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Amazônia em Casa Floresta em pé abre chamada para negócios da sociobiodiversidade

Criado em junho de 2020, o movimento Amazônia em Casa, Floresta em Pé abre 2022 como uma chamada de negócios direcionada ao apoio de 20 negócios e organizações de base comunitária que atuam com produtos da sociobiodiversidade amazônica. A iniciativa, coordenada pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), pela AMAZ Aceleradora de Impacto e pela Climate Ventures, tem como objetivo otimizar a logística e ampliar a visibilidade de mercado desses empreendimentos. As inscrições vão de 14 de março a 1º de abril, por meio do link amazoniaemcasa.org.br/chamada. 

Serão selecionados negócios de impacto que comercializam produtos amazônicos e tenham compromisso com a manutenção da floresta em pé. O passo seguinte é a participação em um programa de capacitação e impulsionamento com foco em logística e comercialização. 

Para Guilherme Faleiros, analista de seleção e aceleração da AMAZ e Idesam, essa primeira chamada de negócios foi motivada pela necessidade de acesso a mercados apresentada por pequenos empreendimentos que atuam na Amazônia e que enfrentam desafios em comum de comercialização e logística de seus produtos para o principal polo comercial do Brasil, a região Sudeste. 

“Juntos, nós iremos fortalecer nosso coletivo de marcas amazônicas e a nossa comunidade de aprendizagem. Serão trocas que desenvolvem soluções inovadoras e estratégias comerciais para levar os sabores e saberes tradicionais até a casa do consumidor brasileiro, conservando a floresta e gerando renda para populações locais”, exalta Guilherme. 

Podem se inscrever negócios de impacto que já possuem produto testado no mercado e atuação na Amazônia. A projeção é, em dois anos (isto é, dois ciclos de programa), apoiar 50 empreendimentos da sociobiodiversidade amazônica que contribuam para a conservação de 25 mil hectares de floresta e a geração de renda para mais de 1 mil famílias nas regiões de atuação. A expectativa é pela redução em 50% do custo logístico das operações dessas empresas e o aumento em 100% do faturamento das marcas envolvidas. 

Coordenado por Idesam,  AMAZ e Climate Ventures o movimento tem como parceiros estratégicos e financiadores Fundo Vale, GIZ, Mercado Livre e Instituto Humanize, além de contar com uma rede de parceiros formada por CLUA, Conexsus, Origens Brasil (Imaflora), Local.e, Instituto AUÁ e Costa Brasil.

Para mais informações ou esclarecimento de dúvidas, os interessados devem entrar em contato pelo e-mail amazoniaemcasa@prosas.com.br.   

Apoio regional 

Nos últimos dois anos, 15 negócios de impacto do Norte foram apoiados por meio de ações de campanhas de marketing com influenciadores digitais, em parceria com o Mercado Livre. Segundo Guilherme, o retorno foi positivo, com os negócios registrando aumento de vendas durante a ativação destas campanhas e podendo ampliá-las para Estados onde ainda não tinham clientes. 

CEO da Manioca, um dos empreendimentos apoiados pelo AMAZ, a empresária Joanna Martins aponta a aceleradora como essencial para o desenvolvimento da marca. “Foi uma ajuda que tornou nossa gestão mais madura e que ampliou os contatos da nossa rede por todo o Brasil. E isso seja pelo fortalecimento do olhar da bioeconomia na região e negócios de impacto ou pelo acesso a financiamento, crédito e orientação para uso dessas ferramentas. De modo geral, tudo o que a AMAZ nos trouxe foi fundamental para chegarmos ao estágio que estamos, com ótimos resultados e planos de crescimento, tanto de impacto quanto de retorno financeiro”, comenta.

>> Saiba mais sobre o movimento

https://amaz.org.br/2021/09/03/da-amazonia-para-voce-campanha-aproxima-empreendedores-amazonicos-de-consumidores-de-todo-o-brasil/

https://amaz.org.br/2021/04/05/amazonia-em-casa-floresta-em-pe-se-prepara-para-nova-fase/ 

https://amaz.org.br/2021/02/26/campanha-movimentou-vendas-online-para-negocios-amazonicos-no-fim-do-ano-de-2020/

AMAZ@ACELERACAO- (8)

Entrevista: Denis Minev

Foto: Rodrigo Duarte/AMAZ

Quando o assunto é Amazônia, Denis Minev, CEO da Bemol e um dos investidores e fundadores da AMAZ aceleradora de impacto, é um interlocutor com experiências variadas e que compreende o papel dos diferentes players para impulsionar o ecossistema de impacto na região.

Minev foi Secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico do Estado do Amazonas, ocasião em que ajudou a desenhar instituições como a Fundação Amazonas Sustentável (FAS) – da qual é Conselheiro – e o Museu da Amazônia (Musa). 

É também um investidor anjo que toma riscos ao selecionar parte de seu portfólio de investimento por entender que isso é parte da busca de soluções de impacto positivo para a economia da região. 

Embora reconheça que o ecossistema de impacto é ainda incipiente, Minev vê em iniciativas como a AMAZ um catalisador de negócios que podem impressionar pelo exemplo e pelo impacto positivo gerado e, assim, atrair olhares e investidores que percebam como essa nova economia pode gerar boas oportunidades. 

Nessa entrevista concedida à AMAZ, Minev destaca a importância de aproveitar a onda de atenções voltadas à floresta para alavancar um desenvolvimento mais virtuoso, que olhe para a conservação da Amazônia, mas que também traga prosperidade às suas populações. 

“Tivemos três ondas de atenção à Amazônia. Perdemos as duas primeiras, que envolveram Chico Mendes e Marina Silva. Houve queda de desmatamento, mas não aconteceu uma proporcional melhoria das condições de vida.  Nosso papel é tentar aproveitar essa terceira onda, essa mobilização global que olha para a região com interesse, e tentar traduzir isso para o que seria uma visão de prosperidade na Amazônia.”

Como você avalia o ecossistema de impacto na região amazônica?

Denis Minev (DM) Tenho ainda a sensação de que ele é incipiente, o que me incomoda. E isso não é uma crítica aos empreendedores. Meu sonho é que o próximo Guilherme Leal (Natura) seja amazônico. Não estamos nesse ponto ainda, de ter essa qualificação entre os amazônidas. Então importamos. Uma coisa que eu esperaria dessa nova geração de negócios que estão sendo acelerados pela AMAZ é que plantassem essa semente um pouco mais profunda entre os ribeirinhos, com as comunidades com as quais têm contato, de modo a inspirar esse movimento.

O Idesam e a PPA (Plataforma Parceiros pela Amazônia) têm trabalhado nessa frente, e eu tenho trabalhado com o Idesam há alguns anos. É extraordinário o avanço. Mas é um avanço de uma base pequena, que ainda tem muito espaço para se desenvolver. Nós não temos, por exemplo, o empreendedor ribeirinho. Meu sonho é ter esse empreendedor, que saia lá da comunidade dele e consiga adquirir ao mesmo a educação suficiente e a visão de negócio, talvez influenciado por algumas dessas startups com as quais ele pode vir a ter algum contato.

O que é preciso para esse ecossistema se desenvolver mais rapidamente?

DM Acho que não dá para ser muito rápido, porque precisamos de exemplos. E não existe nada melhor de exemplo do que uma startup que dá certo. Então é preciso esperar elas darem certo para servirem de exemplo, para demonstrarmos que negócios sustentáveis de impacto na Amazônia são um bom negócio. Enquanto a gente não tem esses exemplos numa escala razoável, acho difícil acelerar muito. Tem gente que pensa em investir, mas não investe porque não está vendo a coisa acontecer. Para mim, a AMAZ é a tentativa do exemplo, é a gente apontar e mostrar que isso aqui dá certo.

E podemos fazer um pouco mais. Nas Chamadas de Negócio da AMAZ, vamos estimulando as pessoas a pensarem e a refletirem sobre como empreender. A AMAZ vai ser realmente impactante quando pegar pelo menos duas ou três dessas startups e elas tiverem um volume de sucesso razoável. Aí muda-se o jogo.

A Amazônia hoje está no centro das atenções. Como aproveitar esse momento para potencializar o desenvolvimento de novos negócios que gerem impactos positivos?

DM Hoje todo mundo só fala de Amazônia, é intenso esse movimento. Só que a pressão internacional não é pelo desenvolvimento da Amazônia, mas para proteger a floresta. Temos que buscar formas que estanquem o desmatamento e consigam melhorar a qualidade de vida das pessoas. E estamos aqui na AMAZ para equilibrar isso. Somos pequenos, mas se cada uma dessas empresas se multiplicar por 10, vamos ampliar o impacto. 

Quando eu estava no governo do Amazonas, estava sendo criado o Fundo Amazônia. Minha sugestão para eles era criar um fundo de venture capital, ou que enviassem os melhores profissionais para cá, para desenvolvermos negócios e empreendedores. Mas eles acabaram fazendo um fundo filantrópico para conservar a floresta.

Você pode defender a floresta contra o desmatamento, mas é preciso atacar o desmatamento oferecendo alternativas. Isso é algo geracional, vamos levar pelo menos 20 anos para mudar essa chave. Essa onda de atenções para a Amazônia está ainda no começo, espero que seja longa e duradoura. 

Na Concertação Amazônica, o que a gente quer é propor como podemos rematar a Amazônia nos tornando prósperos. Negócios como Inocas, BRCarbon e Floresta S/A, por exemplo, podem se tornar cases grandes, e se isso funcionar fortalecemos essa onda. 

A AMAZ também serve como uma espécie de carimbo e abre portas para os investidores certos, que têm esses valores.

Você tem dito que estamos na terceira onda de oportunidades para mudarmos a chave de desenvolvimento da Amazônia, e que perdemos as duas primeiras…

DM Já houve ondas de atenção à Amazônia, estamos na terceira delas. A minha visão é que desperdiçamos as duas anteriores, que vieram com Chico Mendes e Marina Silva. Houve queda de desmatamento, mas não aconteceu uma proporcional melhoria das condições de vida, e aí se desperdiçam os ganhos. Acho que nosso papel é tentar aproveitar essa onda, essa mobilização global, que olha para a Amazônia com interesse, mas com um grau também de desconhecimento, e traduzir isso para o que seria uma visão de prosperidade com sustentabilidade na região. 

Isso não pode vir de fora. Alguém de fora não vai conseguir imaginar o que quer dizer prosperidade na Amazônia. Olhar para um ribeirinho que hoje tem baixa educação, baixa expectativa de vida, e pensar nessa equação em como mudar a vida dele para que não precise mais de auxílio e consiga prosperar. Isso tem que vir da gente. E acho que essa construção é o que eu espero dessa onda de atenções internacionais. Que consigamos receber recursos e atenção e traduzir isso em prosperidade. 

Os negócios de impacto são os melhores para aproveitarmos essa terceira onda. São também importantes para transformar a região e inspirar outras iniciativas. 


O que seria a prosperidade amazônica?

DM Temos 25 milhões de pessoas na Amazônia brasileira. Temos ainda as outras Amazônias, vizinhas. Não é possível criar um cercado ao redor da floresta e tentar isolar essas 25 milhões de pessoas. É preciso encontrar uma solução, que vou chamar de prosperidade. Você espera que o seu filho tenha uma vida melhor que a sua e que o seu neto tenha uma melhor do que o seu filho. Não é nenhuma solução específica, mas é um princípio que deve reger também o tema ambiental. 

Meu avô, Samuel Benchimol, que era um estudioso da região e costumava escrever muito sobre o tema, sempre disse que a Amazônia precisa ser tratada em quatro bases – economicamente viável, socialmente justa, politicamente equilibrada e ambientalmente adequada. Qualquer solução para a região teria que passar por essas quatro bases. E ele escreveu isso nos anos 1980, mas continua aplicável em 2020, e infelizmente isso ainda segue ignorado por grande parte das pessoas que interagem com a região. 


>> Leia a entrevista com Antonio Ribeiro (Move Social) e Lucas Harada (Sense-Lab)

AMAZ@3 (1)

Amaz promove primeira oficina presencial com negócios selecionados em 2021

Foto: Rodrigo Duarte/AMAZ

Todos os participantes estavam vacinados e devidamente testados contra a covid-19

Entre os dias 8 e 10 de março, empreendedoras e empreendedores dos seis negócios selecionados pela AMAZ em 2021 – BRCarbon, Floresta S/A, Inocas, Mahta, SoulBrasil Cuisine e Vivalá – participaram da primeira oficina presencial da jornada de aceleração, que aconteceu em Manaus, às margens do Rio Negro.

O encontro, facilitado pelo Sense-Lab, abordou OKRs (objetivos e resultados-chave), gestão de impacto socioambiental e estrutura e governança. 

As conexões marcaram os três dias. Artur Coimbra e Joanna Martins, fundadores de dois negócios do portfólio da AMAZ – Na’kau/Na Floresta e Manioca – relataram experiências, desafios e oportunidades de empreender na Amazônia e participaram de rodas de conversa com o grupo. 

Marcus Biazatti, do Idesam, conversou com os empreendedores e empreendedoras sobre a marca coletiva Inatú, que comercializa óleos essenciais produzidos por comunidades amazônicas e também trabalha com manejo sustentável de madeira. 

Foram apresentados resultados, impacto positivo gerado, metodologias de monitoramento, as nuances do relacionamento com comunidades e cadeias produtivas, empreendedorismo florestal, gestão de negócios e mercados.

Conectar empreendedores e empreendedoras com outros negócios de impacto já em atuação na Amazônia é uma das ofertas da jornada de aceleração, proporcionando trocas que podem encurtar a solução de problemas a partir de experiências similares anteriores. Além disso, as conexões têm potencial para gerar parcerias entre eles, seja no compartilhamento de experiências ou em estratégias de mercado. 

Investidores presentes

Foto: Rodrigo Duarte/AMAZ

Outra conexão proporcionada durante o encontro envolveu alguns investidores da AMAZ com atuação na Amazônia. 

Em uma roda de conversa com os negócios, Denis Minev, Ilana Minev, Marcelo Forma, Mariana Barella e Matheus Faria participaram de um diálogo franco e aberto, abordando temas como atual estágio do ecossistema de negócios de impacto na Amazônia, a importância de oferecer alternativas ao desmatamento que integrem as populações da região, a necessidade de se investir em pesquisa e desenvolvimento para alavancar uma nova economia na região e de envolver a academia.

O grupo destacou ainda a importância de perceber que há diferentes Amazônias, que requerem diferentes soluções, e por isso não há um caminho que vá ser comum a todos. A importância das novas gerações no desenho de uma nova economia amazônica e também de encontrar os investidores ‘certos’ para alavancar os negócios de impacto. 

Outro ponto abordado diz respeito ao perfil dos investidores e o que eles esperam das startups.

Para Daniel Cabrera, da Vivalá, os pontos altos da oficina foram o aprofundamento no alinhamento estratégico e avançar naquilo que foi construído no encontro de pré-aceleração, em novembro de 2021, além da revisão dos indicadores de impacto. Ele destaca também a conexão com investidores e negócios amazônicos: 

“A integração junto com os investidores da AMAZ, que são pessoas, essas que a gente conheceu, majoritariamente do norte, foi muito importante para que a gente se aproxime de atores relevantes da região, pessoas que estão diretamente no setor privado, gerando impacto. Além da integração com todos os outros empreendedores, que mesmo atuando em mercados muito diferentes contribuem de uma maneira muito rica com suas visões, suas experiências, e essa troca é extremamente relevante.”

“O ponto alto é justamente o encontro, o convívio entre esse grupo. E especificamente duas coisas para mim são muito valiosas. Uma foi o encontro com os investidores da região, e a outra coisa é o trabalho com o modelo de impacto, que acho que precisamos ainda aprofundar mais,” avalia Maximiliano Petrucci, da Mahta.

Para Letícia Feddersen, da SoulBrasil Cuisine, as conexões e vivências com os outros participantes da aceleração têm sido ricas e trazido bastante aprendizado, em especial nas questões de gestão e de pensar o impacto que pode ser gerado. Ela destaca também a conexão com outros negócios que atuam na Amazônia e com os investidores:

“Com o encontro com os investidores e outros negócios da região me senti como se estivesse passando por um “MBA” na cultura, na vivência e sobre os negócios da Amazônia. A conexão com outros negócios da região é muito rica, e vai além da aceleração, gerando trocas, sinergias até de possíveis parcerias comerciais”

>> Leia entrevista com Denis Minev

>> Conheça os seis negócios que participam dessa jornada de aceleração