Texto: Maxi Mídia Comunicação
Imagem: Divulgação/AMAZ
Em um momento em que as discussões sobre bioeconomia, investimentos de impacto e desenvolvimento sustentável na Amazônia ganham profundidade, a AMAZ Aceleradora de Impacto participou do Impacta Mais 2026 levando ao centro do debate um tema cada vez mais urgente: a maturidade do ecossistema de negócios de impacto na região e os caminhos necessários para sua expansão.
Realizado em São Paulo, o Impacta Mais é hoje o principal encontro brasileiro voltado a investimentos e negócios de impacto, reunindo investidores, empresas, governos, fundações, universidades, organizações intermediárias e empreendedores que atuam na construção de soluções socioambientais no país.
Representando a AMAZ participaram do evento Gabriela Santos, Líder de Novos Negócios do Idesam, e Macaulay Abreu, cofundador e sócio da Navegam e da ForestiFi, ambos negócios do portfólio da aceleradora. Os dois integraram o painel de lançamento do estudo “Estruturação de Negócios de Impacto e complexidade de apoios: a experiência Fundo Vale de 2020 a 2025”, realizado pelo Fundo Vale em parceria com a Pipe Social.
Além de apresentar dados, o estudo propõe uma reflexão sobre os aprendizados acumulados ao longo de cinco anos de apoio a negócios de impacto e organizações intermediárias, revelando os desafios de fortalecer empreendimentos que atuam em contextos complexos, especialmente na Amazônia. Entre os principais pontos debatidos estiveram a necessidade de modelos de apoio mais adaptáveis, a importância de compreender diferentes níveis de maturidade dos negócios e o papel estratégico das conexões entre organizações, investidores e empreendedores.
A discussão também reforçou a necessidade de repensar as próprias lógicas de circulação de capital dentro da economia de impacto, especialmente em territórios como a Amazônia, onde os desafios exigem tempos, estratégias e instrumentos diferentes dos modelos tradicionais de investimento.
“Quando a gente fala em democratizar, a gente pensa nos diferentes públicos que estão trabalhando nessa agenda de conservação e de restauração. Entendemos como parte da democratização, desde a formação de associações e cooperativas, lá na base das cadeias produtivas que mantêm a floresta em pé, até organizações dinamizadoras e negócios em escala”, pontuou Márcia Soares, gerente de Amazônia e Parcerias do Fundo Vale, que também participou do debate.
Segundo Gabriela Santos, a discussão evidencia uma mudança importante no próprio estágio de desenvolvimento do ecossistema amazônico.
“Antes, estávamos discutindo muito o que era a bioeconomia, como construir esse ecossistema e quais seriam os caminhos para esses investimentos. Agora, a discussão muda de nível. Já temos empreendedores estruturados, uma visão mais clara de como apoiar esses negócios e o próximo passo é entender como expandimos esse ecossistema para além do nicho atual, acessando novos mercados e investidores capazes de potencializar ainda mais o impacto gerado”, destacou.
A fala aponta para uma transformação que vem sendo construída coletivamente nos últimos anos: a passagem de um ecossistema ainda concentrado na validação de conceitos para um cenário que começa a demandar escala, articulação e sustentabilidade de longo prazo. Nesse contexto, o fortalecimento de organizações intermediárias, aceleradoras e programas de apoio passa a ocupar um papel central na conexão entre capital, conhecimento técnico e empreendedores locais.
Gabriela também destacou a importância de uma visão sistêmica para o desenvolvimento da bioeconomia amazônica, baseada menos em disputas isoladas e mais em complementariedade entre iniciativas.
“O Fundo Vale tem essa posição muito sistêmica, de conseguir olhar para diversas iniciativas e para a complementariedade entre elas. Existe um aprendizado importante sobre como trabalhar em conjunto, e não apenas em disputa por recursos”, afirmou.
A participação de Macaulay Abreu trouxe ao debate a perspectiva prática de quem vivencia os diferentes ciclos de desenvolvimento de negócios de impacto dentro do ecossistema amazônico. Com trajetória ligada a processos de aceleração e apoio a empreendimentos da região, ele ressaltou como programas estruturados podem influenciar diretamente a sustentabilidade e a evolução dos negócios.
“O estudo destaca como os programas de apoio fazem parte do ciclo de desenvolvimento de um negócio e como é importante que eles estejam alinhados tanto com a maturidade do ecossistema quanto com a maturidade dos empreendedores envolvidos”, explicou.
A presença da Amaz no Impacta Mais também acontece em um momento em que a própria organização vem aprofundando processos de revisão, sistematização de aprendizados e reflexão sobre o papel das chamadas organizações intermediárias na Amazônia.
A experiência acumulada nos últimos anos mostra que desenvolver negócios de impacto na região exige estratégias capazes de lidar com múltiplas complexidades ao mesmo tempo: desafios territoriais, acesso a mercado, formação empreendedora, conexão com investidores e fortalecimento de cadeias produtivas locais.



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