 “Essa é a primeira feira da qual vamos participar na França depois que fechamos essa parceria de distribuição. Nossa expectativa é que seja uma introdução da Manioca no mercado francês. Participamos de outra feira lá, em 2018, presencialmente, e já sentimos que os produtos têm bastante potencial, especialmente nessa área de cozinha”, avalia Paulo Reis, sócio diretor da Manioca.

“Esse caminho de usar a cozinha, restaurantes, chefs e cozinheiros para  apresentar um produto deu muito certo aqui no Brasil. É muito mais fácil para esses profissionais apresentarem um ingrediente novo para o público, especialmente se precisa de alguma adaptação que agrade ao paladar desse público. Os cozinheiros fazem isso como ninguém”, conclui 

Manioca repete estratégia exitosa do Brasil

A Manioca aposta em apresentar o tucupi para os cozinheiros como um produto brasileiro, da biodiversidade, que gera impacto positivo para a Amazônia e tem um sabor sem igual.

Paulo diz que já ouviu de muitos chefs que o tucupi era a próxima fronteira do sabor, no sentido do que ainda faltava ser descoberto no mundo em termos de sabores incríveis.

“Uma coisa que impulsionou bem essa ida para a Europa, em termos de agilização e organização, foi a demanda de vários cozinheiros pelo produto. A Du Brésil Au Monde nos trouxe o pedido de uma cozinheira, e nós passamos para a empresa demandas de chefs localizados na Alemanha, Bélgica, Áustria, Inglaterra e na própria França que querem o produto, mas a Manioca não conseguia viabilizar a entrega. Agora vamos conseguir.”

A empresa também inscreveu o tucupi em um prêmio de inovação da Sirha. Selecionado na primeira etapa, agora o produto será apreciado por um júri, a partir de apresentação presencial, que será realizada pela Du Brésil Au Monde.

A Manioca já participou de uma edição da feira no Brasil, pois trata-se de um evento itinerante. Agora em Lyon, dividirá um estande com outras seis empresas (Alm Trading Company, Amazzon Gin, Bhars, Nutrilatino e Petruz Fruit), viabilizado em parte com o apoio da APEX-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). 

Foto: divulgação Manioca