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Nota de Pesar

É com imensa tristeza que a AMAZ comunica o falecimento de , Mariano Colini Cenamo, CEO da AMAZ e fundador do Idesam, ocorrido na noite de 10 de julho de 2026.

Mariano dedicou sua vida à Amazônia. Mais do que idealizar uma organização, construiu um movimento de pessoas comprometidas em demonstrar que conservar a floresta passa, necessariamente, pela valorização de quem vive nela. Sua visão transformadora ajudou a consolidar uma nova forma de pensar o desenvolvimento sustentável, conectando ciência, empreendedorismo, inovação, bioeconomia e impacto social muito antes de esses temas ocuparem espaço central nas discussões globais.

Ao fundar o IDESAM, há mais de duas décadas, Mariano lançou as bases de uma instituição que hoje atua em diferentes frentes para promover soluções concretas para a Amazônia. Sua capacidade de reunir pessoas, formar lideranças, construir pontes entre diferentes setores e transformar desafios em oportunidades marcou profundamente a trajetória da instituição e influenciou inúmeras iniciativas que seguem gerando impacto positivo na região.

Mas talvez seu maior legado tenha sido humano. Mariano acreditava profundamente nas pessoas. Incentivava talentos, desafiava equipes a irem além, celebrava conquistas coletivas e fazia da confiança um princípio de liderança. Inspirou colegas, parceiros, comunidades, empreendedores, pesquisadores e amigos a enxergarem que grandes transformações começam quando alguém decide acreditar que elas são possíveis.

Sua partida deixa um vazio imenso. Ao mesmo tempo, deixa uma responsabilidade igualmente grande: seguir cuidando do legado que ajudou a construir. Cada projeto, cada parceria, cada comunidade fortalecida e cada oportunidade criada para manter a floresta em pé carregam um pouco da sua visão e do seu compromisso com a Amazônia.

Neste momento de profunda dor, o IDESAM manifesta sua solidariedade à família, aos amigos, aos colegas de jornada e a todos que tiveram o privilégio de compartilhar parte dessa caminhada com Mariano. Nossa gratidão por sua vida, sua generosidade e sua capacidade de inspirar pessoas permanecerá para sempre na história da instituição.

Honrar sua memória será continuar trabalhando com o mesmo propósito que sempre guiou sua trajetória: construir soluções capazes de conciliar conservação da floresta, desenvolvimento sustentável e qualidade de vida para as populações amazônicas.

Mariano deixa um legado que transcende o tempo. Ele seguirá presente na missão do IDESAM, nas pessoas que formou, nas instituições que ajudou a fortalecer e em cada transformação construída em favor da Amazônia.

Informações sobre a despedida

A cerimônia de despedida será realizada neste 11 de julho, na Capela Marfim, do Cemitério Parque e Crematório Jardim da Paz, em Florianópolis (SC).

Velório: das 10h às 13h.

Endereço: Rodovia SC-401, km 17, nº 2647, Bairro João Paulo, Florianópolis (SC), CEP 88030-000.

Mariano, o IDESAM presta a você sua mais sincera homenagem. Seu legado seguirá vivo na floresta que você tanto defendeu, nas pessoas que você inspirou e em todos nós que continuaremos acreditando — como você sempre acreditou — que é possível construir uma Amazônia mais justa, próspera e sustentável.

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AMAZ destaca financiamento e apoio integrado à sociobioeconomia na Semana do Clima da Amazônia

Texto: MaxiMídia Comunicação

Foto: Divulgação Amaz

Gestora de operações da aceleradora, Gabriela Souza mediou debate sobre capital, políticas públicas e desafios para ampliar a escala dos negócios de impacto na região amazônica

A AMAZ, maior aceleradora e investidora de negócios de impacto voltados para a Amazônia Legal, idealizada e coordenada pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), está participando ativamente da II Semana do Clima da Amazônia, que está sendo realizada em Belém (PA) entre os dias 29 de junho e 4 de julho.

Representando a organização, a gestora de operações da AMAZ e líder de Novos Negócios do Idesam, Gabriela Souza, mediou o painel “Sociobioeconomia e Financiamento”, que reuniu representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA) e da Associação dos Negócios da Sociobioeconomia da Amazônia (Assobio).

Segundo Gabriela, o debate teve como eixo central a construção de um ambiente favorável para que empreendimentos da sociobioeconomia consigam crescer de maneira sustentável, contando com diferentes formas de apoio ao longo de sua trajetória.

“A ideia que eu trouxe para o painel foi discutir o financiamento da sociobioeconomia a partir da lente do contínuo de capital e das condições habilitantes, entendendo que precisamos criar infraestrutura para que negócios da sociobioeconomia e organizações sociais tenham sucesso, desde políticas públicas e financiamento até regularização fundiária e investimento adequado”, afirmou.

Ela destacou que duas palavras nortearam as discussões: adaptação e adequação. A proposta foi analisar como cada instituição participante atua dentro dessa lógica e de que forma diferentes instrumentos podem se complementar para fortalecer os empreendimentos amazônicos.

“O contínuo de capital é justamente pensar nas necessidades dos negócios em diversas frentes, desde recursos financeiros até capital relacional e técnico. É garantir que, da ideia inicial até a escala, não existam rupturas que levem esses empreendimentos a desaparecer por falta do apoio necessário em determinado momento”, explicou.

FIINSA

A mediadora também ressaltou a conexão do debate com o Fiinsa (Festival de Investimento de Impacto e Negócios Sustentáveis na Amazônia), iniciativa que reúne atores posicionados em diferentes etapas do financiamento à bioeconomia e busca construir soluções coletivas para o setor.

Gabriela afirmou que explanou sobre o Fiinsa e convidou os participantes a também fazer parte do evento, cuja 4ª edição acontece entre os dias 3 e 5 de novembro, em Manaus, sob a coordenação do Idesam e do Impact Hub Manaus, com a participação ativa da AMAZ.

A organização do painel seguiu a lógica do percurso do contínuo de capital, começando pelas políticas públicas federais, passando pelas estratégias estaduais e chegando aos instrumentos de financiamento e às experiências dos próprios empreendedores da região.

“A implementação está muito em evidência neste momento, especialmente por ser a segunda Semana do Clima realizada na Amazônia e a primeira após a COP. O debate agora é sobre prática, sobre como transformar compromissos em ações concretas”, observou Gabriela.

A II Semana do Clima da Amazônia pode ser considerado o primeiro grande evento internacional, pós- COP 30 na Amazônia.

Desafios dos pequenos negócios

Durante o encontro, o presidente da Assobio, Paulo Reis, apresentou a perspectiva das pequenas e médias empresas da bioeconomia amazônica, sobretudo aquelas instaladas nos centros urbanos e que investem na agregação de valor e na verticalização da produção.

Segundo ele, um dos principais obstáculos ainda está relacionado ao modelo de financiamento disponível para os empreendedores da região.

“Precisamos rever a forma como o financiamento é realizado para que os empreendedores possam, de fato, trabalhar e focar nos seus negócios. Hoje, muitos recebem investimentos muito baixos, o que dificulta alcançar escala, inovar e prosperar economicamente”, afirmou.

Paulo Reis defendeu que o capital destinado ao setor assuma uma parcela maior dos riscos inerentes aos negócios de impacto e contribua para ampliar a agregação de valor dentro da própria Amazônia.

“A sugestão é trazer mais risco para o capital que deveria ser de risco, mas que muitas vezes investe pouco na agregação de valor dentro da região amazônica”, disse.

Ele também chamou atenção para a necessidade de ampliar o mercado consumidor dos produtos amazônicos, incentivando a valorização de itens que vão além das cadeias já consolidadas, como açaí e cacau.

“Atualmente, precisamos mobilizar um mercado que compre uma diversidade maior de produtos da Amazônia, e não apenas aqueles já tradicionais, especialmente no formato de matérias-primas”, destacou.

Amazônia no centro do debate climático

Para Paulo Reis, sediar uma Semana do Clima na Amazônia representa um avanço importante ao permitir que a própria região apresente suas soluções e desafios diante das mudanças climáticas.

Ele lembrou que eventos semelhantes costumam ocorrer em grandes centros internacionais, como Londres, Paris e Nova York, nem sempre conectados diretamente às realidades dos territórios mais impactados.

“Não existe lugar mais propício para discutir clima do que a Amazônia. Estamos falando de uma região fundamental para a conservação da natureza, para os recursos hídricos e para o equilíbrio climático do planeta, mas que também sofre diretamente os impactos das mudanças do clima”, afirmou.

Segundo o presidente da Assobio, o protagonismo amazônico nas discussões globais permite incorporar perspectivas locais frequentemente ausentes em fóruns internacionais.

“Precisamos ter espaço para trazer nossa opinião e nosso ponto de vista. Muitas vezes, essas discussões acontecem sob perspectivas do Norte Global ou de regiões já desenvolvidas. A Amazônia também precisa ser ouvida como território que enfrenta desafios, mas que, ao mesmo tempo, oferece soluções para o mundo”, concluiu.

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AmidoMato entra para o portfólio da AMAZ com solução inovadora para a cadeia do babaçu 

Texto: MaxiMídia

Foto: Divulgação AmidoMato

Startup que desenvolve derivados da farinha de babaçu foi a única selecionada na Chamada de Negócios de 2025, que encerra o ciclo do primeiro fundo de investimentos da maior aceleradora de negócios de impacto da região. 

A AmidoMato, startup dedicada à padronização e ao desenvolvimento de derivados da farinha de babaçu para a indústria de alimentos, é a vencedora da Chamada de Negócios 2025 da AMAZ e passa a integrar o portfólio da aceleradora de impacto coordenada pelo Idesam.  

A seleção marca o encerramento de um ciclo de cinco anos de investimentos e apoio aos empreendimentos inovadores voltados ao desenvolvimento sustentável da Amazônia. Neste ano, a aceleradora não vai promover nova Chamada de Negócios. 

A entrada da AMAZ complementa a rodada de captação de capital semente da AmidoMato, destinada à consolidação de seu processo produtivo e à expansão da base de clientes. Fundada em 2024, a startup captou R$ 2 milhões em uma rodada que reuniu três importantes investidores: Grão Venture Capital, sócia-fundadora do negócio; RG Futures, frente de investimentos em inovação alimentar da RG ThinkFood; e Abunã, braço de investimento dos empresários Ilana e Denis Minev voltado às iniciativas na Amazônia. 

Além do aporte financeiro, a AmidoMato conta com parceiros estratégicos que fortalecem sua atuação no mercado. Entre eles estão a Griffith Foods, multinacional do setor alimentício com a qual a startup firmou seu primeiro grande contrato de fornecimento, e a EBS, empresa especializada em tecnologia industrial para amidos e farinhas. 

A empresa foi fundada por Eduardo Roxo, biólogo, mestre em Ecologia e Agronegócios e empreendedor com ampla trajetória em negócios da sociobiodiversidade amazônica. Cofundador da Atina, Momborae Painel da Floresta, Roxo trabalha com a cadeia do babaçu desde 2007, quando participou do desenvolvimento da farinha do mesocarpo de babaçu para aplicação na indústria cosmética. 

A AmidoMato busca transformar a farinha do mesocarpo de babaçu em um ingrediente competitivo frente a commodities amplamente utilizadas pela indústria, como trigo, milho, arroz e mandioca. A proposta é conectar a abundante oferta de matéria-prima existente na Amazônia e no Meio-Norte brasileiro à crescente demanda global por farinhas, amidos e ingredientes funcionais. 

A startup atua diretamente sobre gargalos históricos da cadeia produtiva do babaçu, palmeira que ocupa cerca de 15 milhões de hectares entre a Bolívia e o Nordeste brasileiro. Tradicionalmente voltada para a extração de óleo das amêndoas, a cadeia pouco aproveita o mesocarpo do fruto, que costuma se deteriorar rapidamente após sua queda no solo. 

Entre os principais desafios enfrentados pelo setor estão a irregularidade na oferta da matéria-prima, a contaminação decorrente da coleta tradicional e a falta de padronização de características essenciais para a indústria, como granulometria, coloração, teor de fibras e desempenho técnico. 

“Nosso objetivo é tornar a farinha de babaçu um produto seguro, competitivo e disponível, uma nova opção no mundo das farinhas, que não se limite ao nicho de produtos da floresta”, afirma Eduardo Roxo, fundador da AmidoMato. “Buscamos entregar para a indústria um produto padronizado, de alta qualidade nutricional.” 

Ao integrar o portfólio da AMAZ, a AmidoMato fortalece sua estratégia de crescimento e amplia sua capacidade de gerar impacto socioambiental positivo, contribuindo para a valorização de cadeias produtivas da sociobiodiversidade amazônica e para a criação de novas oportunidades econômicas a partir da floresta em pé. 

O papel da AMAZ no avanço de negócios de impacto na Amazônia 

Em 2018, o Idesam começou a atuar com o fortalecimento de negócios de impacto, por meio do Programa de Aceleração. De 2018 até 2020 foram acelerados 30 negócios e 12 receberam investimos. Com o amadurecimento do programa veio a aceleradora, assim em 2021, a AMAZ foi criada e há cinco anos se dedica a selecionar e acelerar negócios nascentes que forneçam soluções de impacto para o contexto da Amazônia.  

Nestes anos, a aceleradora acumula aprendizados e hoje é referência no ecossistema de negócios de impacto com números expressivos como; 500 startups avaliadas, 52 aceleradas e 29 investidas, das quais 16 se mantém ativas no portfólio de negócios.   

“Em 2026 fechamos o ciclo do primeiro fundo da AMAZ. Nosso portfólio reflete a diversidade de soluções necessárias à bioeconomia amazônica: restauração florestal, inovação em ingredientes e produtos, soluções financeiras e logísticas. Nos próximos 5 anos vamos consolidar aprendizados, multiplicar mecanismos de apoio e fortalecer os negócios investidos”, avalia Gabriela Souza, Líder de Novos Negócios do Idesam e gestora de operações da AMAZ. 

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Ecossistema da Amazônia atinge novo patamar e debate foca em escala e atração de novos mercados no Impacta Mais 2026

Texto: Maxi Mídia Comunicação

Imagem: Divulgação/AMAZ

Em um momento em que as discussões sobre bioeconomia, investimentos de impacto e desenvolvimento sustentável na Amazônia ganham profundidade, a AMAZ Aceleradora de Impacto participou do Impacta Mais 2026 levando ao centro do debate um tema cada vez mais urgente: a maturidade do ecossistema de negócios de impacto na região e os caminhos necessários para sua expansão.

Realizado em São Paulo, o Impacta Mais é hoje o principal encontro brasileiro voltado a investimentos e negócios de impacto, reunindo investidores, empresas, governos, fundações, universidades, organizações intermediárias e empreendedores que atuam na construção de soluções socioambientais no país.

Representando a AMAZ participaram do evento Gabriela Santos, Líder de Novos Negócios do Idesam, e Macaulay Abreu, cofundador e sócio da Navegam e da ForestiFi, ambos negócios do portfólio da aceleradora. Os dois integraram o painel de lançamento do estudo “Estruturação de Negócios de Impacto e complexidade de apoios: a experiência Fundo Vale de 2020 a 2025”, realizado pelo Fundo Vale em parceria com a Pipe Social.

Além de apresentar dados, o estudo propõe uma reflexão sobre os aprendizados acumulados ao longo de cinco anos de apoio a negócios de impacto e organizações intermediárias, revelando os desafios de fortalecer empreendimentos que atuam em contextos complexos, especialmente na Amazônia. Entre os principais pontos debatidos estiveram a necessidade de modelos de apoio mais adaptáveis, a importância de compreender diferentes níveis de maturidade dos negócios e o papel estratégico das conexões entre organizações, investidores e empreendedores.

A discussão também reforçou a necessidade de repensar as próprias lógicas de circulação de capital dentro da economia de impacto, especialmente em territórios como a Amazônia, onde os desafios exigem tempos, estratégias e instrumentos diferentes dos modelos tradicionais de investimento.

“Quando a gente fala em democratizar, a gente pensa nos diferentes públicos que estão trabalhando nessa agenda de conservação e de restauração. Entendemos como parte da democratização, desde a formação de associações e cooperativas, lá na base das cadeias produtivas que mantêm a floresta em pé, até organizações dinamizadoras e negócios em escala”, pontuou Márcia Soares, gerente de Amazônia e Parcerias do Fundo Vale, que também participou do debate.

Segundo Gabriela Santos, a discussão evidencia uma mudança importante no próprio estágio de desenvolvimento do ecossistema amazônico.

“Antes, estávamos discutindo muito o que era a bioeconomia, como construir esse ecossistema e quais seriam os caminhos para esses investimentos. Agora, a discussão muda de nível. Já temos empreendedores estruturados, uma visão mais clara de como apoiar esses negócios e o próximo passo é entender como expandimos esse ecossistema para além do nicho atual, acessando novos mercados e investidores capazes de potencializar ainda mais o impacto gerado”, destacou.

A fala aponta para uma transformação que vem sendo construída coletivamente nos últimos anos: a passagem de um ecossistema ainda concentrado na validação de conceitos para um cenário que começa a demandar escala, articulação e sustentabilidade de longo prazo. Nesse contexto, o fortalecimento de organizações intermediárias, aceleradoras e programas de apoio passa a ocupar um papel central na conexão entre capital, conhecimento técnico e empreendedores locais.

Gabriela também destacou a importância de uma visão sistêmica para o desenvolvimento da bioeconomia amazônica, baseada menos em disputas isoladas e mais em complementariedade entre iniciativas.

“O Fundo Vale tem essa posição muito sistêmica, de conseguir olhar para diversas iniciativas e para a complementariedade entre elas. Existe um aprendizado importante sobre como trabalhar em conjunto, e não apenas em disputa por recursos”, afirmou.

A participação de Macaulay Abreu trouxe ao debate a perspectiva prática de quem vivencia os diferentes ciclos de desenvolvimento de negócios de impacto dentro do ecossistema amazônico. Com trajetória ligada a processos de aceleração e apoio a empreendimentos da região, ele ressaltou como programas estruturados podem influenciar diretamente a sustentabilidade e a evolução dos negócios.

“O estudo destaca como os programas de apoio fazem parte do ciclo de desenvolvimento de um negócio e como é importante que eles estejam alinhados tanto com a maturidade do ecossistema quanto com a maturidade dos empreendedores envolvidos”, explicou.

A presença da Amaz no Impacta Mais também acontece em um momento em que a própria organização vem aprofundando processos de revisão, sistematização de aprendizados e reflexão sobre o papel das chamadas organizações intermediárias na Amazônia.

A experiência acumulada nos últimos anos mostra que desenvolver negócios de impacto na região exige estratégias capazes de lidar com múltiplas complexidades ao mesmo tempo: desafios territoriais, acesso a mercado, formação empreendedora, conexão com investidores e fortalecimento de cadeias produtivas locais.

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Negócios de impacto da Amazônia participam de encontro sobre Inteligência artificial, inovação e soberania digital  

Texto: Maxi Mídia Comunicação

Imagem: Divulgação/AMAZ

Em um cenário em que a IA deixa de ser uma tecnologia restrita às grandes empresas e passa a remodelar rotinas de trabalho, gestores e empreendedores de impacto – que atuam na área de alimentos, cosméticos, moda, artesanato e de logística na Amazônia participaram de um encontro promovido pela AMAZ, aceleradora de negócios de impacto coordenada pelo Idesam, em parceria com a Singulari Consultoria para discutir o uso estratégico da inteligência artificial na gestão dos negócios. 

O encontro promoveu reflexões sobre inovação, cultura organizacional, segurança de dados e os desafios da transformação digital no contexto da Amazônia. Gabriela Souza, líder de Inovação do Idesam e gestora operacional da AMAZ destacou a importância de ampliar o debate sobre inteligência artificial entre os negócios apoiados pela aceleradora, considerando os diferentes níveis de familiaridade com as ferramentas. 

“A IA já vem sendo utilizada de formas diferentes dentro da Amaz e também pelos negócios do portfólio. Então esse encontro teve muito o objetivo de trazer essa discussão para a mesa, promover trocas entre empreendedores e entender como essas ferramentas podem ser adaptadas às diferentes realidades e modelos de negócio”, afirmou. 

Ao longo da programação, a cofundadora da Singulari Consultoria, Luciana Minev, destacou que a inteligência artificial já faz parte da rotina da maior parte das organizações, embora ainda seja utilizada sem direcionamento estratégico em muitos casos. 

“Hoje, 88% das organizações usam inteligência artificial de alguma forma. Mas apenas uma pequena parcela desses projetos gera valor real para os negócios. As empresas estão usando IA, mas ainda não de maneira estratégica, estruturada e segura”, afirmou. 

Segundo Luciana, o principal desafio não está apenas no acesso às ferramentas, mas na forma como pessoas e organizações compreendem o papel da IA dentro dos processos de trabalho. “O nosso entendimento é que a adoção de IA é um tema de estratégia e de cultura, não de tecnologia”, explicou. 

Ela destacou ainda que existem diferentes caminhos para incorporar a IA aos negócios, desde a aquisição de plataformas até o fortalecimento das capacidades individuais das equipes. 

“Existe um caminho ligado à aquisição de tecnologia, mas existe outro, menos explorado e que gera muito valor, que é o letramento e o empoderamento individual para o uso dessas ferramentas”, disse. 

Segurança de Dados e Soberania Digital  

O encontro também abriu espaço para debates sobre segurança de dados, soberania digital e os impactos da tecnologia nos territórios amazônicos. Durante a conversa, a CEO da Tucum, Amanda Santana, chamou atenção para a problemática da circulação de dados e o uso da inteligência artificial em contextos ligados à Amazônia e aos povos indígenas. 

“É importante manter um olhar crítico porque isso diz respeito à soberania nacional, à soberania dos territórios e da Amazônia. Quando essas tecnologias operam dentro de territórios indígenas, por exemplo, existe também uma discussão sobre dados, propriedade intelectual coletiva e riscos ligados à biopirataria”, afirmou. 

As trocas promovidas durante o encontro também despertaram novas perspectivas entre os empreendedores participantes, especialmente em relação às possibilidades práticas de uso da IA na rotina dos negócios. Representando a Manioca, Joanna Martins compartilhou como sua relação com a tecnologia mudou a partir do contato mais próximo com as ferramentas. 

“Foi ótimo. É um mundo muito novo. É quase como aprender a ler de novo”, disse. Joanna contou que, apesar da resistência inicial, passou a enxergar novas possibilidades a partir da experimentação prática. 

“No começo eu resisti um pouco por não entender que a gente precisava alimentar a ferramenta. Mas quando comecei a ensinar, ela passou a fazer sentido e facilitar muito a vida. Hoje eu uso bastante na Manioca e no Instituto, principalmente para pesquisa e conversas. E vocês abriram aqui um outro universo que eu vou começar a explorar”, afirmou. 

Amaz impulsiona negócios de impacto na Amazônia 

A atividade integrou a agenda de fortalecimento dos negócios apoiados pela Amaz Aceleradora de Impacto, que atua no impulsionamento de empreendimentos comprometidos com o desenvolvimento sustentável da região amazônica. 

Por meio de mentorias, conexões estratégicas, capacitações e acompanhamento especializado, a aceleradora apoia negócios que unem inovação, impacto socioambiental e valorização dos territórios e saberes da Amazônia.

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Dia da Mandioca: o reposicionamento que transformou o tucupi milenar no shoyu Amazônico

Texto: Maxi Mídia Comunicação
Imagem: Divulgação/Manioca

No Dia Nacional da Mandioca, a Manioca, empresa paraense referência em ingredientes da sociobiodiversidade, que integra o portfólio da AMAZ Aceleradora de Impacto, celebra o sucesso de uma estratégia que uniu tradição e visão de mercado: o reposicionamento do Tucupi Preto como o Shoyu Amazônico. A mudança de nomenclatura e identidade visual, consolidada no rebranding de 2025, resultou em um crescimento de 35% nas vendas do produto.

A estratégia acompanha o avanço de negócios que transformam ativos da sociobiodiversidade em produtos de valor agregado, ampliando a presença de sabores amazônicos nas gôndolas de grandes centros urbanos e conectando tradição, inovação e identidade regional.

A mudança de nomenclatura para ‘shoyu amazônico’ não foi uma decisão de laboratório, mas uma resposta ao comportamento do consumidor. De acordo com Joanna Martins, fundadora da Manioca, os clientes já associavam naturalmente a cor, o sabor intenso e a função culinária do tucupi preto ao molho de soja oriental.

“A ideia veio do relato dos próprios clientes. No rebranding em 2025, entendemos que era a hora de facilitar o entendimento do consumidor de fora da Amazônia”, explica Joanna.

O produto reúne notas de dulçor, acidez, defumado e o umami – o quinto sabor que ajuda a tornar tudo mais gostoso. ” O tucupi é um representante central do umami que está presente também em queijos e outros alimentos fermentados”, complementa Joanna Martins.

Joanna Martins, fundadora da Manioca (Divulgação/Manioca)

O diferencial do shoyo Amazônico é a naturalidade, já que possui apenas 3 ingredientes: mandioca, água e sal – e até 80% menos sódio que os shoyus tradicionais, na versão light – enquanto os molhos de soja industrializados e comercializados no Brasil contém até 11 ingredientes.

Celebrado em 22 de abril, o Dia da Mandioca foi criado para valorizar a importância histórica, cultural e econômica dessa raiz para o Brasil. A data escolhida pela Embrapa coincide com a do descobrimento do Brasil e ressalta que a mandioca já era a base dos povos indígenas que viviam aqui, quando as caravelas portuguesas chegaram no litoral do nordeste.

Divulgação/Manioca

Raízes na floresta

O sucesso comercial do “shoyu da floresta” reflete diretamente na base da pirâmide produtiva. Através do Programa Raízes, a Manioca estabelece parcerias com 23 agricultores familiares do Pará oferecendo suporte técnico e acompanhando as necessidades do produtor.

“É sempre uma troca. Ajudamos o fornecedor a ter uma mandioca de melhor qualidade e ele nos entrega um insumo que agrega valor ao nosso produto final”, destaca a CEO da Manioca. Essa governança de cadeia é um dos pilares dos negócios de impacto e atraiu a atenção de investidores estratégicos e parceiros como a multinacional Ajinomoto.

A trajetória da Manioca é um exemplo do amadurecimento do ecossistema de investimentos na Amazônia. Apoiada pelo Idesam, que coordena a AMAZ Aceleradora de Impacto, a empresa foi uma das pioneiras a participar da jornada de aceleração em 2019.

Para Gabriela Souza, líder de novos negócios do Idesam, a Manioca é hoje uma referência de resiliência. “Acompanhamos o fortalecimento do negócio, desde a estruturação da cadeia de fornecedores até parcerias globais. A Manioca hoje reflete como uma governança robusta e capital intencional podem escalar soluções amazônicas “, afirma.

Inovação no Rótulo, tradição na essência

A Manioca traz o tucupi não como um ingrediente exótico, mas como um tempero versátil para o cotidiano — do risoto ao ceviche e para quebrar a barreira da “alta gastronomia”, a empresa lançou um e-book de receitas que ensina a usar o tucupi em pratos simples, como arroz com brócolis ou frango com leite de coco.

O objetivo é claro: transformar o tucupi em um item indispensável na despensa brasileira, provando que a conservação da floresta pode — e deve — ter um sabor familiar e acessível.

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Pós-COP 30: Encontro de empreendedores de impacto consolida legado de conexões e fortalece bioeconomia na Amazônia

Texto: Maxi Mídia Comunicação

Imagem: Divulgação

Conexões em rede com empreendedores de alto impacto e tecnologia aos empreendedores de impacto locais é o passo estratégico definitivo para dar escala à bioeconomia. Quatro meses após a histórica COP 30 em Belém, os esforços para converter compromissos globais em resultados locais ganham novo fôlego. Para afinar essa conexão, a Endeavor realiza uma imersão exclusiva com executivos e investidores em Manaus e Novo Airão, consolidando o legado de parcerias da conferência climática.

A iniciativa conta com a colaboração técnica do Idesam, organização que há duas décadas lidera a transição para um modelo econômico regenerativo na região. O evento é realizado em parceria com Impact Hub Manaus e Singulari, contando com o patrocínio estratégico do Sebrae.

A participação do Idesam na imersão destaca a robustez das soluções desenvolvidas para destravar o potencial da floresta e fortalecer as comunidades locais. O foco é a geração de renda por meio da união entre o rigor científico e a sabedoria das populações tradicionais. Como um dos principais articuladores do setor, o Idesam leva ao encontro o aprendizado acumulado por meio do PPBio (Programa Prioritário de Bioeconomia), da AMAZ Aceleradora de Impacto e da Zôma — geradora de negócios da floresta lançada oficialmente durante o FIINSA na COP 30.

“Nossa atuação na imersão reforça o papel do Idesam como ponte entre o conhecimento científico, o capital de risco e o empreendedor local. Com mais de 20 anos de presença na região, estamos profundamente conectados ao território e compreendemos os desafios reais de quem empreende aqui. Afinal, o ‘tempo da floresta’ possui uma dinâmica própria, distinta do tempo do mercado financeiro tradicional”, destaca Renato Rebelo, coordenador da Zoma.

Programação e Fortalecimento Regional

A agenda teve início na última quinta-feira com uma rodada de conexões entre executivos convidados pela Endeavor e startups locais no Casarão de Inovação Cassina, marco histórico e tecnológico de Manaus. Nesta sexta-feira, o grupo visitou o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA) e o Centro de Incubação e Desenvolvimento Empresarial (CIDE). No fim de semana, as atividades se deslocam para Novo Airão, onde os investidores conhecerão de perto os gargalos e as potencialidades de negócios ligados ao turismo de base comunitária e ao mercado de cosméticos sustentáveis.

“O empreendedor é aquele que acredita em um sonho e possui a mentalidade de crescer rápido, mas, no nosso contexto, esse crescimento deve vir acompanhado da geração de impacto positivo na vida das pessoas. Estamos aqui para abrir caminhos e facilitar conexões, investindo para que essa engrenagem continue girando”, observa Daniella Mello, Diretora de Comunicação e Parcerias da Endeavor.

Impacto na ponta e Visibilidade Global

Para quem empreende na Amazônia, manter este ecossistema de conexões é vital, especialmente no cenário pós-COP 30. Um dos grandes legados da conferência global foi justamente posicionar os negócios da floresta em uma vitrine internacional sem precedentes.

“Essas trocas são fundamentais. Muitas vezes já conhecemos o caminho, mas ouvir a validação de empreendedores que atuam no mercado nacional é essencial para consolidar nossa estratégia. Tivemos um crescimento significativo com o apoio do PPBio e, agora, para escalar e enfrentar os desafios logísticos e de mercado, precisamos estar plenamente integrados a essa rede”, afirma Emerson Lima, pesquisador da Terra Amazônia Superplants, empresa especializada em suplementos alimentares baseados em ativos da biodiversidade amazônica.

Sobre o Idesam

O Idesam é uma organização sem fins lucrativos que trabalha para criar uma nova economia na Amazônia. Com foco em conservação e bem-estar social, atua na aceleração de negócios, desenvolvimento de políticas públicas e estruturação de cadeias produtivas sustentáveis. www.idesam.org

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Falta de crédito trava sociobioeconomia na Pan-Amazônia, revela Impact Finance

Texto: Maxi Mídia Comunicação
Imagens: Divulgação/Impact Finance

A Impact Finance (atual nome da Impact Not a Bank) conduziu o estudo “Financiando a Bioeconomia da Pan-Amazônia”. O levantamento revela que apenas 8,5% dos mecanismos financeiros mapeados têm foco exclusivo na sociobioeconomia – ou seja, mecanismos voltados integralmente às cadeias comunitárias, tradicionais e extrativistas, com foco em segurança alimentar, inclusão e economia da floresta em pé – enquanto 34% apoiam cadeias da bioeconomia de forma mais ampla.

O levantamento analisou 141 instrumentos financeiros ativos nos oito países da região e revela um ecossistema diverso, porém fragmentado. Embora haja variedade de mecanismos, que vão de subsídios e fundos de capital aos instrumentos como créditos de biodiversidade e trocas de dívida por natureza, o principal desafio identificado não é a ausência de recursos, mas a dificuldade de acesso para empreendedores locais e a inadequação dos modelos financeiros às realidades territoriais da Amazônia.

“Os resultados do estudo mostram que há recursos disponíveis, mas ainda pouco adaptados à realidade de quem conserva, vive e produz na Amazônia. Precisamos de mecanismos que partam do território, com governança transparente, critérios mais compatíveis e instrumentos de de-risking adequados, para que o capital chegue de fato às cadeias produtivas da sociobioeconomia”, afirma Gabriel Ribenboim, CEO e cofundador da Impact Finance.

O estudo também aponta que 57,5% operam com financiamento combinado, integrando capital público, privado e filantrópico, estrutura considerada estratégica para reduzir riscos e ampliar o fluxo de investimentos voltados a cadeias sustentáveis e inclusivas.

O estudo completo “Financiando a Bioeconomia da Pan-Amazônia” pode ser acessado no site: naturefinance.net.

Impact Finance

A participação da Impact Finance no estudo reflete a atuação prática no ecossistema de finanças de impacto socioambiental no Brasil. A organização tem se consolidado como uma aliada estratégica de negócios da bioeconomia ao estruturar soluções financeiras que combinam capital público, privado e filantrópico, com atenção especial à governança, ao desenho de instrumentos híbridos e à mensuração de impacto socioambiental.

Diferentemente de instituições financeiras tradicionais, a Impact Finance foi concebida para colocar o impacto socioambiental no centro da tomada de decisão. Estruturada como uma plataforma integrada de finanças sociais e ambientais, no conceito de um one-stop-shop, ou seja tudo num só lugar, e atende tanto quem busca alocar e monitorar capital com impacto, quanto quem precisa acessar recursos de forma estruturada, transparente e alinhada aos resultados socioambientais.

O modelo combina produtos financeiros, como conta digital, cartão e crédito, uma infraestrutura digital de gestão de finanças e metas sociais e ambientais – o Impact Map –, com a oferta de serviços especializados de estruturação e gestão. Tudo pensado para que empresas e organizações da sociedade civil acessem diretamente produtos financeiros e ferramentas de gestão, com inteligência artificial, que facilitem a organização dos recursos, o controle financeiro, o monitoramento e o reporte de resultados socioambientais.

Um dos mecanismos operados pela plataforma é o ‘Amazon Food&Forest’, que combina crédito, assistência técnica e critérios robustos de gestão social e ambiental para apoiar cadeias produtivas sustentáveis que mantêm a floresta em pé.

Negócios de impacto

A Impact Finance integra o portfólio de negócios da AMAZ, aceleradora de impacto coordenada pelo Idesam, voltada ao fortalecimento de empreendimentos que nascem e operam a partir da Amazônia rural. Além da jornada de aceleração com mentorias estrategicamente customizada de acordo com o perfil e a fase do negócio, a AMAZ oferece suporte financeiro e estratégico para iniciativas que enfrentam desafios semelhantes relacionados à gestão de recursos, acesso a capital e sustentabilidade financeira, além de promover a conexão entre os diversos atores da sociobioeconomia, como os próprios 16 negócios, que estão atualmente ativos no portfólio da AMAZ

Um dos exemplos dessa atuação é o Fundo Tucum, mecanismo voltado ao financiamento da sociobioeconomia indígena por meio de iniciativas de geração de rendas sustentáveis, financiáveis e com risco controlado. A iniciativa busca promover o desenvolvimento econômico de comunidades indígenas, valorizando os conhecimentos tradicionais e recursos naturais, ao mesmo tempo em que fortalece a preservação ambiental e cultural.

Com metas projetadas para cinco anos, o Fundo Tucum pretende beneficiar mais de 2.400 artesãs em 31 territórios, envolvendo 54 etnias em três biomas, Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica, abrangendo cerca de 32 milhões de hectares de Terras Indígenas e Áreas Protegidas. A Impact Finance atua na estruturação financeira da iniciativa, contribuindo para a organização dos fluxos de recursos e para a consolidação de critérios socioambientais e de governança.

“Essa parceria entre a Tucum e a Impact Finance, ambos negócios do portfólio da AMAZ, trouxe apenas benefícios para as duas empresas. Estamos sempre nessa escuta ativa com os negócios, promovendo conexões entre eles, fazendo pontes entre investidores anjos, além das mentorias específicas, customizadas de acordo com as necessidades de cada iniciativa”, explica Gabriela Souza, líder de novos negócios do Idesam e gestora da Amaz.

foto amaz (Site)

Do paladar ao investimento: açaí entra em nova fase de valorização na Amazônia

Texto: Maxi Mídia Comunicação

Imagem: Divulgação/Tribo Superfoods

Símbolo da Amazônia e querido no mercado global de superfoods, o açaí é hoje uma das cadeias produtivas mais fortes da bioeconomia brasileira. Só no Pará, o estado que mais produz o fruto no país, mais de 150 mil famílias dependem diretamente da atividade para gerar renda. O produto, que já conquistou nutricionistas, atletas e consumidores em todo o mundo pelos seus nutrientes e pelo sabor marcante, agora dá um novo passo rumo à inovação: está entrando no universo da tokenização.

A Tribo Superfoods e a ForestiFi, ambas startups apoiadas pela Amaz Aceleradora de Impacto, concluíram a primeira operação de tokenização do açaí, realizada em Igarapé-Miri (PA). A emissão privada levantou R$ 200 mil em recursos, com a venda de 8 mil tokens, todos adquiridos por investidores qualificados. O montante será destinado à cadeia produtiva local, fortalecendo a relação entre produtores, indústria e mercado.

A tokenização é uma tecnologia baseada em blockchain, que permite transformar um ativo real — como a safra de açaí — em um ativo digital, o “token”. Cada token representa uma fração de valor daquele ativo, permitindo que investidores apoiem a operação e recebam retorno atrelado ao desempenho real da produção. Mais do que uma forma de captação de recursos, a tokenização garante rastreabilidade e transparência em toda a cadeia: desde o produtor até o consumidor final.

De acordo com Maurício Pantoja, cofundador da Tribo Superfoods, essa inovação chega para resolver um problema histórico da cadeia do açaí: o baixo valor repassado aos pequenos produtores.

“O açaí é um produto com alta demanda, mas tratado como commodity. Os pequenos produtores acabam perdendo margem, enquanto o consumidor lá na ponta está disposto a pagar mais por um fruto com qualidade, procedência e impacto positivo. A tokenização garante que essa diferença de valor seja distribuída de forma justa, beneficiando quem realmente cuida da floresta”, explicou o empresário.

Maurício Pantoja, cofundador da Tribo Superfoods (Divulgação/Tribo Superfoods)

A Tribo Superfoods atua com a produção de polpa pura de açaí, sem aditivos, que é vendida para outras empresas inclusive para exportação. A ForestiFi, por sua vez, ficou responsável pela estruturação e emissão dos tokens. De acordo com Macaulay Abreu, cofundador da plataforma de investimentos, a operação busca não apenas captar recursos, mas testar e aprimorar um modelo de investimento escalável para as cadeias da sociobioeconomia amazônica.

“A cadeia do açaí tem um potencial muito grande para ações de investimento via tokenização. Essa primeira operação nos ajuda a entender os desafios específicos do setor e a planejar o aumento dos volumes investidos nos próximos anos”, afirmou.

Segundo Macaulay, a tokenização também traz ganhos diretos de eficiência para o operador, neste caso, a Tribo Superfoods, permitindo a antecipação de recursos e
garantindo capital de giro imediato para a compra da produção das cooperativas. “Antes, os pagamentos podiam levar dias. Agora conseguimos pagar no dia, o que facilita para os produtores e dá agilidade ao operador”, explicou.

Para os produtores de Igarapé-Miri, o avanço da tokenização representa um marco para uma cadeia que sustenta milhares de famílias e mantém viva a economia local baseada na floresta. O produtor Leubaldo Costa, da cooperativa Caepim em Igarapé-Miri (PA), destaca que o açaí sempre desempenhou um papel central no município. Segundo ele, o fruto é tanto a base alimentar das famílias quanto o principal motor econômico da região.

“O açaí garante que a gente vista nossos filhos, coloque eles na escola, melhore nossa casa e nosso transporte. Foi ele que ajudou o município a superar períodos de muita dificuldade. Hoje, é o que mantém nossas famílias de pé”, afirmou.

Leubaldo reforça que a parceria com a Tribo Superfoods tem contribuído para fortalecer esse modelo sustentável. Segundo o produtor, a empresa trouxe conhecimento técnico e novas ferramentas para ampliar a qualidade e o valor do produto, em conjunto com o compromisso da própria comunidade com boas práticas de produção e preservação ambiental.

“Nós já produzimos com consciência e respeito à floresta. A Tribo chegou para somar, com inovação e novas experiências, fortalecendo o que já fazemos. Esse modelo traz esperança de uma renda mais justa e de um futuro melhor para os produtores e para a floresta”, completou.

(Divulgação/Tribo Superfoods)

Parcerias que dão bons frutos

A Tribo Superfoods e a ForestiFi são startups em aceleração pela Amaz Aceleradora de Impacto, programa que tem como missão impulsionar negócios da sociobioeconomia amazônica e promover o desenvolvimento sustentável na região.

Ambas iniciaram sua jornada de aceleração neste ano, a iniciativa reforça um dos pilares do programa: fomentar conexões estratégicas entre empreendedores, investidores e comunidades locais para fortalecer modelos de negócios que geram impacto positivo e renda na floresta.

“Para além do fortalecimento individual de cada um dos negócios apoiados e investidos, o objetivo da Amaz como dinamizadora de ecossistema é viabilizar soluções coletivas – que empreendedores e negócios se encontrem um ambiente colaborativo e seguro para implementar inovações que alavancam seus impactos positivos e, também, seu modelo de negócio. A operação conjunta entre Tribo e ForestiFi evidencia que, quando bem articulada e intencional, a cooperação tem potencial de gerar uma grande vantagem competitiva para o setor”, explica Gabriela Souza, gestora de operações da Amaz.

Mulheres indígenas tecendo cestarias (Divulgação/Tucum)

Tucum: o marketplace indígena que transforma arte em renda e floresta em futuro

Texto: Maxi Mídia Comunicação

Imagem: Divulgação/Tucum

Em 2025, a Tucum celebra 12 anos de uma trajetória dedicada à valorização da arte, dos saberes e das culturas dos povos indígenas. Desde sua fundação, a plataforma vem se consolidando como o primeiro marketplace indígena do Brasil, com curadoria cultural, relações de longo prazo e impacto socioambiental.

A Tucum é um dos negócios do portfólio da Amaz Aceleradora de Impacto, iniciativa coordenada pelo Idesam para fomentar startups que têm impacto socioambiental na Amazônia. A marca entrou no programa de aceleração em 2019, ainda na fase de organização do negócio, e desde então vem ampliando sua estrutura, processos e capacidade de impacto. Além do aporte financeiro, a Tucum recebeu uma mentoria customizada e segue sendo acompanhada enquanto se consolida como uma microempresa B2C, ou seja, um negócio de pequeno porte que comercializa diretamente para o consumidor final.

Plataforma de e-commerce da Tucum (Divulgação/Tucum)

“O apoio da AMAZ é definido conforme as necessidades do negócio. Equilibrando construções coletivas com profundidade individual, o trabalho com a Tucum, de 2019 a 2025, reflete o quanto devemos adaptar nossa jornada e gestão de portfólio ao estágio em que o negócio se encontra, gerando valor estratégico, viabilizando conexões e acesso a mercado, conforme a sua capacidade, em constante expansão”, explica Gabriela Souza, líder de Novos Negócios do Idesam e de operações da Amaz.

A trajetória da Tucum começa em 2013, a partir da vivência da fundadora, Amanda Santana, com os povos Kayapó e Krahô, uma experiência que transformou sua visão sobre arte, território e ancestralidade. No encontro, surgiu a ideia de criar um negócio capaz de aproximar pessoas e culturas, compartilhando os conhecimentos que vêm da floresta e reconhecendo a arte indígena como tecnologia de vida, memória e resistência.

Amanda Santana, fundadora da Tucum com as mulheres indígenas do Alto Rio Negro (Divulgação/Tucum)

Hoje, a Tucum atua em parceria com centenas de comunidades indígenas em todas as regiões do Brasil, mobilizando mais de 2.500 artesãs e artesãos, que encontram no propósito da Tucum, um canal direto de comercialização, autonomia e geração de renda. Na Amazônia, essa atuação abrange nove Estados, 56 territórios e quatro unidades de conservação.

Esse avanço acontece em um contexto em que mensurar impacto socioambiental na Amazônia é um desafio compartilhado por todo o ecossistema, devido à vastidão dos territórios e ao tempo necessário para mudanças reais. Ainda assim, o portfólio da AMAZ já demonstra resultados expressivos, com área total de influência estimada em 6,4 milhões de hectares e mais de 1.959 famílias impactadas. O portfólio da aceleradora conta com 16 negócios que atuam na área de turismo, cosméticos, moda e arte, produtos alimentícios e ingredientes, agricultura e reflorestamento e logística.

Arte e ativismo caminham juntos

Para Washamani Mehinako, talentoso artista da aldeia Kaupuna – localizada no território do Alto Xingu, a inspiração vem da natureza e das tradições culturais de seu povo. Ele aprendeu com seu tio, Anapuatã Mehinako, a fazer peças, inspiradas nos animais, o que simboliza a profunda conexão espiritual e cultural do Povo Mehinako com a natureza. Além disso, Waxamani cria máscaras que representam o espírito da ararinha, guardiã dos rios e peixes. As telas são influenciadas pelas pinturas corporais, com grafismos e escamas de peixe e olhos de peixes, símbolos profundamente enraizados nas tradições Mehinako, especialmente em festas e rituais.

“Desde que conheci a Amanda, ela abraçou o meu trabalho e colocou minhas pinturas na loja. A Tucum me ajuda não só com as vendas, mas com divulgação, fazendo meu nome chegar mais longe. Ela abraça artes de muitos povos do Brasil, e eu estou no meio dessa rede. Espero que a parceria siga forte, para que minhas obras continuem viajando e chegando a mais pessoas”, declarou o artista.

Washamani Mehinako produz telas como forma de expressão artística (Divulgação/Tucum)

Ao longo desses 12 anos, coleções, exposições, experiências e processos de formação desenvolvidos pela empresa são convites para repensar o consumo, a estética e a própria ideia de desenvolvimento, colocando os povos indígenas como protagonistas na construção de futuros mais diversos, plurais e possíveis. A Tucum possui o selo Origens e abriu uma loja física no Rio de Janeiro em 2024.

“Há 12 anos, a Tucum celebra diariamente a Amazônia, valorizando e honrando os povos que mantêm nossa grande floresta de pé. Em um momento em que as mudanças climáticas se tornam cada vez mais urgentes, reconhecer, ouvir e caminhar ao lado dos guardiões da floresta é essencial para mitigar seus impactos. Essa é a missão da Tucum, pois entendemos a importância de nos tornarmos aliados das causas indígenas nos dias de hoje”, afirmou Amanda.