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Jornada digital do Programa de Aceleração em 2020 trouxe aprendizados e oportunidades

Com as limitações impostas pelo isolamento social na pandemia da covid-19, as atividades do Programa de Aceleração da PPA, planejadas em sua maior parte para serem realizadas em encontros presenciais com os empreendedores, foram transformadas em uma jornada digital.

A turma acelerada em 2020 participou de um encontro presencial de cinco dias em fevereiro, imersão fundamental para estabelecer laços entre os empreendedores e também para e elaboração das Teorias de Mudança de cada negócio.

A partir de então, com a epidemia avançando, a coordenação do Programa de Aceleração tratou de buscar alternativas para continuar o ciclo de capacitação previsto para se desenvolver ao longo do primeiro semestre de 2020.

Uma jornada digital foi desenhada, e incluiu ampliação de conteúdo e de facilitadores e parceiros – a não necessidade de deslocamento para encontros presenciais facilitou a compatibilização das agendas – e também a distribuição das atividades ao longo de todo o ano, o que proporcionou mais tempo para a absorção dos conteúdos.

Empreendedores, a equipe do Programa e facilitadores se conectaram por meio de webinars, que proporcionaram, além do compartilhamento de conteúdos, momentos de troca e construção coletiva.

Para a coordenadora do Programa de Aceleração, Ana Carolina Bastida, o novo formato trouxe o desafio de conseguir manter a interação entre os empreendedores e entre os empreendedores, facilitadores e parceiros do Programa, muito rica nos encontros presenciais.

“Essa interação tem sido fundamental para os empreendedores estabelecerem parcerias, trocarem lições aprendidas e experiências, porque vivem a mesma realidade e o desafio de empreender na Amazônia. E a gente conseguiu trazer essa interação, mesmo à distância, por meio dos formatos participativos dos módulos. Os negócios tiveram espaço para interagir e conversar na resolução de exercícios e desafios propostos pelos facilitadores”, avalia Ana.

A jornada digital ofereceu módulos de aprendizado sobre proposta de valor, canais digitais de venda, logística na Amazônia, branding e comunicação, inteligência operacional, planejamento financeiro, gestão contábil e precificação.

Além disso, foram promovidas três rodas de conexão: Empreendedorismo e negócios na Amazônia, com Ricardo Abramovay; Gestão de pessoas e autocuidado, com Regina Erismann; e Exportação de produtos sustentáveis, com Edy Chammah, da Brazil Global.

A coordenação do Programa avalia que o novo formato trouxe mais eficiência por reduzir custos de logística e tempo de deslocamento. E também mais eficiência na absorção do conteúdo em si, pela distribuição mais espaçada dos módulos ao longo do ano.

“ O ciclo de capacitação em formato digital trouxe oportunidade para os empreendedores se conectarem, de vários pontos da Amazônia, a facilitadores parceiros em todo o Brasil. Os encontros ajudaram no processo de organização frente à crise pandêmica, e trouxeram conteúdos e parcerias estratégicas para os negócios, como logística e exportação”, avalia Guilherme Faleiros, analista de novos negócios do Idesam.

Conexão e aprendizados

Workshop realizado em fevereiro, em Manaus

Para Saulo Thomas, da ONF Brasil, as atividades oferecidas contemplaram as necessidades do negócio, em especial os módulos voltados a logística e estratégia organizacional. “Esses aprendizados nos ajudaram a pensar em organizar a casa primeiro, antes de partir para coisas novas. A diversidade dos módulos foi muito interessante, temas como branding e comunicação foram muito novos para nós.”

Maria Eugênia Tezza, da Academia Amazônia Ensina, destaca que o Programa possibilitou o desenvolvimento de habilidades estratégicas para a continuidade do negócio. “Ficou realmente delicada a situação por causa da pandemia, mas com o apoio do Programa de Aceleração da PPA e de nossos expedicionários e expedicionárias, conseguimos passar esse período. A jornada digital trouxe um formato muito interessante, que conseguiu nos manter conectados. Ainda bem que nosso primeiro evento conseguiu ser presencial, para que todos pudéssemos nos olhar e nos sentir parte de um grupo unido em prol de um empreendedorismo consciente e engajado. Isso fez com que as atividades online proporcionassem mais conexão entre nós.”

Após os módulos da jornada digital, nos quais que teve aproveitamento maior no tema de comunicação e branding, a Academia Amazônia Ensina contratou um profissional de comunicação e trabalha atualmente no rebranding do negócio. 

Hélia Félix, da Cacauway, avalia que o novo formato trouxe muito aproveitamento, e ainda possibilitou que mais pessoas da equipe participassem das formações: “Em cada atividade, organizamos pequenos grupos de pessoas que se identificassem com o tema. Foi uma jornada intensa e de muito aprendizado.”

A jornada digital trouxe também a possibilidade de ampliar o número de participantes nas rodas de conexão e outras atividades, reunindo empreendedores do ciclo de 2019 aos do ciclo de 2020, e ampliando ainda mais a interação e a troca entre os integrantes das duas turmas.

Para Tainah Fagundes, da Da Tribu, acelerada em 2019, o Programa possibilitou oportunidades de atualização e de proximidade com as novas iniciativas aceleradas este ano, estabelecendo conexões e a possibilidade de trocas.

Joanna Martins, da Manioca, também acelerada em 2019, destaca a riqueza das atividades oferecidas: “O Programa tem nos ajudado muito em conexões e conhecimento, de uma maneira fora da curva se compararmos a outras iniciativas e grupos dos quais a gente participa. Isso tem trazido enriquecimento e resultados muito positivos para a Manioca”. 

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Ingredientes amazônicos são utilizados em bebidas inovadoras

Não é de hoje que sabores genuinamente amazônicos têm encantado chefs e inspirado receitas de comidas e de bebidas. 

Recentemente, a Kiro, produtora de um tipo de bebida relativamente nova no mercado (o switchel), mas já com grande aceitação entre o público consumidor, desenvolveu dois novos sabores: Maçã + Pimenta Jiquitaia e Cumaru + Cupuaçu.

A pimenta Jiquitaia, indígena é fornecida por comunidades do Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro, indicada pelo Origens Brasil. Já o Cumaru é fornecido pela Manioca, negócio que integra o portfólio do Programa de Aceleração e Investimento de Impacto da Plataforma Parceiros pela Amazônia. O Cupuaçu vem do sul da Bahia, produzido em uma fazenda familiar.

Comprometida com a cadeia produtiva e a rastreabilidade dos ingredientes, buscando a valorização do agricultor e o resgate da relação entre cidade e campo, a Kiro trouxe para o país a categoria de switchel, que embora tenha origem incerta, já era popular entre os trabalhadores rurais norte-americanos desde meados do século XVII como um isotônico natural. No Brasil, o produto se posiciona como alternativa a bebidas alcoólicas, sendo comercializado em bares, restaurantes e também pelo site.

Ingredientes amazônicos cada vez mais valorizados

“Já tínhamos o desejo de lançar novos sabores há um tempo, mas por vários desafios que surgiram ao longo da nossa trajetória, esse plano acabou sendo adiado. Fizemos muitos testes de receitas, sabores, frutas, sementes, enfim, e acabamos decidindo por esses sabores que lançamos agora”, diz Leeward Wang, um dos sócios fundadores da Kiro. “Cuidamos muito da origem dos ingredientes, e todas as histórias que eles trazem dão muita força para o produto, porque são ingredientes muito preciosos. ”

A conexão com os fornecedores amazônicos foi feita pelo AmazôniaHub, negócio de impacto localizado em São Paulo que conecta pequenos e médios produtores da Amazônia com consumidores em todo o Brasil. Rodrigo Ribeiro, do time da Kiro, fez o contato.

“Conheci o Rodrigo há alguns anos, quando ele trabalhava em uma iniciativa de conserva de pirarucu com óleos amazônicos. Nos reencontramos esse ano, no Galpão Biomas do Instituto Auá. Eles conversavam sobre o Cambuci, da Mata Atlântica, e começamos a falar sobre matérias primas amazônicas. Ele levou amostras de frutas e sementes para testes, e logo começamos a apoiá-los na busca dos fornecedores”, diz Kaline Rossi, CEO e co-fundadora do AmazôniaHub,

O AmazôniaHub tem feito pontes com vários parceiros para o fornecimento de ingredientes amazônicos em São Paulo, Curitiba, e mais recentemente com um comprador alemão que comercializa óleos e manteigas vegetais para fins cosméticos.

A Manioca, que fornece o Cumaru para a Kiro, começou sua trajetória abastecendo chefs de grandes restaurantes do Brasil com os sabores amazônicos, e agora já testemunha a diversificação de empresas interessadas nos ingredientes da floresta.

“Indústrias de bebidas, doces, produtos veganos, dentre outros, estão usando nossos sabores para criar produtos maravilhosos, que além do sabor trazem a preocupação de fortalecer nossa biodiversidade. Mais recentemente, passamos a fornecer para a Kiro, que produz uma bebida cheia de personalidade e que nos orgulha ter como parceira. E também para a Amazonika Mundi, que produz carnes plant based e passou a usar ingredientes amazônicos”, diz Paulo Reis, sócio da Manioca responsável pelo comercial. 

Foto: Kiro/divulgação

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SITAWI tem plataforma de empréstimo coletivo reconhecida pelo Environmental Finance Impact Awards 2020

A Plataforma de Empréstimo Coletivo da SITAWI, que este ano realizou uma rodada exclusiva para negócios amazônicos do portfólio do Programa de Aceleração e Investimento de Impacto da PPA, foi reconhecida como Iniciativa de Impacto do ano da América Latina e Caribe pelo prêmio Environmental Finance Impact Awards 2020.