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AMAZ seleciona 06 negócios inovadores para seu portfólio em 2022

Foto: Pré-aceleração da AMAZ (Obs.: todos os participantes estavam testados e imunizados contra a Covid-19)

Seis negócios de impacto com atuação na Amazônia Legal receberão investimentos da aceleradora

A AMAZ aceleradora de impacto concluiu o processo de seleção dos negócios que serão acelerados e investidos em 2022. 

Os seis negócios atuam com soluções inovadoras para o desenvolvimento de produtos e serviços em cadeias de valor estratégicas para a conservação da Amazônia em áreas como reflorestamento, projetos de carbono e conservação florestal, produção de óleos, alimentação e turismo de base comunitária. 

Os selecionados foram BrCarbon, Floresta S.A., Inocas, Mahta, Soul Brasil e Vivalá. Os negócios têm atuação nos estados do Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Roraima.

Os seis passarão por um processo de aceleração em 2022 e receberão investimento inicial de R$ 200 mil, havendo possibilidade de reinvestimento (follow) de outros R$ 400 mil ao final do processo. O grupo foi selecionado dentre 156 negócios inscritos na Chamada 2021 promovida pela AMAZ. 

“Ficamos muito impressionados com a qualidade dos negócios, a escala de impacto que podemos alcançar, e o potencial de construir na prática uma nova economia aliada à conservação florestal na Amazônia.”, avalia Mariano Cenamo, CEO da AMAZ.

O  potencial de impacto aproximado dos seis negócios selecionados, entre cinco e dez anos, inclui mais de um milhão de hectares de florestas preservados, mais de 700 mil toneladas de emissão de carbono evitadas anualmente, 3.700 hectares de florestas recuperadas, centenas de famílias beneficiadas e injeção de cerca de R$ 30 milhões em comunidades locais.

Conheça os negócios

BrCarbon = Climate Tech Brasileira voltada à conservação florestal e restauração ecológica especializada em projetos de carbono.  Com equipe altamente qualificada,  utiliza estratégias inovadoras e tecnologia de ponta para acelerar, multiplicar e consolidar projetos de carbono e gestão florestal no Brasil.

Floresta S.A. = Implanta modelos regenerativos de produção agroflorestal em escala, com um portfólio de 10 culturas agrícolas e madeireiras. Além de produtos da bioeconomia, traz ao mercado financeiro oportunidade de investimento direto em agrofloresta na Amazônia, com rentabilidade alvo de 17% ao ano. 

Inocas = Tem como objetivo gerar uma alternativa ao óleo de soja e palma, alavancando a cadeia produtiva da macaúba como fonte de óleos vegetais sustentáveis. O piloto da companhia está localizado na região do bioma cerrado no Alto Paranaíba, em MG, e terá implementado, até o final de 2021, o plantio de 2.000 hectares de macaúba em sistema agrossilvipastoril em parceria com agricultores familiares. Com a entrada na AMAZ, a empresa expandirá sua atuação para a Amazônia Legal em 2022. 

Mahta = Foodtech que atua na área de suplementos alimentares produzidos com ingredientes predominantemente provenientes de comunidades amazônicas. Objetiva gerar inovação e valor, além de reduzir os impactos ambientais negativos, por meio de cadeias produtivas com a participação de comunidades locais, modelo que pode ser replicado para uma mudança sistêmica na indústria alimentícia. Simultaneamente, entregará valor nutricional diferenciado aos consumidores, impulsionando a conservação e regeneração da Amazônia.

Soul Brasil Cuisine = Tem como missão apresentar produtos com ingredientes da biodiversidade brasileira – especialmente a amazônica – sustentáveis, orgânicos, veganos e livres de substâncias artificiais para o Brasil e o mundo. Está no mercado há quase três anos, presente principalmente em empórios e supermercados do eixo Rio e São Paulo, além de exportar para Estados Unidos e Europa. Os produtos têm certificação orgânica.

Vivalá = Realiza expedições em Unidades de Conservação brasileiras por meio do turismo de base comunitária. Promove o desenvolvimento socioambiental do país de modo inovador, unindo em expedições vivências com comunidades e natureza. Já engajou mais de 900 viajantes de 10 países e injetou R$ 627 mil diretamente em comunidades tradicionais pela compra de serviços de base comunitária. 

Sobre o processo de seleção

A Chamada 2021 promovida pela aceleradora recebeu 156 inscrições, das quais 12 foram selecionadas para participar de um processo de pré-aceleração que aconteceu em novembro, a partir de um encontro presencial em Presidente Figueiredo, no Amazonas.

Empreendedores e empreendedoras trabalharam na metodologia do Modelo C, buscando entender melhor o funcionamento de seus negócios e os impactos positivos que geram ou são capazes de gerar, além de refletirem sobre como podem melhorar tanto seus modelos de negócio como indicadores e narrativas de impacto que podem agregar ainda mais valor a eles. 

A imersão proporcionou muita troca e conexão, e o grupo construiu seus próprios modelos de negócio e matriz de impactos positivos, ao mesmo tempo em que generosamente contribuiu para a construção dos modelos de outros negócios. 

O desempenho dos negócios no processo de pré-aceleração, juntamente com diligências realizadas pelo time da AMAZ para conhecer melhor a atuação de cada um deles e a realização de pitchs em dezembro, com participação de investidores e parceiros, foram os fatores que determinaram a escolha.

Sobre a AMAZ

A AMAZ aceleradora de impacto é coordenada pelo Idesam (Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia), e conta com um fundo de financiamento híbrido (blended finance) de R$ 25 milhões para investimento em negócios de impacto nos próximos cinco anos, o primeiro voltado exclusivamente para a região.  

Tem como fundadores e parceiros estratégicos Fundo Vale, Instituto humanize, ICS (Instituto Clima e Sociedade), Good Energies Foundation, Fundo JBS pela Amazônia e Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA). Conta também com uma ampla rede de parceiros como Move.Social, Sense-Lab, Mercado Livre, ICE, Costa Brasil, Climate Ventures e investidores privados. 

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Modelo C, aplicado na pré-aceleração da AMAZ, estimula que negócio e impacto sejam pensados conjuntamente

Foto: Antonio Ribeiro (Move Social) e Lucas Harada (Sense-Lab) durante a pré-aceleração da AMAZ | por Rodrigo Duarte – Odara Audiovisual

O Modelo C, metodologia utilizada na pré-aceleração da AMAZ, foi criado em parceria entre o Sense-Lab e a Move Social, com apoio do ICE e da Fundação Grupo Boticário. A partir de duas ferramentas que têm sido utilizadas para modelar negócios de impacto socioambiental – Business Model Canvas e Teoria de Mudança -, o Modelo C propõe uma abordagem que respeita, valoriza e se nutre das duas com o propósito de contribuir para amadurecer negócios de impacto, orientando e estimulando que o negócio e o impacto sejam pensados conjuntamente. 

Lançada em 2018, a ferramenta vem sendo aplicada em diversos processos de aceleração e formação, de diferentes perfis. Segundo levantamento realizado pelo Sense-Lab em novembro deste ano, já foram realizados 3.723 downloads do Guia do Modelo C, incluindo 24 estados brasileiros e 11 países. A ferramenta tem sido também objeto de estudos acadêmicos. 

O Modelo C foi utilizado pelo Programa de Aceleração e Investimento de Impacto da PPA, coordenado pelo Idesam e que evoluiu para a aceleradora independente AMAZ, que conclui em dezembro deste ano a seleção de sua primeira Chamada de Negócios. 

A última etapa do processo de seleção da AMAZ é a pré-aceleração, que aconteceu durante o mês de novembro a partir de um encontro presencial entre os empreendedores e empreendedoras finalistas em Presidente Figueiredo, no Amazonas. Durante um workshop de quatro dias, o Modelo C foi apresentado ao grupo de 12 negócios finalistas, que trabalhou nele em escala individual, com aplicação em seu próprio negócio, e coletiva, ao conhecer os outros empreendedores e se abrir a sugestões trazidas por eles a partir do desenho dos modelos de cada um.

A AMAZ conversou com Antonio Ribeiro, da Move Social, e Lucas Harada, do Sense-Lab, que facilitaram a aplicação do Modelo C junto ao grupo. Nessa entrevista, a dupla faz uma avaliação da ferramenta, sua aplicação junto a negócios com atuação no ecossistema amazônico e destaca ajustes que aos poucos vão se mostrando necessários desde a criação do Modelo C a partir da prática. 

De onde veio o estalo para criar o Modelo C?

Antonio Ribeiro (AR): As duas organizações, Move Social e Sense-Lab, têm a prática de trabalhar com negócios de impacto e de diferentes maneiras. E as duas já vinham se deparando com limitações de algumas abordagens e ferramentas. O Sense-Lab em relação ao Business Model Canvas e a Move em relação à Teoria de Mudança. Quando a gente sentava com um negócio de impacto e começava a pensar a Teoria de Mudança, percebíamos que ela não dava conta sozinha. Testamos algumas coisas e chegamos ao Canvas, que também não dava conta. Começamos a trocar ideias e veio um movimento de esboçar alguma coisa em conjunto. O que sabíamos de antemão é que não podia vir da nossa cabeça, porque não estávamos no campo, não estávamos liderando empreendimentos daquele tipo. Então seria preciso envolver de alguma maneira esses outros atores que estavam no campo.

Lucas Harada (LH): No Sense-Lab, estávamos trabalhando com programas próprios de aceleração e negócios de impacto. E ali a gente travava muito, porque olhar para impacto é olhar para toda uma questão de intencionalidade, ver no que a pessoa acredita, sua visão de mundo, enfim. É preciso uma descida tão grande que não é possível representar num modelo de negócios que traz só a proposta de valor, que é o Business Model Canvas. Criamos um Business Model mais voltado para impacto, mas percebemos que ainda não trazia o que era preciso. Porque a gente vivenciava com o empreendedor toda a jornada de impacto e o modelo não refletia isso. Não me lembro exatamente como foi a aproximação do Sense-Lab e da Move Social, mas o ICE foi um bom intermediador, me lembro de boas provocações dele. 

AR: O ICE tem um papel muito interessante, de instigar, trazer referências, e também na indicação da Fundação Grupo Boticário como apoiador. E teve toda uma construção envolvendo vários atores. O Modelo C tem coisas que a Teoria de Mudança não tem e que o Canvas também não, mas essencialmente é um instrumento que parte dessas duas ferramentas, que são já muito bem conhecidas. E isso dá uma legitimidade. 

Desde a criação do Modelo C, qual o balanço que vocês fazem sobre a implementação nos processos de aceleração em que têm trabalhado e os impactos?

AR: A aceitação e o uso têm sido bons. Tem uma diversidade grande de organizações usando, e até tese de mestrado sobre o Modelo C. A principal potência do Modelo C são as perguntas que ele traz para as pessoas. É uma ferramenta que não tem direito autoral, aberta para as pessoas usarem. O que percebemos nesse tempo todo é que quanto melhor é o apoio, a facilitação, melhor o Modelo C funciona. Já fizemos processos de disponibilizar o modelo para as pessoas preencherem e na sequência marcarmos uma reunião de duas horas, mas isso não tem funcionado bem para todo mundo. É um instrumento que ganha com facilitação, apoio e tempo. E o tempo tem nos mostrado também que está chegando a hora de fazer uma revisão. Seja para mudar os nomes nas caixinhas, seja para incluir o indivíduo. Ainda não temos consenso sobre isso, mas defendo que a gente precisa entrar com uma outra dimensão, que é a do indivíduo.

LH: O Modelo C, nesse formato que estamos aplicando com a AMAZ, na pré-aceleração, funciona muito bem. É um bom diagnóstico, um bom lugar de perguntas iniciais, um norte para se perceber o quanto se tem de clareza em relação ao negócio. E depois como ele se desdobra para um plano de desenvolvimento de ação. Mas o que eu sempre ouço é que, por mais que a gente tente envolver muitas organizações, muitas visões, ele ainda traz alguns formatos e nomenclaturas que geram dúvida. E também temos desafios na aplicação para modelos de negócios comunitários ou que têm menos essa pegada de empreendedor, de startup, são mais coletivos. 

A AMAZ está experimentando o Modelo C na pré-aceleração dos negócios, e antes, quando atuávamos como um programa no âmbito da PPA, a aplicação se dava com os negócios já em aceleração. É uma mudança de formato trazida pela nossa experiência para a AMAZ. Como vocês analisam isso? 

AR: Quando veio essa demanda da AMAZ, de incluir o Modelo C na pré-aceleração, analisamos que era muito pertinente. Já tínhamos usado o modelo como diagnóstico de negócios em 2020. Em dois ou três dias não conseguimos sair com um Modelo C super redondo. Temos qualificado, melhorado os passos que damos para que os negócios saiam com um modelo o mais redondo possível, mas não é tempo suficiente para saírem com tudo finalizado. Chegar ao fim de um processo de facilitação com o Modelo C pronto não é o ponto de chegada. O processo de reflexão dos empreendedores já mostra o momento em que estão em seus negócios, quais as fraquezas e forças. Muitas vezes tem gente que nunca pensou sobre impacto. E impacto pode ser pensado em diferentes níveis, em curto, médio e longo prazo, e uma coisa depende da outra. Colocar isso em caixinhas do Modelo C, bem, isso às vezes começa na oficina, mas leva um tempo. Então usar esse momento como diagnóstico é muito bom, e ser na pré-aceleração faz muito sentido para nós. Tanto para ajudar os empreendedores a saírem com bons modelos, que podem ser úteis para qualquer passo daqui em diante, sendo ou não selecionados para a aceleração da AMAZ, mas que também ajude a entender a maturidade dos negócios e das suas lideranças, a qualificar melhor o olhar para decidir quem fica e quem sai. 

LH: Tenho a mesma visão. O Modelo C é um bom processo como visão de diagnóstico. Ele também ajuda a trabalhar conceitos e contexto, porque negócio de impacto não é um tema bem difundido em todas as regiões do país. Então, quando estamos em uma região que está construindo um ecossistema, como é o caso da Amazônia, e às vezes a chamada de negócios traz alguns empreendedores que não estão familiarizados com esse universo, é importante ter um momento para sintonizar todo mundo. A aplicação do modelo na pré-aceleração tem um valor enorme para os negócios olharem para o seu impacto, descreverem indicadores, enfim. É um ganho muito bom, porque mesmo que essa organização não vá para a aceleração, pode aproveitar toda essa experiência para entrar em outras rodadas com parceiros e investidores. Sem falar na troca que esse processo promove, que talvez seja o mais rico disso tudo. O benefício não é só para as empresas que serão selecionadas, mas para todas as finalistas. 

AR: Essa troca que o Lucas mencionou é muito importante, e o Modelo C ajuda também nisso. Claro que ele pode ser aplicado como uma ferramenta apenas focada no negócio de cada um, o empreendedor senta e faz sozinho. Mas o modelo facilita também um processo coletivo. Cada um constrói o seu, mas vamos trocar? Colocar pessoas de diferentes lugares, com diferentes bagagens, para ouvir sobre os negócios e trazer sugestões? Isso é bem potente, e acontecer em uma pré-aceleração gera valor para todo mundo. Ajuda todo mundo a melhorar suas narrativas e o olhar para seus negócios. 

Que impressões vocês têm desse ecossistema em desenvolvimento na Amazônia e da aplicação do Modelo C em específico?

LH: Acho que o desenvolvimento desse ecossistema da forma como está acontecendo tem um valor muito grande. Temos uma conversa dentro do Sense-Lab que é sobre a serviço de quê estão os programas de aceleração. Porque isso diz muito sobre o potencial de um programa de aceleração. Quando você tem um programa que chama os negócios e diz que vai acelerá-los e que eles vão resolver problemas, vejo muitos limites e pouca conexão com a realidade dos negócios. E aqui, primeiro com o Programa de Aceleração da PPA e agora com a AMAZ, nos dois casos sob a coordenação do Idesam, vejo um crescimento muito significativo no fortalecimento desse ecossistema. Porque quando um programa sai da aceleração em si e amplia o olhar para resolver problemas comuns, como a logística, e traz parceiros e promove interação, avança no fortalecimento do ecossistema de fato. E isso é fundamental quando se quer trabalhar a economia local e envolver esses atores. E por isso eu acho que esse trabalho é muito reconhecido. Um valor que todo esse processo traz também é o investimento e o olhar para a Amazônia para além dos negócios. Traz atores muito diversos, e isso começa a ganhar força e a chamar a atenção. Colocar a Amazônia em evidência é uma coisa que várias organizações estão fazendo. Mas o Idesam, com a AMAZ e também desde o programa da PPA, conseguiu trazer uma visibilidade muito boa a tudo isso que vem sendo realizado.

AR: O Idesam entendeu há muitos anos que transformar a realidade da Amazônia não ia acontecer se não fosse coletivamente. Como algumas outras organizações que trabalham na Amazônia. Quando o Idesam, via PPA, cria o Programa de Aceleração, já existia ali essa premissa de que não se mudaria essa realidade senão juntando esforços. E a AMAZ segue, por ter o Idesam na sua gênese, em sua ancestralidade, essa premissa. De fazer junto, com diferentes setores, sejam atores que estão fazendo e pensando negócios, mas também investidores de perfis diversificados. 

Vocês mencionaram que em algum momento seria importante fazer revisões no Modelo C. Desse acúmulo todo, quais são as dores que ativam essa visão?

AR: São incômodos que a gente vem percebendo nas oficinas e nos processos. Em alguns casos já temos feito trocas e aplicado novas coisas. Precisamos fazer com que o Guia do Modelo C disponível para download também reflita isso. As perguntas do contexto, dos problemas, talvez também possam mudar. E há necessidade de ter uma caixinha para o indivíduo, que é sobre princípios, premissas, que tem a ver com o jeito de fazer daquele negócio, porque hoje não há espaço no modelo que capte o que provoca essas coisas. 

LH: Tem um outro ponto. Ter o frame ali e saber o que significa cada coisa não diz sobre como levar para uma aplicação, para o dia a dia. O guia mais explica o que é do que leva para a prática. E as mudanças para o Modelo C têm a ver com como se vivencia aquele experimento. A forma como a gente trabalha já é diferente desde quando lançamos o guia. E para mim tem um grande incômodo, que é na abordagem da capacidade organizacional. Falta o como fazer, que entra no aspecto de indivíduo, como Antônio falou, mas também numa questão de governança. Dá para ser mais provocativo em relação a isso. AR: Este ano, pela primeira vez, estamos testando alguns adicionais ao modelo, trazendo um instrumento para que os empreendedores façam uma autoavaliação depois de vivenciar o Modelo C. O quanto eles conhecem do contexto, o quanto perceberam preenchendo o modelo e refletindo sobre tudo isso. O empreendedor já sai com a percepção de como está, quais são os déficits, onde precisa buscar informações, o que precisa fazer para suprir o que está falho. Ele monta um gráfico aranha com as pontuações e vai perceber como está o seu desempenho no Modelo C. Estamos testando isso aqui pela primeira vez com a AMAZ. E tem uma coisa que pensamos lá no início, de criar um site, uma espécie de fórum, onde as pessoas poderiam colocar suas experiências. Tem muita coisa sendo feita, e seria interessante pegar essas experiências e compartilhar, ter talvez um banco de Modelos C.

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AMAZ conclui processo de pré-aceleração dos 12 negócios finalistas e anunciará selecionados em dezembro

Foto: Rodrigo Duarte | Odara Audiovisual

** Empreendedores, empreendedoras, equipe da AMAZ e facilitadores estavam imunizados e foram devidamente testados, com todos os cuidados sanitários necessários na pandemia da covid-19. Boa parte das atividades foi realizada em espaços abertos.

Entre os dias 8 e 11 de novembro, empreendedores e empreendedoras dos 12 negócios selecionados pela AMAZ para a pré-aceleração estiveram reunidos em Presidente Figueiredo, no Amazonas, para a construção de Modelos C.  Foi um momento de olhar para os seus próprios negócios, mas também de conhecer os outros finalistas e estabelecer conexões com eles. 

A facilitação do processo ficou a cargo de Antonio Ribeiro (Move Social) e Lucas Harada (Sense-Lab), que explicaram a dinâmica do Modelo C, os conceitos que ele traz e orientaram os negócios em uma oficina prática de elaboração. 

Durante os quatro dias, empreendedores e empreendedoras ficaram mergulhados no entendimento e uso da ferramenta, buscando entender melhor o funcionamento de seus negócios e os impactos positivos que geram ou são capazes de gerar, além de refletirem sobre como podem melhorar tanto seus modelos de negócio como indicadores e narrativas de impacto que podem agregar ainda mais valor a eles. 

“Foi muito especial poder encontrar com todos os empreendedores e empreendedoras pessoalmente depois de um período de isolamento tão grande. Se fala que a vida do empreendedor é muito solitária, e especialmente num momento de pandemia. Nós sentimos um poder muito grande entre as trocas e os aprendizados que eles puderam ter nesses dias. Para nós da AMAZ, foi também um momento muito importante, porque tivemos a oportunidade de conhecer cada negócio e cada empreendedor de forma mais sensível e profunda”, avalia Mariano Cenamo, gerente de novos negócios do Idesam e CEO da AMAZ.

Os quatro dias de imersão proporcionaram muita troca e conexão, em que os empreendedores construíram seus próprios modelos de negócio e matriz de impactos positivos, ao mesmo tempo em que generosamente contribuíram para a construção dos modelos dos outros negócios e recebiam a colaboração para o desenvolvimento dos seus próprios modelos. 

Essa construção, individual e coletiva, trouxe uma conexão bastante significativa entre negócios que, embora diversos entre si, guardam muitas similaridades sobre o atuar na Amazônia. 

“Essa troca realmente é muito rica. Ouvir o passo a passo de cada uma das iniciativas, que têm suas diferenças, mas ao mesmo tempo suas similaridades, faz com que a gente aprenda muito”, diz Daniel Cabrera, da Vivalá, negócio que realiza expedições em Unidades de Conservação brasileiras por meio do turismo de base comunitária. 

Maria Elisa Ribeiro, da Aromas da Amazônia – que tem como principal objetivo atender demandas e serviços no segmento do agronegócio com foco nas tecnologias de baixo carbono -, destaca a importância da imersão para entender melhor seu negócio: “Descobrimos questões do nosso negócio que não tínhamos sequer imaginado a partir dessa imersão e dessa oficina. Era isso que faltava para a gente se consolidar e se entender melhor enquanto negócio”. 

Edgard Calfat, da Mahta – foodtech que atua na área de suplementos alimentares produzidos com ingredientes predominantemente provenientes de comunidades amazônicas -, se surpreendeu com a conexão estabelecida: “Fomos surpreendidos com a qualidade das pessoas, com a preparação delas, essa metodologia e a riqueza das trocas”.

“A metodologia aplicada ajuda a gente a ter clareza do impacto que o nosso impacto gera. A olhar para o nosso projeto e a comunicá-lo de uma maneira mais eficiente”, avalia Thiago Campos, da Floresta S.A., que trabalha com modelos regenerativos em escala, com portfólio de dez culturas agrícolas e madeireiras. 

“Com essa oficina, vamos ter um plano de negócios mais moderno, com alguns objetivos que já estamos traçando para o futuro”, diz José Lima, da Coopercintra, cooperativa do Acre que atua na exploração e comercialização de produtos florestais não madeireiros.

“Os empreendedores já estão muito prontos, com poucos pontos a aprimorar em modelo de negócio e impacto, coisas que podem aprender juntos, dentro de suas diferenças e potencialidades. Manter essa troca entre eles, de modo que consigam se potencializar e avançar nos seus modelos de negócio e gerar impacto para a Amazônia no final do dia, é muito importante”, analisa Ana Carolina Bastida, gerente de investimentos e aceleração da AMAZ.

Próximos passos

O desempenho no processo de pré-aceleração, juntamente com os resultados das visitas realizadas pelas equipes da AMAZ aos negócios – nas quais foi possível perceber in loco o modo de atuação de cada um e também analisar finanças, governança e gerenciamento dos empreendimentos – serão levados em consideração no momento de escolher os seis negócios que serão acelerados e receberão investimento em 2022.

Em dezembro, nos dias 14 e 15, os empreendedores participam de um Demoday, apresentando seus negócios a investidores e parceiros da AMAZ, que será também decisivo para a escolha. Os resultados serão anunciados na sequência.

Os seis negócios escolhidos participarão de um processo de aceleração, receberão investimento inicial de R$ 200 mil, podendo ser reinvestidos em até R$ 400 mil. Passam também a integrar o portfólio da AMAZ. 

A AMAZ aceleradora de impacto é coordenada pelo Idesam (Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia), e conta com um fundo de financiamento híbrido (“blended finance”) de R$ 25 milhões para investimento em negócios de impacto nos próximos cinco anos, o primeiro voltado exclusivamente para a região.  

Tem como fundadores Fundo Vale, Instituto humanize, ICS (Instituto Clima e Sociedade), Good Energies Foundation e Fundo JBS pela Amazônia. Tem como parceiros estratégicos a PPA (Plataforma Parceiros pela Amazônia) e a GIZ (Agência Alemã de Cooperação), e conta também com uma ampla rede de parceiros como Move.Social, Sense-Lab, Mercado Livre, ICE, Costa Brasil, Climate Ventures e investidores privados. 

Conheça os 12 negócios que participaram do processo de pré-aceleração

Leia entrevista como Antonio Ribeiro e Lucas Harada sobre o Modelo C