Texto: Maxi Mídia Comunicação
Imagem: Divulgação/AMAZ
Em um cenário em que a IA deixa de ser uma tecnologia restrita às grandes empresas e passa a remodelar rotinas de trabalho, gestores e empreendedores de impacto – que atuam na área de alimentos, cosméticos, moda, artesanato e de logística na Amazônia participaram de um encontro promovido pela AMAZ, aceleradora de negócios de impacto coordenada pelo Idesam, em parceria com a Singulari Consultoria para discutir o uso estratégico da inteligência artificial na gestão dos negócios.
O encontro promoveu reflexões sobre inovação, cultura organizacional, segurança de dados e os desafios da transformação digital no contexto da Amazônia. Gabriela Souza, líder de Inovação do Idesam e gestora operacional da AMAZ destacou a importância de ampliar o debate sobre inteligência artificial entre os negócios apoiados pela aceleradora, considerando os diferentes níveis de familiaridade com as ferramentas.
“A IA já vem sendo utilizada de formas diferentes dentro da Amaz e também pelos negócios do portfólio. Então esse encontro teve muito o objetivo de trazer essa discussão para a mesa, promover trocas entre empreendedores e entender como essas ferramentas podem ser adaptadas às diferentes realidades e modelos de negócio”, afirmou.
Ao longo da programação, a cofundadora da Singulari Consultoria, Luciana Minev, destacou que a inteligência artificial já faz parte da rotina da maior parte das organizações, embora ainda seja utilizada sem direcionamento estratégico em muitos casos.
“Hoje, 88% das organizações usam inteligência artificial de alguma forma. Mas apenas uma pequena parcela desses projetos gera valor real para os negócios. As empresas estão usando IA, mas ainda não de maneira estratégica, estruturada e segura”, afirmou.
Segundo Luciana, o principal desafio não está apenas no acesso às ferramentas, mas na forma como pessoas e organizações compreendem o papel da IA dentro dos processos de trabalho. “O nosso entendimento é que a adoção de IA é um tema de estratégia e de cultura, não de tecnologia”, explicou.
Ela destacou ainda que existem diferentes caminhos para incorporar a IA aos negócios, desde a aquisição de plataformas até o fortalecimento das capacidades individuais das equipes.
“Existe um caminho ligado à aquisição de tecnologia, mas existe outro, menos explorado e que gera muito valor, que é o letramento e o empoderamento individual para o uso dessas ferramentas”, disse.
Segurança de Dados e Soberania Digital
O encontro também abriu espaço para debates sobre segurança de dados, soberania digital e os impactos da tecnologia nos territórios amazônicos. Durante a conversa, a CEO da Tucum, Amanda Santana, chamou atenção para a problemática da circulação de dados e o uso da inteligência artificial em contextos ligados à Amazônia e aos povos indígenas.
“É importante manter um olhar crítico porque isso diz respeito à soberania nacional, à soberania dos territórios e da Amazônia. Quando essas tecnologias operam dentro de territórios indígenas, por exemplo, existe também uma discussão sobre dados, propriedade intelectual coletiva e riscos ligados à biopirataria”, afirmou.
As trocas promovidas durante o encontro também despertaram novas perspectivas entre os empreendedores participantes, especialmente em relação às possibilidades práticas de uso da IA na rotina dos negócios. Representando a Manioca, Joanna Martins compartilhou como sua relação com a tecnologia mudou a partir do contato mais próximo com as ferramentas.
“Foi ótimo. É um mundo muito novo. É quase como aprender a ler de novo”, disse. Joanna contou que, apesar da resistência inicial, passou a enxergar novas possibilidades a partir da experimentação prática.
“No começo eu resisti um pouco por não entender que a gente precisava alimentar a ferramenta. Mas quando comecei a ensinar, ela passou a fazer sentido e facilitar muito a vida. Hoje eu uso bastante na Manioca e no Instituto, principalmente para pesquisa e conversas. E vocês abriram aqui um outro universo que eu vou começar a explorar”, afirmou.
Amaz impulsiona negócios de impacto na Amazônia
A atividade integrou a agenda de fortalecimento dos negócios apoiados pela Amaz Aceleradora de Impacto, que atua no impulsionamento de empreendimentos comprometidos com o desenvolvimento sustentável da região amazônica.
Por meio de mentorias, conexões estratégicas, capacitações e acompanhamento especializado, a aceleradora apoia negócios que unem inovação, impacto socioambiental e valorização dos territórios e saberes da Amazônia.



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