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Tucum é uma das vencedoras do Prêmio Empreender com Impacto Latam, do Mercado Livre

Representante do Brasil na etapa final da segunda edição do Prêmio Empreender com Impacto Latam, a Tucum, representada pela empreendedora Amanda Santana, ficou em segundo lugar dentre seis semifinalistas e recebeu um prêmio de 10 mil dólares para impulsionar o negócio.

O primeiro lugar ficou com o empreendimento Ecocitex, do Chile, que recebeu 20 mil dólares. E na terceira posição, escolha do público, ficou o projeto Cerrando El Ciclo, do México, que recebeu o prêmio de 5 mil dólares.

Os vencedores se destacaram dentre 614 participantes do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, México e Uruguai. A premiação foi anunciada em um encontro virtual, que reuniu os semifinalistas e o júri composto por referências em empreendedorismo, inovação social e negócios de impacto da região.

A Tucum tem como foco a comercialização de arte tradicional de povos indígenas e ribeirinhos do Brasil, atuando junto a organizações e iniciativas indígenas na formação e capacitação com propósito de promover, valorizar e difundir a diversidade cultural brasileira. 

Com 10 anos de atuação na Amazônia, o empreendimento fomenta a autonomia dos povos indígenas, promovendo geração de renda e autonomia, fixação no território, manutenção da cultura e saberes tradicionais e o reconhecimento e valorização da produção artesanal.

“Muitas pessoas ainda se espantam com o nosso negócio, que é inusitado ao unir povos indígenas ao ambiente digital. Esse prêmio é um reconhecimento muito importante, que mostra que estamos no caminho certo. Queremos quebrar paradigmas e preconceitos. O Mercado Livre é um parceiro na nossa jornada, apoiando, oferecendo conteúdo e dando segurança para seguirmos com energia renovada nessa jornada. E com o Empreender com Impacto vem para fortalecer essa rede de impacto e os pequenos empreendedores que ainda estão por vir”, diz Amanda Santana, criadora da Tucum.

O Empreender com Impacto faz parte da estratégia de sustentabilidade do Mercado Livre e, no Brasil, é articulado pela Consultoria Giral Viveiro de Projeto, e contou com conteúdo produzido a partir da inteligência de mercado do Mercado Livre e da ampla experiência com empreendedorismo e inovação social dos parceiros Semente de Negócios – aceleradora que atua no desenvolvimento de negócios inovadores desde 2011 – e a Coalizão Éditodos – grupo de organizações do ecossistema de empreendedorismo negro, que atua coletivamente para promover o empreendedorismo na base da pirâmide.

Em 2020, o Programa buscou se somar à crescente demanda do ecossistema de empreendedorismo de impacto no Brasil, apoiando empreendedores e empreendedoras no fortalecimento de estratégias comerciais, no acesso a mercados de forma eficiente e sustentável e na potencialização de seus benefícios para a sociedade.

“O Empreender com impacto busca potencializar empreendedores latinoamericanos que geram benefícios sociais e ambientais por meio dos seus negócios, de forma que a vitória da Tucum é bastante simbólica, não apenas pela importância da Amazônia para a América Latina, mas pelo fato de contribuir para a geração de renda e para a conservação da floresta por meio da valorização dos saberes tradicionais” afirma Laura Motta, Gerente de Sustentabilidade do Mercado Livre.

Nova plataforma

A Tucum lançou este mês um marketplace que pretende reunir lojas dos grupos indígenas que produzem artesanato e com os quais vem trabalhando nesses 10 anos de atuação.

As três primeiras lojas são da Galeria Amazônica, loja da Associação Comunitária Waimiri Atroari, da Meprodjá – Arte Kayapó e da Tecê-AGIR, Arte das Guerreiras de Rondônia. A Tucum segue sendo uma das lojas no market place, e comercializa artesanato dos outros grupos até que estejam preparados para terem autonomia com suas próprias lojas.

“Essas iniciativas trabalham há muito tempo com artesanato e agora querem se posicionar online. E a Tucum vai ser essa plataforma, que vai possibilitar que eles realizem esse sonho”, avalia Amanda Santana. Todas as fotos, ensaios e mídia foram feitos pelos grupos indígenas. “Todo o processo foi feito por eles, queríamos que eles sentissem como é o trabalho online e percebessem que só depende deles. Damos suporte sempre que necessário.”

Em outubro, a Tucum deu início a uma experiência de ensino à distância junto a lideranças indígenas: o programa Capacitação de Gestores Indígenas em venda online de artesanato. A iniciativa foi montada a partir da premissa de preparar essas lideranças para efetuarem suas vendas em qualquer plataforma online, seja no marketplace da Tucum, em site próprio ou ainda em redes sociais como Facebook e Instagram. Essas três primeiras lojas são resultado deste trabalho.

A nova plataforma da Tucum traz um mapa do Brasil onde é possível visualizar todas as etnias que trabalham com o empreendimento, a localização dos artesanatos e os impactos causados, dentre muitos outros dados. “Convidamos todos a comprar na floresta por meio da plataforma Tucum e perceber o impacto positivo que isso causa”, celebra Amanda.

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De Mendes e CBKK se associam para escalar produção de chocolates

A CBKK S/A, nova empresa com foco em investimentos que se traduzam em impactos socioeconômicos e ambientais na origem, liderada pelo empresário Stefano Arnhold (ex TecToy), anunciou acordo e associação com o chocolatier amazônida Cesar De Mendes na empresa Chocolates De Mendes.

O objetivo é escalar a produção da fábrica sediada no Pará, mirando o mercado nacional e internacional de chocolates finos e sustentáveis. A De Mendes já vinha sendo procurada por outros investidores, mas não houve a sinergia encontrada agora com a CBKK.

“Essa negociação começou mais ou menos em agosto, e a importância dessa relação passa, principalmente, pela ampliação do que a gente já faz. Vamos intensificar os impactos socioambientais, o que sempre foi um grande foco da nossa empresa. Hoje temos impacto direto em cerca de 3.500 pessoas e em 300 mil hectares de floresta. Isso nos agrada, mas ao mesmo tempo incomoda, porque há muita coisa a fazer. A Amazônia é uma região gigante. A depredação da floresta acontece numa velocidade alta, precisamos ter respostas. E a ampliação da escala de atuação da De Mendes com a chegada da CBKK ajuda nisso, ” avalia César De Mendes.

A associação traz uma meta ambiciosa: impactar diretamente 50 mil pessoas e contribuir para a conservação de pelo menos 1 milhão de hectares de floresta até 2025.

Marcello Brito, ex-Agropalma e hoje CEO da CBKK S/A, destaca que a associação é a somatória de muito conhecimento mercadológico com o conhecimento de floresta e de cacau que só o chocolatier possui.

“Depois de 25 anos de atuação no Pará e na Amazônia em geral, percebo que a Amazônia é um lugar que tem tudo mas, ao mesmo tempo, precisa resolver processos legais. No caso da De Mendes, estamos ajustando toda a parte de legislação, regularização de planta, aplicação de boas práticas de fabricação, implantação de sistemas blockchain de controle de produção e de rastreabilidade de todo o cacau, e de um sistema de cálculo de carbono para mitigarmos as emissões de toda a operação, ” define Brito.

O CEO da CBKK destaca também a intenção de escala moderada em função do perfil do negócio, uma fábrica para produção de chocolates finos. “O que nós vamos fazer é usar todas as nossas habilidades para buscar os consumidores que valorizam esse tipo de produto, no Brasil e no exterior. Se crescermos demais, já vamos ter que usar cacau plantado, e seremos só mais um produtor concorrendo com os gigantes. Queremos manter o espírito do negócio, ser o produtor de chocolate que tem essa especificidade de trabalhar com as comunidades indígenas, quilombolas e com pequenos produtores. ”

De Mendes destaca a importância do acúmulo de experiência para consolidar essa associação: “O que nós somos hoje é a somatória de tudo o que já fizemos. Ter participado do Programa de Aceleração da PPA foi excelente nesse processo. Pelas conexões, pelo conhecimento compartilhado. Foi muito importante para amadurecermos enquanto negócio, entender o nosso papel e poder nos enxergar como um negócio sustentável. ”

“Estamos muito felizes com a celebração da parceria entre De Mendes e CBKK, porque o nosso grande objetivo com o Programa de Aceleração é ajudar as startups a se desenvolverem e captarem investimentos,” declara Mariano Cenamo, diretor de novos negócios do Idesam e coordenador do Programa de Aceleração da PPA. “Sem dúvida, a De Mendes está dando um passo importante na sua jornada, e temos certeza que a empresa terá um crescimento significativo na sua capacidade de geração de impacto positivo social e ambiental na Amazônia.” 

Integração de novas comunidades amazônidas

A De Mendes hoje trabalha em parceria com cerca de 32 comunidades e com cinco bases de pré-processamento de cacau. A associação com a CBKK vai permitir o trabalho com outros territórios indígenas, quilombolas e ribeirinhos.

Dentre os parceiros que em breve se integrarão ao processo estão os índios Suruí, Ashaninca e Huni Kuin (Kaxinawá). Comunidades ribeirinhas do Amapá, próximas do Mazagão, também. Por meio de parceria com as Fundações Orsa e Jari, a atuação se estenderá ao entorno do rio Jari.

De Mendes já tem relação com uma comunidade na região do Jari desde 2014, quando descobriu uma variedade de cacau inédita no local, não catalogada, que dá origem a uma das barras de chocolate produzidas hoje pela empresa.

“Essas regiões não foram escolhidas aleatoriamente. Comunidades indígenas têm nos procurado. Estamos com mais ou menos 20 comunidades indígenas no estado do Amazonas, na região do Maturacá, para visitar. Os índios têm um conhecimento muito grande da floresta e também da mobilidade em seus territórios. São excelentes parceiros na busca de cacau. Temos essa sorte de essas comunidades nos procurarem para parcerias, e com a aliança com a CBKK, conseguiremos avançar muito nesse sentido”, diz ele.

Com a pandemia da covid-19, o chocolatier trabalha no desenho e montagem de um tutorial audiovisual do treinamento do pré-processamento de cacau, que normalmente executa com as comunidades presencialmente. Haverá suporte online e, tão logo seja possível, serão programadas visitas in loco. Esse processo vai permitir a ampliação do número de comunidades assistidas.

CBKK tem metas ambiciosas para promover impacto na origem dos negócios

Composta por executivos ou empresários que em suas trajetórias foram tocados em algum momento pela Amazônia, a CBKK S/A tem entre seus membros pessoas que trabalharam em sistemas que buscavam uma escolha de sustentabilidade ambiental, social ou socioambiental.

Marcello Brito, o CEO da empresa, vem da área do agronegócio, tendo trabalhado 25 anos no Pará, e participado de diversas iniciativas multistakeholders no Brasil e no exterior.

Todos os membros da CBKK são também conselheiros da Conservação Internacional no Brasil. E dessa atuação surgiu a inquietação de atuar para impulsionar a economia da sociobiodiversidade na região.

“Colocamos um desafio à nossa frente: participar de 100 a 120 negócios de agora até dezembro de 2030. Negócios pequenos, nos quais a gente possa ter 50%, 10%, 5% de participação, ou não ter participação nenhuma, mas ser fornecedor de serviço. Ou ainda um intermediário com a filantropia. Não significa ser sócio de todos esses negócios, mas ter um link com eles, fortalecê-los, ” define Brito. Para entrar no radar da CBKK, esses negócios precisam também gerar impacto na origem, nas comunidades.

“Delimitamos uma região para isso: o bioma Amazônia, as regiões costeiras com manguezais ou investimentos ‘na água’ – por exemplo, desenvolvimento de fazendas de algas em comunidades que estejam localizadas na costa brasileira. ”

A CBKK está se associando também a uma empresa ligada a sistemas agroflorestais, com ampla experiência no Brasil e no exterior, com a expectativa de que os negócios apoiados tenham o conceito de sistema agroflorestal à sua volta.

“É um modelo ainda pouco explorado, temos muito o que aprender em termos de conhecimento, de fitossanidade, de interação radicular entre as plantas, interação nutricional. Mas esse é o futuro da agricultura moderna, ” pondera Brito. “Nada contra soja, milho, arroz,que fazem parte do processo bioeconômico. Mas o que mais podemos fazer além da bioeconomia tradicional para gerar algo diferente para a Amazônia? O tempo está correndo e estamos perdendo a guerra lá, e perdendo de sete a zero. ”

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Parceria com a Costa Brasil traz solução logística para os negócios amazônicos

Não é novidade que logística e acesso aos produtos da sociobiodiversidade amazônica estão entre os maiores desafios colocados aos negócios de impacto que atuam na região norte.

Uma das soluções encontradas para minimizar esse gargalo foi o estabelecimento de uma parceria entre Costa Brasil, Lothar Logística, Idesam e Climate Ventures, com o objetivo de promover, de forma sustentável, o acesso de marcas da sociobiodiversidade amazônica ao mercado nacional.

A parceria integra o movimento Amazônia em casa, Floresta em pé, que hoje congrega 16 marcas sustentáveis que atuam na Amazônia, a maior parte delas aceleradas pelo Programa da PPA.

A Costa Brasil é uma grande empresa especializada em transporte multimodal. Atua em todo o território brasileiro, entregando soluções customizadas de acordo com cada demanda, buscando agilidade, segurança e economia.

Pela parceria firmada, a Costa Brasil se compromete a realizar franquias de transferência semanal de cargas nas rotas Manaus-São Paulo e São Paulo- Itajaí, além de armazenagem nas localidades de Manaus, São Bernardo do Campo, Guarulhos e Itajaí. Se responsabiliza também pelo serviço de manuseio (etiquetagem e embalagem dos produtos).

Esse arranjo logístico é, em si, um grande avanço para os negócios que geram impacto positivo na Amazônia, facilitando o acesso aos produtos, trazendo redução de frete e rapidez de entrega, já que os produtos ficam armazenados no sudeste do país.

“A Costa Brasil tem como um de seus pilares a sustentabilidade, por isso nosso compromisso com o meio ambiente é constante. Estamos felizes em apoiar o projeto Amazônia em casa, Floresta de pé, que vem para contribuir cada vez mais para um Brasil sustentável, ” afirma Sérgio Thomaz, CEO da empresa.

A parceria inclui ainda a elaboração de estudo e assessoria de logística da cadeia de cada empreendedor, além de investimento em estações sustentáveis de carga em geral (contêineres), em ações de fomento à cadeia sustentável, disponibilização de ferramentas/sistemas para otimização de frete, dentre outros pontos.

Para o coordenador do Programa de Aceleração da PPA e diretor de novos negócios do Idesam, Mariano Cenamo, a Costa Brasil traz muito valor para o Programa, contribuindo com excelência e uma enorme rede de transporte e logística, armazenamento e distribuição de produtos, colocada à disposição das startups.

“Este ano em especial ficou evidente o quanto é importante dominar essas operações para colocar os produtos de impacto da Amazônia em condições mais competitivas nos mercados do sul e sudeste do Brasil. Nós estamos construindo uma série de soluções de armazenamento, transporte, distribuição e estocagem, que já estão colocadas à disposição dos negócios, e esperamos que no futuro as soluções tendam a crescer cada vez mais. ”

Busca de soluções de logística e comercialização

A parceria é desdobramento da realização do Lab Amazônia: Desafio de Logística e Comercialização de Produtos da Sociobiodiversidade da Amazônia, realizado pela Climate Ventures,  Idesam e Plataforma Parceiros pela Amazônia, e que reuniu em Manaus, em junho do ano passado, cerca de 40 representantes de organizações e empresas para o desenho e posterior prototipagem de soluções.

Com a pandemia, vários dos negócios amazônicos se viram compelidos a implementar ou incrementar o e-commerce. As marcas, empresas e organizações, algumas delas participantes do Lab Amazônia,  se uniram e criaram o movimento Amazônia em casa, Floresta em pé, impulsionando a visibilidade e a comercialização para as marcas. E logo veio a celebração da parceria de logística.

Ricardo Lothar, da Lothar Consultoria, que participou do Lab Amazônia e vem ajudando a construir soluções, avalia que a chegada da Costa Brasil como parceira e operadora deste bloco de marcas amazônicas representa um marco e uma quebra de paradigma na relação inexistente entre grandes empresas de logística nacionais e os pequenos empreendedores de impacto na região.

“A Costa Brasil criará uma esteira logística virtual entre a Amazônia e o Sul e Sudeste do Brasil, com um entreposto, suspensão de tributo até a venda final e free time alongado de armazenagem, possibilitando que o produto amazônico esteja disponível para os grandes centros consumidores, com pronta entrega, sem onerar o empreendedor durante a fase de consolidação de marca e produto. A Lothar Consultoria, como parceira voluntária do Idesam e da PPA, cumpriu seu papel de ser orientador das soluções logísticas e prosperidade para os negócios de impacto na Amazônia, independentemente de seu tamanho. A Amazônia é solução, jamais um problema. ”

Curadoria de negócios e indicadores

A parceria também estabelece que Climate Ventures e Idesam farão a curadoria dos negócios sustentáveis aptos a se integrarem ao arranjo, a construção de indicadores de impacto socioambiental e a sistematização de uma base de dados resultantes das consultorias individuais de logística realizadas, buscando garantir transparência e monitoramento.

Para Floriana Breyer, da Climate Ventures, é muito significativo que a Costa Brasil tenha aceitado o desafio de vencer as distâncias amazônicas e abrir espaço em sua operação para transportar e armazenar cargas desses empreendedores. “Eles entenderam que, muito mais do que produtos, transportam floresta em pé e benefícios sociais. Parcerias como esta poderão escalar o movimento Amazônia em casa, Floresta em pé e levar a Amazônia para mais perto dos brasileiros, ajudando a consolidar a bioeconomia como vetor de desenvolvimento sustentável na região. ”

Vitor Galvani, também da Climate Ventures, destaca a importância da construção de indicadores para demonstrar que o valor dos produtos amazônicos vai muito além dos sabores e beleza, já que eles contribuem para manter a floresta em pé. “Um parceiro do porte da Costa Brasil pode nos apoiar nos indicadores de redução de custos logísticos e de tempo de entrega dos produtos para o sudeste do país. Isso impactará diretamente no aumento das vendas das marcas amazônicas. Além disso, essa parceria trará benefícios na redução da pegada de carbono na logística tradicional que os empreendimentos usavam, dado que priorizaremos o modal marítimo de forma otimizada. ”

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Taberna da Amazônia reformula modelo de negócio durante a pandemia

Promover a conexão dos produtos da sociobiodiversidade amazônica com os brasileiros, criando elos mais curtos na cadeia de produção e vínculos mais diretos entre pequenos produtores da região norte e consumidores, é o centro da atuação da Taberna da Amazônia.

Anne Karoline Mello, fundadora da Taberna, é designer. Deu aulas durante um tempo, estudou e trabalhou com ecodesign, pesquisa de materiais, fez pós-graduação em gestão ambiental, trabalhou com o órgão de fomento à pesquisa do estado do Amazonas e cursou mestrado em design e sustentabilidade no Rio de Janeiro. 

Nascida em Manaus, ela passou por todas essas experiências antes de retornar às suas origens. E o modo que ela encontrou para esse retorno, tendo em vista as relações tecidas no Rio, onde vive e criou a Taberna, foi estabelecer uma ponte entre o sudeste e os pequenos produtores amazônicos.

O começo foi limitado à venda de castanhas produzidas pelo pai, como também de biscoitos de castanha para amigos. Aos poucos, com a aceitação e o interesse do público, foi ampliando os produtos oferecidos, passou a participar de feiras e até teve por um tempo uma loja física no Rio.

Funcionando de modo itinerante até o início de 2020, a Taberna da Amazônia participava de eventos oferecendo biscoitos de castanha, bombons de cupuaçu, castanha, chocolate com cacau nativo da floresta, jujuba de cupuaçu com mangarataia, cachaça de jambu, tucupi, geleias, tapioca, pimentas e farinhas, entre muitas outras delícias produzidas por comunidades amazônicas.

“Cresci numa família que tem uma conexão muito forte com o interior do estado do Amazonas. Minha família por parte de pai é proveniente do Purus, sempre trabalhou com extração e comércio de produtos in natura, e eu cresci vendo esse processo. Achava tudo aquilo muito grandioso, mas aquela realidade não parecia adequada para mim, porque tinha nascido na cidade de Manaus, estudava, queria sair, conhecer o mundo. Saí, estudei e, nessa volta, depois de fazer todo um estudo de meio ambiente e lidar com públicos diversos, fui entendendo a integração do que eu tinha feito com o reconhecimento do valor de onde eu nasci e o que os meus pais fazem. A Taberna é parte disso”, conta Anne.

Período de isolamento trazido pela pandemia inspira redesenho do negócio

Com a pandemia da covid-19, a Taberna da Amazônia teve uma queda de mais de 50% no faturamento. Anne usou o tempo livre para reformular o negócio, investigando áreas que demandavam melhor organização e trabalhando na ampliação da oferta de produtos.  

A alimentação continua sendo o forte da Taberna, mas produtos e serviços de outros nichos serão agora agregados ao catálogo.

 “Essa ampliação foi pensada a partir de demandas dos nossos clientes, que pediam itens de beleza e saúde. Além disso, quando surgiu o nome Taberna da Amazônia, já veio uma vontade de levar uma grande diversidade de produtos da floresta para o mundo. Era um sonho que eu achava muito distante, mas que agora, por meio de uma nova plataforma online, fica mais viável”, avalia Anne.

Entre as novidades, que podem ser conferidas no início de dezembro – mês em que o negócio completa quatro anos – estão um novo site com e-commerce em funcionamento, além da disponibilização de kits de produtos em charmosos paneiros (que podem ser adquiridos de forma avulsa ou por assinatura) e a divulgação de expedições amazônicas que promovem vivências com turismo comunitário em parceria com organizações locais.

 “A intenção é ter um Marketplace para pequenas iniciativas locais que atuam com expedições temáticas e em comunidades. A relação estabelecida com as iniciativas de turismo é de apoio na divulgação. Eu já costumava sugerir roteiros para clientes que pediam dicas para viagens à Amazônia. A Taberna agora vem como um apoio na divulgação dessas iniciativas por meio de seu site e redes sociais”, diz Anne.

Os paneiros, tecidos em fibra de arumã pelos Tikuna, também podem ser percebidos como vivências, na medida em que categorizam os produtos da Amazônia em quatro opções: Paneiro Pai D’água (produtos mais queridos da Taberna, como biscoitos, doces e bombons), Paneiro Pavulagem (traz produtos um pouco mais sofisticados ao paladar, pimentas, conservas, molhos, licores, geleias e chocolates), Paneiro Fit (produtos relacionados a dietas mais saudáveis e prática de esportes, com granolas, castanhas, guaraná) e Paneiro Caboquinho (reúne a cesta básica do nortista e traz itens como farinhas, tucupis, doces, café etc).

Em 2021, o leque de opções da Taberna passa a englobar itens de saúde, beleza e artesanato da floresta.

Mentoria oferecida pelo Programa foi fundamental na mudança

A intenção de expandir produtos e serviços já existia, mas ganhou ainda mais força com a mentoria de Hilton Menezes, CEO da Kyvo, oferecida pelo Programa de Aceleração da PPA, focada em modelo de negócio.  

“Ele tem sido uma peça fundamental dentro do processo de reestruturação do negócio. Eu atuo sozinha em todas as frentes da empresa, e a tomada de decisões acaba sendo um processo solitário e difícil. O mentor me ajudou a organizar as ideias em planilhas, quadros e visualizar os caminhos possíveis para o negócio”, avalia Anne. O processo também ajudou na investigação da jornada do cliente, escolha da melhor plataforma para o e-commerce e no financeiro. Os demonstrativos de 2020 já estão fechados e o negócio entra em 2021 com um planejamento financeiro desenhado.

Outra mudança importante é a localização do estoque, que em dezembro passa a ocupar um centro de distribuição em Botafogo, no Rio de Janeiro, o que vai facilitar o processo de entrega de produtos com delivery para a cidade e o envio dos produtos para outras partes do país. Os produtos ficavam em Manaus, o que acabava encarecendo bastante o frete para o consumidor.

“Todo o processo de aceleração está sendo muito proveitoso. Finalizo o ano enxergando de verdade a minha empresa. E com o objetivo de implementar o e-commerce alcançado. Além das dívidas pagas, com apoio do próprio Programa, que disponibilizou aporte de capital de giro por causa da pandemia, para ajudar os negócios a passarem por essa fase. Mais tranquilidade para crescer e faturar mais em 2021”. 

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Jornada digital do Programa de Aceleração em 2020 trouxe aprendizados e oportunidades

Com as limitações impostas pelo isolamento social na pandemia da covid-19, as atividades do Programa de Aceleração da PPA, planejadas em sua maior parte para serem realizadas em encontros presenciais com os empreendedores, foram transformadas em uma jornada digital.

A turma acelerada em 2020 participou de um encontro presencial de cinco dias em fevereiro, imersão fundamental para estabelecer laços entre os empreendedores e também para e elaboração das Teorias de Mudança de cada negócio.

A partir de então, com a epidemia avançando, a coordenação do Programa de Aceleração tratou de buscar alternativas para continuar o ciclo de capacitação previsto para se desenvolver ao longo do primeiro semestre de 2020.

Uma jornada digital foi desenhada, e incluiu ampliação de conteúdo e de facilitadores e parceiros – a não necessidade de deslocamento para encontros presenciais facilitou a compatibilização das agendas – e também a distribuição das atividades ao longo de todo o ano, o que proporcionou mais tempo para a absorção dos conteúdos.

Empreendedores, a equipe do Programa e facilitadores se conectaram por meio de webinars, que proporcionaram, além do compartilhamento de conteúdos, momentos de troca e construção coletiva.

Para a coordenadora do Programa de Aceleração, Ana Carolina Bastida, o novo formato trouxe o desafio de conseguir manter a interação entre os empreendedores e entre os empreendedores, facilitadores e parceiros do Programa, muito rica nos encontros presenciais.

“Essa interação tem sido fundamental para os empreendedores estabelecerem parcerias, trocarem lições aprendidas e experiências, porque vivem a mesma realidade e o desafio de empreender na Amazônia. E a gente conseguiu trazer essa interação, mesmo à distância, por meio dos formatos participativos dos módulos. Os negócios tiveram espaço para interagir e conversar na resolução de exercícios e desafios propostos pelos facilitadores”, avalia Ana.

A jornada digital ofereceu módulos de aprendizado sobre proposta de valor, canais digitais de venda, logística na Amazônia, branding e comunicação, inteligência operacional, planejamento financeiro, gestão contábil e precificação.

Além disso, foram promovidas três rodas de conexão: Empreendedorismo e negócios na Amazônia, com Ricardo Abramovay; Gestão de pessoas e autocuidado, com Regina Erismann; e Exportação de produtos sustentáveis, com Edy Chammah, da Brazil Global.

A coordenação do Programa avalia que o novo formato trouxe mais eficiência por reduzir custos de logística e tempo de deslocamento. E também mais eficiência na absorção do conteúdo em si, pela distribuição mais espaçada dos módulos ao longo do ano.

“ O ciclo de capacitação em formato digital trouxe oportunidade para os empreendedores se conectarem, de vários pontos da Amazônia, a facilitadores parceiros em todo o Brasil. Os encontros ajudaram no processo de organização frente à crise pandêmica, e trouxeram conteúdos e parcerias estratégicas para os negócios, como logística e exportação”, avalia Guilherme Faleiros, analista de novos negócios do Idesam.

Conexão e aprendizados

Workshop realizado em fevereiro, em Manaus

Para Saulo Thomas, da ONF Brasil, as atividades oferecidas contemplaram as necessidades do negócio, em especial os módulos voltados a logística e estratégia organizacional. “Esses aprendizados nos ajudaram a pensar em organizar a casa primeiro, antes de partir para coisas novas. A diversidade dos módulos foi muito interessante, temas como branding e comunicação foram muito novos para nós.”

Maria Eugênia Tezza, da Academia Amazônia Ensina, destaca que o Programa possibilitou o desenvolvimento de habilidades estratégicas para a continuidade do negócio. “Ficou realmente delicada a situação por causa da pandemia, mas com o apoio do Programa de Aceleração da PPA e de nossos expedicionários e expedicionárias, conseguimos passar esse período. A jornada digital trouxe um formato muito interessante, que conseguiu nos manter conectados. Ainda bem que nosso primeiro evento conseguiu ser presencial, para que todos pudéssemos nos olhar e nos sentir parte de um grupo unido em prol de um empreendedorismo consciente e engajado. Isso fez com que as atividades online proporcionassem mais conexão entre nós.”

Após os módulos da jornada digital, nos quais que teve aproveitamento maior no tema de comunicação e branding, a Academia Amazônia Ensina contratou um profissional de comunicação e trabalha atualmente no rebranding do negócio. 

Hélia Félix, da Cacauway, avalia que o novo formato trouxe muito aproveitamento, e ainda possibilitou que mais pessoas da equipe participassem das formações: “Em cada atividade, organizamos pequenos grupos de pessoas que se identificassem com o tema. Foi uma jornada intensa e de muito aprendizado.”

A jornada digital trouxe também a possibilidade de ampliar o número de participantes nas rodas de conexão e outras atividades, reunindo empreendedores do ciclo de 2019 aos do ciclo de 2020, e ampliando ainda mais a interação e a troca entre os integrantes das duas turmas.

Para Tainah Fagundes, da Da Tribu, acelerada em 2019, o Programa possibilitou oportunidades de atualização e de proximidade com as novas iniciativas aceleradas este ano, estabelecendo conexões e a possibilidade de trocas.

Joanna Martins, da Manioca, também acelerada em 2019, destaca a riqueza das atividades oferecidas: “O Programa tem nos ajudado muito em conexões e conhecimento, de uma maneira fora da curva se compararmos a outras iniciativas e grupos dos quais a gente participa. Isso tem trazido enriquecimento e resultados muito positivos para a Manioca”. 

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Ingredientes amazônicos são utilizados em bebidas inovadoras

Não é de hoje que sabores genuinamente amazônicos têm encantado chefs e inspirado receitas de comidas e de bebidas. 

Recentemente, a Kiro, produtora de um tipo de bebida relativamente nova no mercado (o switchel), mas já com grande aceitação entre o público consumidor, desenvolveu dois novos sabores: Maçã + Pimenta Jiquitaia e Cumaru + Cupuaçu.

A pimenta Jiquitaia, indígena é fornecida por comunidades do Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro, indicada pelo Origens Brasil. Já o Cumaru é fornecido pela Manioca, negócio que integra o portfólio do Programa de Aceleração e Investimento de Impacto da Plataforma Parceiros pela Amazônia. O Cupuaçu vem do sul da Bahia, produzido em uma fazenda familiar.

Comprometida com a cadeia produtiva e a rastreabilidade dos ingredientes, buscando a valorização do agricultor e o resgate da relação entre cidade e campo, a Kiro trouxe para o país a categoria de switchel, que embora tenha origem incerta, já era popular entre os trabalhadores rurais norte-americanos desde meados do século XVII como um isotônico natural. No Brasil, o produto se posiciona como alternativa a bebidas alcoólicas, sendo comercializado em bares, restaurantes e também pelo site.

Ingredientes amazônicos cada vez mais valorizados

“Já tínhamos o desejo de lançar novos sabores há um tempo, mas por vários desafios que surgiram ao longo da nossa trajetória, esse plano acabou sendo adiado. Fizemos muitos testes de receitas, sabores, frutas, sementes, enfim, e acabamos decidindo por esses sabores que lançamos agora”, diz Leeward Wang, um dos sócios fundadores da Kiro. “Cuidamos muito da origem dos ingredientes, e todas as histórias que eles trazem dão muita força para o produto, porque são ingredientes muito preciosos. ”

A conexão com os fornecedores amazônicos foi feita pelo AmazôniaHub, negócio de impacto localizado em São Paulo que conecta pequenos e médios produtores da Amazônia com consumidores em todo o Brasil. Rodrigo Ribeiro, do time da Kiro, fez o contato.

“Conheci o Rodrigo há alguns anos, quando ele trabalhava em uma iniciativa de conserva de pirarucu com óleos amazônicos. Nos reencontramos esse ano, no Galpão Biomas do Instituto Auá. Eles conversavam sobre o Cambuci, da Mata Atlântica, e começamos a falar sobre matérias primas amazônicas. Ele levou amostras de frutas e sementes para testes, e logo começamos a apoiá-los na busca dos fornecedores”, diz Kaline Rossi, CEO e co-fundadora do AmazôniaHub,

O AmazôniaHub tem feito pontes com vários parceiros para o fornecimento de ingredientes amazônicos em São Paulo, Curitiba, e mais recentemente com um comprador alemão que comercializa óleos e manteigas vegetais para fins cosméticos.

A Manioca, que fornece o Cumaru para a Kiro, começou sua trajetória abastecendo chefs de grandes restaurantes do Brasil com os sabores amazônicos, e agora já testemunha a diversificação de empresas interessadas nos ingredientes da floresta.

“Indústrias de bebidas, doces, produtos veganos, dentre outros, estão usando nossos sabores para criar produtos maravilhosos, que além do sabor trazem a preocupação de fortalecer nossa biodiversidade. Mais recentemente, passamos a fornecer para a Kiro, que produz uma bebida cheia de personalidade e que nos orgulha ter como parceira. E também para a Amazonika Mundi, que produz carnes plant based e passou a usar ingredientes amazônicos”, diz Paulo Reis, sócio da Manioca responsável pelo comercial. 

Foto: Kiro/divulgação