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Sobre a importância de conhecer cadeias produtivas e comunidades: MOMA visita a RDS Uatumã

Foto: Rodrigo Duarte/cortesia MOMA

No início do mês de maio, Vivian Chun, fundadora da MOMA – negócio acelerado e investido pela AMAZ este ano – visitou a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã, no estado do Amazonas.

Acompanhada por Julia Tatto,  cofundadora da Urucuna, e por Louise Lauschner, especialista em acesso ao mercado no Idesam, Vivian, que usa matérias primas da Amazônia e de outros biomas brasileiros em seus produtos e pratica o comércio justo – os produtos da MOMA têm o selo Origens Brasil -, esteve na RDS do Uatumã para conhecer a comunidade que extrai e processa o breu branco, produzida pela espécie breu-branco-verdadeiro, árvore originária da Amazônia que pode atingir até 30 metros de altura.

A resina, perfumada, tem o aspecto de uma rocha cinzenta e se solidifica na base do tronco, e sua extração e processamento demandam bastante tempo e trabalho artesanal. 

Foto: Rodrigo Duarte/cortesia MOMA

Um dos pontos destacados por Vivian após a visita tem relação com o comércio justo:

“Desde que comecei a comprar o breu branco, em 2022, o valor do litro mais do que dobrou. É claro que a gente sente esse impacto, temos todo um planejamento de custo do produto final para comercialização, mas eu gostaria de destacar que, estando lá com a comunidade e vendo o trabalho manual da extração e processamento, o preço atual ainda me parece barato. Primeiro é preciso entrar na floresta, que é um lugar que oferece riscos. Depois tem a coleta, o transporte até a usina, onde o breu é lavado, tem extraído todo e qualquer resíduo de madeira, em cada pedaço. A resina gruda, e esse processo leva tempo. Depois de lavado, o breu é triturado com pilão, vai para a dorna, tem o processo de destilação, enfim. Vendo todo esse processo, a gente valoriza ainda mais a matéria prima. São muitas mãos que estão por trás de um litro de breu.”

A MOMA utiliza o breu branco em cinco produtos: dois desodorantes, xampu e condicionador de breu e lavanda, e sabonete de breu e manjericão – este último em breve deixará de ser produzido, mas será substituído por outro que também levará a resina em sua composição.

A resina e óleos e manteigas vegetais utilizados em produtos da MOMA e da Urucuna têm sido adquiridos junto à Inatu Amazônia, marca coletiva criada pelo Idesam e associações extrativistas da RDS do Uatumã no âmbito do projeto Cidades Florestais, financiado pelo Fundo Amazônia, para facilitar a comunicação com o mercado. 

O Idesam tem atuado diretamente na RDS desde 2006, tendo sido responsável pela coordenação da elaboração do Plano de Gestão e pela implementação de seus programas.

Louise Lauschner, especialista em acesso ao mercado no Idesam, conheceu Vivian há alguns anos, no processo de busca da empreendedora por produtos com origem e rastreabilidade, e destaca que ela sempre demonstrou preocupação com o comércio justo.

“Esse comprometimento não é apenas com a Inatu Amazônia, mas também com outros fornecedores da Amazônia e de outros biomas. É raro ter um comprador de matéria prima que vá até o local de extração e beneficiamento conhecer os extrativistas, entender de onde vem o produto que recebe com rastreabilidade. Essa relação é bem interessante, porque há uma troca real entre o conhecimento de produção que a comunidade tem e o dela, empreendedora, de indústria de produto. E a Vivian desde o início demonstrou esse interesse em conhecer os locais de extração, ela compra de outras associações e quer conhecer os processos mais aprofundadamente também. Isso para ela representa um ganho, porque consegue ainda mais conhecimento de causa para falar sobre a origem dos produtos.”

Foto: Rodrigo Duarte/cortesia MOMA

Na RDS do Uatumã, Vivian conheceu as comunidades Boto, onde fica a usina de óleos, e Bom Jesus do Angelim, onde o grupo pernoitou.  Ela reforça a impressão de Louise, sobre a importância da troca e da conexão: “Tanto eu conhecer a cultura deles, que é diferente da minha, como eles conhecerem o que eu faço com a matéria prima que extraem com tanto cuidado. Como isso se transforma em um produto. Isso gera maior conexão, transparência, reforço da parceria e valorização do que estão fazendo. Percebem que o que fazem gera valor. E do meu lado, quando entendo o contexto em que essa matéria prima é extraída, a vida deles, o valor que é pago faz ainda mais sentido. Isso tudo reforça que estamos no caminho certo.”

Vivian levou os produtos da MOMA que têm o breu branco em sua composição para as comunidades conhecerem, e destaca que a recepção foi muito boa. Embora tenha também levado outros produtos que não têm a resina em sua composição, percebeu que o interesse foi muito maior naqueles que a traziam como ingrediente. “Muito bonito ver como eles se conectam com essa matéria prima. Ela é realmente algo que eles amam e valorizam, deu para perceber uma alegria muito genuína. E foi importante perceber, pelo testemunho do Wanderley Cruz (gestor da Usina de Óleos da RDS do Uatumã), que nossa relação faz diferença na vida deles, porque garante uma fonte de renda real.”

Foto: Rodrigo Duarte/cortesia MOMA

“Acho que falar dessa cadeia produtiva faz mais sentido quando eu, Vivian, vivenciei isso, senti na pele. É uma vivência e uma informação muito importantes para traduzir para o público que usa os produtos da MOMA a origem das matérias primas e tudo o que está por trás de cada uma delas”, completa Vivian.

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